Olá pessoal!
No evento Bits Global Conferences 2012, realizado esta semana na FIERGS, em Porto Alegre, eu tive a oportunidade de falar um pouco da construção da presença de marcas nas plataformas sociais e do papel dos analistas de mídias sociais na gestão de perfis corporativos.
Na entrevista de 7 minutos, você vai conferir as minhas opiniões sobre esses e outros assuntos que envolvem a formação de profissionais e a relação entre empresas e consumidores nas plataformas sociais.
Em breve, farei um update deste post com o conteúdo da minha palestra, à disposição no slideshare.
No mês de maio, as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre receberão alguns eventos imperdíveis sobre marketing digital, crowdsourcing e plataformas sociais.
São desde palestras solos à grandes seminários com palestrantes nacionais e internacionais. Na lista, você encontrará eventos de entrada franca e eventos que valem o parcelamento do ingresso no cartão de crédito.
Felizmente, terei a oportunidade de participar como ouvinte da maioria deles, com a única exceção do BITS Global Conferences, onde faço parte do quadro de palestrantes e falarei sobre as atribuições e responsabilidades dos profissionais de mídias sociais na gestão de presença digital.
Então, o recado está dado! Fiquem ligados nos eventos e no blog, pois haverá cobertura por aqui, com as principais palestras que consiguirei assistir, os pontos fortes de cada evento e insights trazidos pelos palestrantes.
05 de maio
Palestra com coordenador da agência Kindle – Pedro Felipe
Universidade Estácio de Sá, Campus Presidente Vargas – RJ
Tema: Estratégia de divulgação do Filme Heleno nas Mídias Digitais.
Local: Av. Presidente Vargas, 642, Av. Presidente Vargas, 642 – Centro, Auditório 1, 9o andar.
Entrada Franca
08 de maio Ciclo Contribuição Profissional – APP Brasil
Tema: Comunicação Multiplataforma, qual é o melhor caminho?
Palestrante: Rosana Ribeiro. Ex-diretora de Mídia na Fischer America, Young & Rubicam, Vice-Presidente de Mídia na J.W.Thompson.
Ingressos: a partir de R$120,00
09 de maio Social Business Summit 2012
Temas: Palestrantes do Brasil e do mundo discutirão temas de interesse ao mercado digital brasileiro. Destaques: IBM, agência Frog, Remix Social Ideas, The Coca Cola Company.
Hotel Fasano – Avenida Vieira Souto 80
Entrada com convite
11 e 12 de maio Social Media Brasil
Temas: Na 4° edição do evento, o público poderá escolher entre assistir palestras, debates e criar discussões em sua área de desconferência
Local: Centro de Convenções Frei Caneca – Consolação, São Paulo
Ingressos: a partir de R$290,00
15 a 17 de maio Bits Global Conferences
Temas: As palestras são divididas em 3 temas (ou trilhas) “As TICs Revolucionando seu Estilo de Vida e Relacionamentos”; “As TICs alavancado negócios”; “Novas Tecnologias e tendências”.
Local: Centro de Eventos FIERGS. Porto Alegre-RS
Ingressos: a partir de R$330,00 por dia de evento
Li hoje uma interessante notícia na página da BBC, com o título “Nuestros datos personales son el nuevo petroleo” (‘nossos dados pessoais são o novo petróleo’). Embora aparentemente seja um tema já bastante batido, gostei do foco que o jornalista deu para a matéria. Ao invés de ficar remoendo nas noções clássicas de privacidade, ele entrou pelo lado do valor dos dados e da frequente ignorância dos usuários acerca de qual o real valor das informações disponibilizadas na rede.
Se não me falha a memória, foi o Luli Radfahrer que certa vez falou sobre o modelo de negócios do Google da seguinte (e brilhante) maneira (algo assim): “Eles te oferecem algo que tem um valor grande a custo percebido zero, pedem em troca coisas que individualmente não tem tanto valor e geram muito dinheiro agregando tudo isso e vendendo”. Perdoe-me o Luli se minha memória não foi capaz de guardar exatamente a expressão, mas tenho quase certeza que foi por aí.
De qualquer forma, vejamos o exemplo do GMail. Ainda nos lembramos bem dos tempos pré-Gmail, em que contas de correio eletrônico eram muitas vezes cobradas e tinham uma capacidade de armazenamento limitada. Quando o GMail começou foi um choque – de uma hora para outra não se falava em outra coisa, pois os iniciais 1GB (se não me engano) eram muito mais que os concorrentes ofereciam – e de graça.
