28/05/12
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Quem é leitor do Social Media Storyteller sabe que posts recheados de imagens chamativas não é o nosso forte. Eu e Pedro Rogedo (raramente Aline Magno dando os ares de sua presença) prezamos pelo conteúdo, datas ou dados importantes e pelos insights que pesquisas e estudos teóricos nos trazem.
No entanto… Nosso público é repleto de estudantes de todas as áreas que almejam adentrar no vasto universo dos profissionais de mídias sociais. E volta e meia, recebemos pedidos de ajuda para bibliografia, monografia e qualquer pitaco que possa ajudá-los a concluir seus projetos.
Então, aqui vai uma dica em forma de infográfico: a imagem abaixo pode auxiliar qualquer estudante / pesquisador a traçar uma cronologia desde o surgimento da Arpanet até os dias de hoje, passando da antiga web 1.0 à web 2.0, como a conhecemos.
Nada de copiar a imagem pro seu trabalho acadêmico. Jogue cada um dos termos na wikipedia e terá um excelente referencial para começar a escrever. Mãos à obra e boa sorte!

Fonte da imagem: http://pinterest.com/pin/246783254551434291
24/02/12
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Resumo: Pensar na Comunicação apenas como o meio utilizado pode ser catastrófico para a o planejamento. Outra vez sugiro ao leitor que recorra à História para ver que, mesmo em momentos de grandes transformações tecnológicas, antigas e novas tecnologias conviveram por um bom tempo. Além disso, as formas de utilização de antigas tecnologias influenciaram fortemente os modos de utilização das novas.
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Eis um livro que julgo muito importante, fortunadamente sugerido pela colega professora Heloíza Matos (Faculdade Cásper Líbero): Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet, dos professores Asa Briggs e Peter Burke. Nele, sem a utilização de jargões excessivos e numa linguagem para dar inveja a jornalista veterano, os autores passam pelas principais alterações das mídias desde a prensa de Gutenberg até “o advento da Internet” (odeio essa expressão, mas…). Analisando principalmente as tecnologias em seu contexto político, econômico e social, o livro vai desvendando um mundo muitas vezes esquecido; as tecnologias, enfim, tem história. E essa história é fundamental para que compreendamos os processos de mudança que acontecem atualmente.
Vejamos um exemplo clássico – a prensa de tipos móveis de Gutenberg. Provavelmente você consegue imaginar o quão disruptiva foi essa tecnologia. Isso é tema de qualquer aula introdutória de Comunicação, assim como exemplo clássico e mal-utilizado de palestras de canastrões por aí. É muito simples e cômodo pensar que uma força divina colocou a prensa no mundo e tudo mais se fez a partir dali. Livros foram impressos e todos viveram felizes para sempre.
Como o mundo real não é um conto de fadas, a verdadeira história é outra.
Basta lembrar algumas coisas: estávamos saindo da Idade Média, onde pouquíssimas pessoas (normalmente o clero) eram alfabetizadas e menos ainda tinham acesso a livros. Livros eram raros e, como você já sabe, eram copiados a mão. Isso fez com que a Igreja tivesse, na Europa, o monopólio do conhecimento durante muitos séculos. Ademais: para que aprender a ler se você não tem o que ler?
Contudo, a prensa foi uma invenção bombástica. Deu escala àquilo que era restrito. Aumentou a possibilidade de se publicar e difundir conteúdo, principalmente ideias políticas, dentre várias outras coisas. Em suma: erodiu o poder da Igreja Católica no quesito monopólio do conhecimento da Europa (não nos esqueçamos que, durante a Idade Média, o mundo árabe estava muito mais avançado intelectualmente).
A prensa também foi vista, por esses mesmos motivos, como um perigo. Governos se apressaram em controlar o que era impresso, embora isso não impedisse a circulação de textos e figuras mais ousadas (o “guia” de posições sexuais, com ilustrações, de Giulio Romano no início do século XVI, deve ter causado um efeito e tanto).