Bem, aí que está a coisa: não necessariamente “de graça” significa sem troca de valor.
Devemos ver o GMail por dois ângulos: o da qualidade da informação e o do aprisionamento do usuário.
Em relação à qualidade da informação, lembremo-nos que os muitos que usam o GMail como seu principal correio eletrônico deixam o Google visualizar coisas muito importantes de sua vida. Quem nunca viu aqueles anúncios que miraculosamente parecem se adequar (ainda que de forma mais ou menos coerente) ao conteúdo de um e-mail enviado? A quantidade de informações trocadas através do GMail, bem como a qualidade das mesmas, torna esse serviço tão interessante para o Google. Em troca de um serviço gratuito, você “deixa” o Google analisar o que você troca de informação com outros.
Em relação ao aprisionamento do usuário, a lógica é mais simples. Trocar e-mail com frequência traz grandes inconvenientes – assim como trocar de imóvel e de celular. Você tem que enviar seu novo endereço para contatos profissionais, migrar tudo, etc. Além disso, a memória dos e-mails antigos costuma, muitas vezes, se perder nessa transição. Comparando, basta imaginar o impacto que a portabilidade teve para as operadoras de telefonia: o que era um processo relativamente complicado de trocar o número passou a ser algo bem mais simples.
Assim, por trás de um inofensivo serviço temos, na realidade, milhões de pessoas alimentando, minuto a minuto, uma gigantesca base de dados inteligente, que traça perfis de consumo, gostos, etc. Ok, isso pode ser automatizado, como disse o Alexandre Hohagen na época que era presidente do Google Brasil e o perguntei inapropriadamente acerca disso em uma palestra no Coppead. Mas, automatizado ou não, os dados continuam sendo utilizados.
A recente migração para a nuvem interessa muito às empresas – quanto mais dados deixarem de ser enclausurados em redes internas mehor, mais informação elas terão sobre os clientes.
Dados valem muito dinheiro. Tivemos recentemente o bafafá em relação ao IPO do Facebook, com pessoas assustadas com o valor estimado da empresa. Porém, se pensarmos sob esse ponto, veja que mina de ouro: colocamos nossas informações pessoais de maneira voluntária para a empresa analisar tudo isso. Colocamos nossas informações sobre contatos, amizades, preferências políticas, fotos de lugares que visitamos, etc… Tudo isso vale muito dinheiro. É o paraíso dos publicitários e estatísticos modernos.
Basta lembrar que a maioria das técnicas quantitativas de pesquisa de mercado foram desenvolvidas em uma época na qual se perguntar para cada cliente sua preferência seria muito complexo e caro. Hoje em dia, com a quantidade (e qualidade) de informações disponíveis, basta uma rede relativamente grande, um potente sistema de análise e bons profissionais para se traçar um perfil do usuário que, às vezes, nem sua mãe sabe.
Evitei entrar em controvérsias sobre privacidade – deixo isso para outro dia. Mas resolvi aproveitar o gancho para comentar um pouco sobre a notícia.
Há cinco anos, MissMoura era só mais uma analista de mídias sociais procurando lugar no mercado publicitário. Felipe Neto era apenas um blogueiro e o nome PC Siqueira não faria o menor sentido se pronunciado a você.
Há cinco anos, a Campus Party ainda não havia chegado ao Brasil. Você não tinha a menor ideia de que seu sonho de consumo seria um celular gigante, que não caberia no seu bolso (vulgo tablet). E o Twitter parecia só mais uma rede social esquisita que não passaria de uma simples modinha.
Há cinco anos, o Orkut era a principal plataforma social no Brasil, sem a qual boa parte dos brasileiros passariam um dia sem acesso.
Há cinco anos, os veículos de massa rejeitavam qualquer parceria com o universo do blogs. E ser blogueiro profissional parecia mais um sonho distante do que uma realidade plausível.
Realmente cinco anos mudaram muitas coisas. Alguns se opõem a afirmar uma revolução tecnológica e de conhecimento tão grande quanto a revolução industrial, mas fato é que as novas tecnologias mudaram as dinâmicas de relacionamento, de produção de conteúdo e afetaram a economia, gerando negócios e empregos.
Com produção da HotWords e depoimentos de executivos do IAB, Ibope, ComScore, agência Click Isobar, Terra, Buscapé, entre outras empresas, o vídeo abaixo faz reflexões das mudanças que ocorreram nos últimos cinco anos e no comportamento do consumidor pós evolução da plataforma web.
É hora de refletir sobre o passado e imaginar os próximos cinco anos.
Resumo: Faço nesse post um questionamento acerca dos porquês de o movimento de consumo colaborativo no Brasil não seguir em ritmo mais acelerado. Ao final, peço a participação do leitor para me ajudar a elucidar essa questão.
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Este mês aproveitei algumas horas livres para reler o livro “What’s mine is yours”, de Bo Rogers e Rachel Botsman. Já há uma versão traduzida para o Português, lançada aqui em 2011.
É um livro muito interessante, que contém exemplos de iniciativas comerciais de sucesso na área de colaboração. Claro que já somos expostos há tempos a essas iniciativas, sendo o exemplo mais evidente a nossa tão querida Wikipedia (para nossa alegria!). O que o livro fala, entretanto, é sobre outras iniciativas interessantes que, muitas vezes, são desconhecidas do público brasileiro.
Aproveitei a minha temporada de pesquisa na Europa para ver algumas iniciativas físicas de colaboração, principalmente em várias conversas com alguns amigos meus. Ainda teve a oportunidade fantástica de usar o serviço de bicicletas compartilhadas de Paris (Velib), por sorte não provocando um acidente. Vi também o serviço de bicicletas de Sevilha (Sevici), que funciona de modo parecido.
O grupo que conheci através do Antonin Léonard (que, atualmente, é o cara de Consumo Colaborativo na França) incluía um jovem empreendedor, cujo nome é Alexandre Grandremy. Alexandre é um dos fundadores da Deways, uma start-up destinada a promover o compartilhamento de automóveis entre particulares.
Criada por estudantes da ESSEC, prestigiada escola de negócios francesa, a Deways parte de uma ideia bastante simples: aproveitar ao máximo o tempo ocioso dos carros, fomentando o aluguel de carros entre particulares.
Basta passar em frente ao estacionamento de uma universidade para constatar que os carros ficam ali durante algumas horas, parados. Porém, e se pudéssemos aproveitar esse tempo ocioso do carro parado alugando-o a alguém? As locadoras de carro fazem isso há décadas e funciona bem. A mesma tática funcionaria entre particulares?
Embora possa ser contra-intuitivo para alguns, a iniciativa da Deways tem funcionado bem, sim. Carros são alugados entre particulares, gerando um pequeno incremento de renda para o dono e, ao mesmo tempo, resolvendo o problema de outra pessoa.
Do ponto de vista econômico, a função da Deways é servir como um intermediário entre o proprietário e o interessado, fornecendo não só as bases contratuais para o empréstimo como também outra coisa mais importante, que é o senso de comunidade.
Nesse sentido, temos o exemplo do CouchSurfing, que serve como uma rede global de turismo ‘informal’. Se você tem um espaço livre na sua casa e gostaria de recepcionar um turista como você, simplesmente faça o cadastro no site informando que você tem essa oferta disponível. Por outro lado, se você tem interesse em viajar e ficar na casa de um dos membros da comunidade, basta entrar no serviço e ver as pessoas que disponibilizam espaço e fazer o contato com elas. Recebi, há um mês, dois lituanos extremamente simpáticos aqui em casa – e já tenho planos de incluir uma outrora impensável Lituânia na minha próxima viagem!
Mas, embora tenhamos no Brasil algumas iniciativas nesse sentido, vejo que temos muito mais potencial que o atualmente explorado. E, penso, por que isso ocorre?
Acredito que um dos entraves é cultural. Como participantes tardios da ‘festa’ do consumo, em especial a partir da década de 1990, nós, brasileiros, perdemos um pouco aquela característica amigável de compartilhamento que tínhamos há algumas décadas, em uma época na qual era muito mais complexo comprar as coisas. Lembre do sufoco que era ter uma linha de telefone, e que não era incomum permitir o uso ocasional do mesmo a um vizinho em necessidade. Ou, então, das tradicionais caronas. Claro que ainda existem caronas e caroneiros, mas muita coisa mudou nos últimos anos.