Pulando para a parte que nos interessa, temos o seguinte: o formato do livro impresso não foi radicalmente mudado dos livros manuscritos. A lógica que permeava a organização dos novos livros foi praticamente copiada dos antigos, sendo adaptada aos poucos. Coisa de uns 100 anos. E, além disso, os livros manuscritos não desapareceram imediatamente, assim como os impressos não foram adotados assim que surgiram por todos. Um processo histórico, social, político e econômico.
Por que essa introdução toda sobre a prensa? Porque, hoje em dia, os arautos do apocalipse continuam ganhando dinheiro com previsões assustadoras sobre a morte de uma ou outra tecnologia. Em quanto tempo o jornal irá morrer? Será que o livro resistirá mais dez anos?
A questão é: analisar uma tecnologia somente pelo seu lado técnico é temerário. É ignorar que uma tecnologia tem seus significados apropriados e mudados pelas pessoas. Várias inovações surgiram dessa forma – pensadas para algo, fizeram sucesso em outro campo. É muito difícil, quando do lançamento de um novo produto, ter uma ideia clara dos usos que ele terá.
Assim, algo similar está ocorrendo com o jornal hoje em dia. Há uma fixação quase sexual em relação ao papel (tanto impresso quanto o objetivo mesmo) do jornal e das outras mídias antigas. Os analistas de negócios insistem nas previsões apocalípticas.
Claro que até (e principalmente) uma criança de 5 anos sabe que o jornal impresso, como o conhecemos hoje, não irá durar muito tempo. Não precisa de bola de cristal nem de consultoria da McKinsey para saber isso, basta observar atentamente o que está ao nosso redor. Mesmo com os dados do IVC e da ANJ indicando um tímido aumento na circulação dos jornais, esses números não refletem a realidade. Os leitores do jornal impresso estão ficando mais velhos, ao mesmo tempo que novos leitores não passam pela plataforma impressa.
Contudo, se pensarmos o jornal como um meio de notícias, a estória é outra. O conteúdo produzido para o impresso pode (como atualmente o é) ser adpatado para outras mídias. Saber que “o deputado xyz escondeu R$1 milhão na mala” é interessante tanto no impresso como na Internet. Claro que há uma questão aí de adequação às restrições e potencialidades do meio escolhido, mas a lógica subjacente é similar.
Pensemos: o jornal que irá morrer é o impresso – mas a notícia, em si, não irá morrer. Provavelmente haverá transformações significativas, como a mudança do poder político, redução do monopólio das grandes corporações, etc. Mas a “notícia” em si não morrerá; apenas sofrerá, ao longo dos anos, uma transformação.
Não haverá mudança radical na forma como se lê um jornal porque a Apple lançou o iNews (ou coisa que o valha). Claro que haverá uma certa influência dessas alterações de comportamento e hábito do consumidor, mas isso também levará um tempo até que seja definitiva.
Veja o rádio: ele não está morto. Muito provavelmente os modelos futuros de “rádio” envolverão a difusão via streaming com algum grau (maior ou menor) de seleção pelo usuário do que prefere ouvir – além de influências sociais. Mas o ato de ouvir música em sequência, como habituamos com o rádio, permanecerá pelo menos por um tempo. Acostumamo-nos assim e ainda demorará um tempo para isso mudar.
Assim, prefiro investir minhas fichas hoje em entender os processos históricos de mudança tecnológica, até para poder estar mais preparado. Observar tendências não é apenas um exercício de curiosidade ou meramente uma etapa do briefing. É, mais que isso, perceber onde se encontram as forças de mudança que poderão alterar significativamente o rumo social das tecnologias. Cabe a nós, nesse meio tempo, realizar a preparação adequada para essas mudanças tecnológicas, sem a afobação de quem parece estar destinado à forca.
O jornal está morto. Longa vida ao jornal!
Abraços,
Pedro
02/08/11
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Um dos meus objetivos aqui nessa viagem era fazer uma visita técnica (nome bonito, não?) a Bletchley Park. Você muito provavelmente nunca ouvir falar desse lugar; e a culpa não é sua. Mas esse lugar pode ser considerado crucial para o desenvolvimento dos computadores a partir da segunda metade do século XX. E vou tentar explicar as razões.
Tudo começa com a criptografia, atividade que se destina a garantir a segurança nas comunicações através de diferentes métodos para evitar que a mensagem seja compreendida por quem não deveria. Não precisa dizer que isso é uma atividade crucial, especialmente para Governos. Para se ter uma ideia do estrago que uma estrutura de criptografia e sigilo insuficientes podem causar, basta perguntar aos EUA qual a opinião deles sobre o Wikileaks e Julian Assange.