Ficamos cada vez mais reclusos em nossos condomínios, tendo um precário conhecimento dos nossos vizinhos. My home is my castle – estamos levando essa máxima inglesa ao pé da letra. Fechando-nos, contudo, o compartilhamento fica mais complexo, pois fica bem mais complicado saber das necessidades e ofertas dos outros.
Em um exemplo bastante elucidativo dado pela Rachel Botsman: quantas vezes por ano você precisa de uma furadeira? No entando, basta ver que muitas residências possuem uma, que fica parada 99,8% do tempo pegando poeira em um armário. Não seria mais fácil que o prédio tivesse uma e, sempre que alguém precisasse, a tomasse emprestada?
Do ponto de vista econômico, faz todo sentido. Ter um produto que supostamente vale pela sua utilidade parado no armário é uma perda de dinheiro. E, entretanto, por que não compartilhamos mais?
Ao contrário dos outros posts meus, dessa vez não tenho muita ideia da resposta, e gostaria de pedir a vocês, no melhor espírito colaborativo, que me ajudassem a elucidar essa questão.
Resumo: Pensar na Comunicação apenas como o meio utilizado pode ser catastrófico para a o planejamento. Outra vez sugiro ao leitor que recorra à História para ver que, mesmo em momentos de grandes transformações tecnológicas, antigas e novas tecnologias conviveram por um bom tempo. Além disso, as formas de utilização de antigas tecnologias influenciaram fortemente os modos de utilização das novas.
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Eis um livro que julgo muito importante, fortunadamente sugerido pela colega professora Heloíza Matos (Faculdade Cásper Líbero): Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet, dos professores Asa Briggs e Peter Burke. Nele, sem a utilização de jargões excessivos e numa linguagem para dar inveja a jornalista veterano, os autores passam pelas principais alterações das mídias desde a prensa de Gutenberg até “o advento da Internet” (odeio essa expressão, mas…). Analisando principalmente as tecnologias em seu contexto político, econômico e social, o livro vai desvendando um mundo muitas vezes esquecido; as tecnologias, enfim, tem história. E essa história é fundamental para que compreendamos os processos de mudança que acontecem atualmente.
Vejamos um exemplo clássico – a prensa de tipos móveis de Gutenberg. Provavelmente você consegue imaginar o quão disruptiva foi essa tecnologia. Isso é tema de qualquer aula introdutória de Comunicação, assim como exemplo clássico e mal-utilizado de palestras de canastrões por aí. É muito simples e cômodo pensar que uma força divina colocou a prensa no mundo e tudo mais se fez a partir dali. Livros foram impressos e todos viveram felizes para sempre.
Como o mundo real não é um conto de fadas, a verdadeira história é outra.
Basta lembrar algumas coisas: estávamos saindo da Idade Média, onde pouquíssimas pessoas (normalmente o clero) eram alfabetizadas e menos ainda tinham acesso a livros. Livros eram raros e, como você já sabe, eram copiados a mão. Isso fez com que a Igreja tivesse, na Europa, o monopólio do conhecimento durante muitos séculos. Ademais: para que aprender a ler se você não tem o que ler?
Contudo, a prensa foi uma invenção bombástica. Deu escala àquilo que era restrito. Aumentou a possibilidade de se publicar e difundir conteúdo, principalmente ideias políticas, dentre várias outras coisas. Em suma: erodiu o poder da Igreja Católica no quesito monopólio do conhecimento da Europa (não nos esqueçamos que, durante a Idade Média, o mundo árabe estava muito mais avançado intelectualmente).
A prensa também foi vista, por esses mesmos motivos, como um perigo. Governos se apressaram em controlar o que era impresso, embora isso não impedisse a circulação de textos e figuras mais ousadas (o “guia” de posições sexuais, com ilustrações, de Giulio Romano no início do século XVI, deve ter causado um efeito e tanto).
Pulando para a parte que nos interessa, temos o seguinte: o formato do livro impresso não foi radicalmente mudado dos livros manuscritos. A lógica que permeava a organização dos novos livros foi praticamente copiada dos antigos, sendo adaptada aos poucos. Coisa de uns 100 anos. E, além disso, os livros manuscritos não desapareceram imediatamente, assim como os impressos não foram adotados assim que surgiram por todos. Um processo histórico, social, político e econômico.
Por que essa introdução toda sobre a prensa? Porque, hoje em dia, os arautos do apocalipse continuam ganhando dinheiro com previsões assustadoras sobre a morte de uma ou outra tecnologia. Em quanto tempo o jornal irá morrer? Será que o livro resistirá mais dez anos?
A questão é: analisar uma tecnologia somente pelo seu lado técnico é temerário. É ignorar que uma tecnologia tem seus significados apropriados e mudados pelas pessoas. Várias inovações surgiram dessa forma – pensadas para algo, fizeram sucesso em outro campo. É muito difícil, quando do lançamento de um novo produto, ter uma ideia clara dos usos que ele terá.
Assim, algo similar está ocorrendo com o jornal hoje em dia. Há uma fixação quase sexual em relação ao papel (tanto impresso quanto o objetivo mesmo) do jornal e das outras mídias antigas. Os analistas de negócios insistem nas previsões apocalípticas.
Claro que até (e principalmente) uma criança de 5 anos sabe que o jornal impresso, como o conhecemos hoje, não irá durar muito tempo. Não precisa de bola de cristal nem de consultoria da McKinsey para saber isso, basta observar atentamente o que está ao nosso redor. Mesmo com os dados do IVC e da ANJ indicando um tímido aumento na circulação dos jornais, esses números não refletem a realidade. Os leitores do jornal impresso estão ficando mais velhos, ao mesmo tempo que novos leitores não passam pela plataforma impressa.
Contudo, se pensarmos o jornal como um meio de notícias, a estória é outra. O conteúdo produzido para o impresso pode (como atualmente o é) ser adpatado para outras mídias. Saber que “o deputado xyz escondeu R$1 milhão na mala” é interessante tanto no impresso como na Internet. Claro que há uma questão aí de adequação às restrições e potencialidades do meio escolhido, mas a lógica subjacente é similar.
Pensemos: o jornal que irá morrer é o impresso – mas a notícia, em si, não irá morrer. Provavelmente haverá transformações significativas, como a mudança do poder político, redução do monopólio das grandes corporações, etc. Mas a “notícia” em si não morrerá; apenas sofrerá, ao longo dos anos, uma transformação.
Não haverá mudança radical na forma como se lê um jornal porque a Apple lançou o iNews (ou coisa que o valha). Claro que haverá uma certa influência dessas alterações de comportamento e hábito do consumidor, mas isso também levará um tempo até que seja definitiva.
Veja o rádio: ele não está morto. Muito provavelmente os modelos futuros de “rádio” envolverão a difusão via streaming com algum grau (maior ou menor) de seleção pelo usuário do que prefere ouvir – além de influências sociais. Mas o ato de ouvir música em sequência, como habituamos com o rádio, permanecerá pelo menos por um tempo. Acostumamo-nos assim e ainda demorará um tempo para isso mudar.
Assim, prefiro investir minhas fichas hoje em entender os processos históricos de mudança tecnológica, até para poder estar mais preparado. Observar tendências não é apenas um exercício de curiosidade ou meramente uma etapa do briefing. É, mais que isso, perceber onde se encontram as forças de mudança que poderão alterar significativamente o rumo social das tecnologias. Cabe a nós, nesse meio tempo, realizar a preparação adequada para essas mudanças tecnológicas, sem a afobação de quem parece estar destinado à forca.
Parece muito cedo para se falar em rankings e panoramas das redes sociais em 2012, afinal, o ano nem bem começou. No entanto, dados de dezembro e janeiro dos institutos ComScore e SemioCast mostram que muitas coisas já mudaram desde o meu último post sobre as redes sociais mais acessadas pelos internautas no Brasil.
Quais são as novidades desde os últimos relatórios veiculados?
• Facebook ultrapassou Orkut em número de usuários, alcançando 36 milhões de usuários únicos em dezembro de 2011.
• Orkut alcançou um crescimento de 5% no ano passado, no entanto, manteve-se com 34 milhões de usuários únicos.
• E Twitter traz a grande novidade em janeiro de 2012, ultrapassando o Japão e se posicionando o Brasil como segundo país a mais utilizar a rede, perdendo apenas para os Estados Unidos. Fechou o mês de janeiro de 2012 com 33 milhões de contas no Brasil.
Detalhes importantes a serem questionados:
Como já dito anteriormente no blog, é preciso analisar dados da pesquisa e amostragem cuidadosamente antes de tirar conclusões precipitadas, como por exemplo: 1) A amostragem do ComScore não considera aferição em lan houses e sabemos que essas são responsáveis por boa parte do tráfego do Orkut o Brasil.