Durante a Primeira Guerra Mundial, porém, a importância da criptografia aumentou muito, culminando com fantásticos desenvolvimentos na área durante o período entreguerras. Máquinas destinadas a criptografar mensagens enviadas por generais no campo de batalha para os QGs, via rádio, foram aperfeiçoadas e, a partir daí, criou-se um número significativo de aparelhos destinados a manter o segredo dessas mensagens tão importantes.
Não é nem necessário dizer que, durante a Segunda Guerra Mundial, esse tipo de informação era de máxima sensibilidade e, caso caísse das mãos dos inimigos, poderia destinar planos militares ao fracasso, afetando seriamente as estratégias de guerra. E assim começa nossa estória.
Bletchley Park foi o local usado pelo governo britânico, durante a Segunda Guerra Mundial, para se decifrar essas mensagens codificadas enviadas pelas tropas do Eixo e interceptadas por uma série de antenas espalhadas pelo país. O Reino Unido juntou, num mesmo espaço, gênios da envergadura de Alan Turing (considerado o pai da computação moderna) e montou uma estrutura destinada a decifrar esses códigos e dar uma vantagem importantíssima para a estratégia dos países Aliados.
No início, a maior parte desse trabalho era feita manualmente. Sim! Manualmente…isso significa que um batalhão de experts e assistentes ficavam o dia todo tentando calcular o código e decifrá-lo. Com tecnologias muito modernas, como lápis e papel – aliado a um sólido conhecimento matemático e, na maior parte dos casos, sorte e intuição. Contudo, com o avanço da Guerra, os códigos alemães ficaram cada vez mais complexos e, assim, embora até fosse possível quebrá-los, o tempo necessário iria ser maior que o desejado para que as mensagens tivessem valor estratégico.
Os gênios em Bletchley Park então começaram a pensar no seguinte: e se montássemos uma máquina que fosse capaz de acelerar esse processo? Sim, porque em muitos dos casos, os métodos aplicados ainda dependiam de uma forte dose de tentativa e erro, ainda que bastante reduzida pelos cálculos estatísticos.
Foram, assim, criadas as primeiras máquinas destinadas a realizar rapidamente essas operações. As primeiras funcionavam com relays, mas depois foram substituídas pelas válvulas. Diversas versões dessas máquinas foram construídas e aprimoradas (Heath Robinson, Colossus Mark I, Colossus Mark II, etc.) e, em 1943, o Colossus Mark I já se encontrava operacional e trabalhando dia e noite para quebrar os códigos alemães – o que foi conseguido.
Infelizmente, como todo esse trabalho era do mais alto nível de sigilo, nada se soube até meados da década de 1970, sendo que os exemplares do Colossus foram destruídos e todos os que trabalharam em Bletchley Park proibidos de comentar qualquer coisa sobre esse período indefinidamente.
Entretanto, vários dos engenheiros, matemáticos, criptógrafos, etc., que trabalharam lá acabaram indo para outros lugares e centros de pesquisa, como a Universidade de Manchester, onde se criou uma avançado programa de pesquisas em computação, culminando inicialmente com o Manchester Mark 1.
Como toda essa estória era sigilosa, muitos acham que isso acabou retardando o desenvolvimento dos computadores na Inglaterra, que estava, ao final da Guerra, numa posição tecnológica na área muito mais avançada que os EUA. Assim, ainda se considera como o primeiro computador da era moderna o ENIAC, embora o mesmo só tenha estado em operação após o final da Guerra, enquanto o Colossus já se encontrava operacional em 1943.
Para quem gosta de História e Tecnologia, é uma visita imperdível. Bletchley Park se situa perto de Londres, sendo uma viagem de não mais que 40 minutos de trem até a estação, que é literalmente colada ao local.
Abaixo coloquei mais algumas fotos que tirei. Espero que curtam. Uma versão mais desenvolvida (e chata) desse post deve aparecer na minha tese também.
Um forte abraço,
Pedro

Eu em Bletchley Park

Fitas perfuradas como input dos dados

- Escritório do Alan Turing – Poster motivacional com Churchill

Estação de rádio