As lan houses são responsáveis por quase 50% dos acessos à internet no Brasil. No Nordeste, este dado chega a 70% dos acessos. Confira esse e outros dados no vídeo realizado pela FGV, Sebrae e Portal do Empreendedor:
2)O Facebook ultrapassa o Orkut somente na região Sudeste do país (que concentra maior quantitativo de acessos). No resto do país, o Orkut ainda é hegemônico. 3) Em dezembro de 2011, 76% dos usuários do Facebook também acessaram o Orkut, segundo a ComScore. O que significa que as plataformas estão sobrevivendo paralelamente. 4) O Twitter apontou uma tendência de crescimento importante, que pode ultrapassar o número de contas cadastradas do Orkut em pouco tempo.
Conclusões:
• Quando dizemos que o facebook é maior do que o Orkut, ainda entendemos que é uma ultrapassagem regional e não nacional, por mais que a região sudeste concentre usuários.
• Sem a aferição de lan houses jamais teremos certeza dos dados de acesso às plataformas sociais no Brasil, haja visto o quantitativo de usuários de lan houses no país.
• O Brasileiro vem se habituando a trocar informação em múltiplas plataformas, separando amigos por grupos ou interesses.
Resumo: contra o hype que se espalha sem que se pense sobre as novas tecnologias, proponho que paremos um pouco e pensemos em que oportunidades estão bem à frente e que não percebemos porque estamos muito preocupados em olhar para daqui a 20 ou 30 anos. O pensamento de longo prazo, caso mal utilizado, pode também gerar a hipermetropia de Marketing.//
Recentemente li outra vez o clássico artigo de 1960 do professor Theodore Levitt, “Marketing Myopia“. Esse artigo, praticamente uma leitura obrigatória nos atuais cursos de Marketing (além de MBAs e congêneres), foi incrivelmente avançado para seu tempo. Numa época que os Estados Unidos acabava de sair da II Guerra Mundial forte e hegemônico, as indústrias em pleno crescimento e o American Way of Life dominando a cultura popular, Levitt escreveu um texto no qual desafiava algumas das mais ferrenhas concepções de sua época. Até hoje, ler o texto traz um prazer; o prazer de ler algo que foi bem escrito e que, devido à análise realizada, permanece extremamente atual até hoje.
Contudo, talvez pela minha maior imersão atualmente no ambiente de tecnologia (na prática), comecei a questionar, também, algumas coisas que como acadêmico achava normais de se aceitar.
Não são poucos os blogs, jornais, revistas, canais de televisão, etc., que passam, quase diuturnamente, a ideia de que o importante é a tecnologia do futuro. Empreendedores e entusiastas já se acostumaram a ver, em eventos da área, previsões apocalípticas. O jornal vai morrer em 30 anos, o livro impresso desaparecerá em quatro décadas, todo mundo terá um chip na cabeça até 2050, dentre vários outros exercícios interessantes de futurologia.
Porém, ao contrário do que poderia se esperar, vejo que, muitas vezes, esse demasiado olhar para o futuro traz uma consequência nefasta: o esquecer-se do presente.
Claro que, se as previsões não fossem alarmantes ou chocantes, dificilmente seriam “vendidas”. Por exemplo: se Harold Camping, aquele simpático velhinho dos EUA, dissesse que o mundo, segundo seus cálculos arrojados, fosse acabar em 21 de maio de 2791, provavelmente ele não ganharia a cobertura sequer do jornal do bairro. Contudo, como a previsão foi feita para 21 de maio de 2011, várias redes de notícia propagaram as “boas” novas. O apocalíptico vende. E muito.
O mesmo acontece com as notícias sobre tecnologia. Assusta, principalmente para um editor de livros, saber que o seu ofício, do jeito que funciona atualmente, irá ‘desaparecer’ em breve. Assim como deve ser muito complicado para a redação de um jornal impresso saber que sua base de leitores (do jornal em papel) tende, inexoravelmente, a declinar. E, como todo bom assustado, ele tende a comprar qualquer livro (ainda que impresso, por ironia), palestra ou consultoria milagrosa que prometa (explicitamente ou não) salvá-lo desse arrebatamento final. Afinal, todos queremos salvar nossos empregos, não?
Bem, aí que entra o problema. Essa cultura do medo, dessa mudança que ninguém realmente entende direito, dessa urgência de mudanças, leva um gestor mais desavisado a somente focar para o futuro e se esquecer do presente. Enxerga bem longe, mas não consegue ver aquilo que se encontra próximo. Chamarei isso de hipermetropia de Marketing, principalmente na área de Tecnologia.
Fazemos planos para as tecnologias mais prováveis para 2020, mas não vemos que, no ocaso das atuais, ainda há muita coisa a ser feita. Vejamos um exemplo simples, o GroupOn. O que, efetivamente, o GroupOn faz? Ele replica, com maior complexidade tecnológica, aquela coisa que existe há décadas nos mercadinhos da esquina:
“Senhora freguesa! Deu a louca no mercado! Nos próximos 20 minutos a Coca-Cola 2 litros vai sair por apenas R$2,50! De R$4,50 por apenas R$2,50. Mas corra que a oferta é limitada! Passe no setor de bebidas e leve já as suas!”
Ou seja: a genialidade da ideia do GroupOn não está em criar um tecido transparente, que só os inteligentes e aptos enxergam (como no fantástico conto de Hans Christian Andersen), ou então em desenvolver a cura do câncer. Está em ver na realidade um determinado modelo, pensar como seria esse modelo melhorado, ver o que se precisa criar para isso e, claro, muito trabalho duro e risco. Mas, no fundo, o GroupOn (e suas quatrocentos mil cópias) é uma versão moderna do locutor do mercadinho. Cria-se uma urgência artificial que impele o consumidor a comprar coisas que ele nem sabe que precisa (e, normalmente, não precisa mesmo). Genial. Simples e genial.
Quando ouço alguém falar que o papel morreu, que o rádio já era, que a televisão já está com dias contados, etc., logo penso em qual produto (ou melhor, “solução”) essa pessoa tem interesse em vender.
Ainda há muito espaço para inovar em indústrias “antigas”. Há muita coisa aí que não foi explorada e, como só se olha para frente, não se enxerga direito. É preciso ter muita criatividade, muito tempo e sagacidade para pensar os atuais modelos de negócio e desenvolver adaptações e inovações inteligentes para eles. Várias oportunidades fantásticas de negócio são perdidas porque se está pensando apenas na próxima grande inovação, quando as atuais tecnologias ainda oferecem um espaço ainda grande de manobra.
Pode não ser tão estiloso, mas essa hipermetropia de Marketing faz com que vários oceanos azuis de oportunidades sejam literalmente jogados ao mar. Tudo porque os exercícios de futurologia são muito mais interessantes, especialmente se têm um discurso apocalíptico, que os exercícios de pensamento com aquilo que já se tem, com o que precisa ser melhorado.
Que fique claro que isso não é, de maneira alguma, um ode ao antigo, uma forma moderna de ludismo ou coisa que o valha. É, ao mesmo tempo em que se olha para frente, olhar para baixo e para o lado. Caso contrário, pode-se cair num poço enquanto se olha as estrelas, como Tales de Mileto. A diferença é que Tales entrou para a História como um dos maiores filósofos da antiguidade. O cara que simplesmente ignorar as oportunidades atuais sequer fará parte do rodapé.
Um forte abraço,
Pedro
PS – Desculpem a imensa demora em voltar a escrever. Fiquei meio que em sabático os últimos meses…precisava disso. Mas agora vamos com tudo! Abraços,
Os eventos sempre foram uma parte importante do aprendizado em mídias sociais. Neles, além do famoso networking de corredor, coffee breaks e bar, nos confrontamos com ideias, experiências e dúvidas diferentes das nossas, que nos fazem refletir sobre a evolução do mercado que estamos inseridos.
Os eventos também nos fortalecem, nos ajudam a consolidar a presença física (e não só digital) das empresas e das marcas as quais trabalhamos. Nos ajudam a prospectar empregos e/ou clientes e, digo mais, ampliam até a nossa base de leitores do blog ou seguidores no twitter.
Sem os eventos, eu não teria a quantidade de contatos que tenho hoje. Foi dando a cara a tapa e pegando o microfrone na platéia e no palco que conquistei a admiração e amizade de muita gente. É com o microfone em punho que a gente se arrisca e que a gente aprende, independente do lado que esteja na sala.
Então, #ficaadica dos eventos imperdíveis que acontecem no Brasil, em diversas capitais todos os anos. As datas não são fixas, por isso, me ative apenas a linkar para o site e falar um pouco do que sei sobre cada um deles. Espero que muitos eventos surjam em 2012 e que possamos aprender juntos.
Um dos maiores eventos de tecnologia e cultura digital do planeta, está no Brasil desde 2008 e acontece em São Paulo, de 06 a 12 fevereiro de 2012. A cada ano, a Campus Party bate recorde de visitas e inscrições, ultrapassando o número de 7.000 campuseiros que assistem a palestras e debates por uma semana, dos mais diferentes temas (são oito arenas).
As inscrições começam em setembro de cada ano e são disputadas a tapa. As de 2012 já acabaram, mas prepare-se para passar a noite acordado tentando fechar a inscrição de 2013. Vale a pena e deve ser a última edição no Brasil.
Evento gratuito e simultâneo em 12 capitais mundo a fora, teve edições em 2011 em São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2012, acontece apenas em São Paulo, dos dias 13 a 17 de fevereiro.
O maior, senão único, festival de cultura digital brasileira acontece algumas vezes ao ano em São Paulo, desde 2009. Teve uma edição internacional em São Francisco, em outubro de 2011 e está aí pra gente se informar como o jovem lida, cria conteúdo e dissemina informação e memes na era digital.
A edição de 2012 acaba de ser informada via twitter e acontecerá nos dias 26, 27 e 28 de abril. Fiquem ligados!
O evento acontece uma vez ao ano, em São Paulo, geralmente no mês de junho, vem se consolidando como o maior de mídias sociais no Brasil. Normalmente, dividido em dois dias, os participantes assistem a painéis dos mais variados temas, desde SEO, criatividade, ROI a transmedia storytelling.
O evento que acontece em sua cidade sede, São Paulo, costuma acontecer em meados de outubro. É um dos grande eventos da nossa área e conta com palestrantes nacionais e internacionais.
O primeiro evento dedicado a compreensão de campanhas e análises da plataforma digital que mais cresce no mundo, chegou a São Paulo em outubro de 2011 e, dada a sua repercussão, parece que veio pra ficar.
O evento já esteve presente em oito cidades e vai de maio a dezembro: São Paulo, Campo Grande, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Rio de Janeiro.
O evento já chegou a 10 cidades, normalmente, no segundo semestre do ano: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife.
Evento tipicamente carioca, voltado para negócios nas áreas de mídia, produção digital e transmídia, acontece em 2012 entre 29 de fevereiro a 02 de março.
Fim de ano, damos início das retrospectivas e às resoluções. O mercado digital cresceu muito em 2011, assim como, o número de usuários de internet no Brasil, os profissionais que se dedicam a estudar e oferecer este serviço e o número de agências comprometidas a elevar o sucesso de seus clientes no mundo virtual.
Mas o crescimento rápido do mercado não traz apenas benefícios, também traz profissionais, agências e clientes despreparados para a realidade de suas marcas e uma imagem turva do que o marketing digital pode oferecer. Pensando nisso, vamos compartilhar aqui uma lista com 10 desejos (ou resoluções) para o mercado em 2012. Que o próximo ano venha cheio de campanhas sensacionais, trazendo muito retorno para os investidores e clientes muito mais satisfeitos através do relacionamento com suas marcas preferidas.
1- Pensar mais nos consumidores, menos nos likes
2- Aceitar que as mídias sociais impactam não só os canais de relacionamento, mas também setores como logística e atendimento off-line
3- Dar mais valor ao monitoramento e análise de métricas, menos ao clipping
4- Entender que número de seguidores não é objetivo de campanha
5- Se preparar para assumir um budget anual de investimento em comunicação
6- Cumprir regulamentos de ações promocionais
7- Estabelecer um timming de resposta para os consumidores nas redes sociais
8- Investir em um planejamento de atuação, e não ações isoladas
9- NUNCA, JAMAIS, em hipótese alguma solicitar um ROI que divida o valor do seu investimento pelo número de seguidores do Twitter. Isso não é ROI, nem amor.
10- Benchmarkings servem para analisar as marcas melhores posicionadas no seu segmento, não pra fazê-lo acreditar que o seu sucesso será o mesmo da Coca-Cola nas mídias sociais com 0,2% do budget.
Se você gostou das resoluções ou tem algumas para acrescentar, não deixe de comentar e compartilhar com aquele seu cliente que não entendeu direito o que você faz