I quit e First Kiss: um olhar sobre campanhas de marketing viral de sucesso

O que é mais “viralizável” do que as emoções humanas? Bebês dançando de patins? Vídeos de humor no estilo Old Spice? Não existe uma receita de bolo para criar campanhas de marketing viral de sucesso, mas é um fato que o amor, o humor, a raiva e a tristeza são sentimentos inerentes à raça humana e se expostos de forma simples e de fácil entendimento, podem conectar pessoas e serem altamente dissemináveis.

Em 2013, uma das ações de buzz que mais chamaram atenção das pessoas foi o vídeo “I quit”, onde o sentimento explorado foi o descontentamento com o trabalho ou a raiva do chefe, traduzidos em forma de “dancinha irônica” pela jovem Marina Shifrin. O vídeo, que alcançou 17 milhões de visualizações, teve rápida exposição nos veículos de mídia e levantou debates sobre ética corporativa, mas logo deixou dúvidas sobre sua “espontaneidade” após o vídeo-resposta da empresa de Marina… que, vejam só, era uma empresa de vídeos virais! No fim da história, quem se deu bem foi Marina ao ser contratada pelo programa de TV de Queen Latifah.

Há dois dias, a filmmaker Tatia Pilieva subiu o video “First Kiss” para seu canal do youtube. Inicialmente, o vídeo sugeria que um experimento realizado com 20 pessoas tinha como propósito transmitir a sensação do primeiro beijo com desconhecidos, sem qualquer contato prévio. Essa foi a história que capturou o interesse de pessoas no mundo inteiro, independente do “target”, idioma, região ou credo. Quase qualquer ser humano na terra (salvo raras exceções) já passou ou pretende passar por essa experiência e gostaria de se colocar no lugar dos participantes. Vai dizer que você não pensou: “como seria se eu estivesse lá?” ou “será que eu teria coragem”? Pois bem, eles não eram estranhos.

O casting, realizado com modelos e atrizes, conta até com Damian Kulash, cantor guitarrista da banda americana OK Go (também chegada em “clipes virais”). Tudo minimamente calculado para dar a maior visibilidade e mídia espontânea possíveis para a “indie fashion label” americana Wren.

O vídeo, que teve a disseminação iniciada via e-mail, já alcançou mais de 24 milhões de visualizações em apenas 2 dias (considere que as maiores ações de marketing viral – Dove e Evian – possuem em média 70 milhões de views em muito mais tempo). Os cálculos em mídia espontânea já são astronômicos neste momento, uma vez que Fist Kiss já é destaque nos portais da Revista Time, do Jornal Telegraph, no Mashable, ABC News, Revista Elle, entre outros.

Você não prestou atenção nas roupas, né? Nem eu. Ainda assim, os modelos vestem a coleção da Wren de 2014, como você pode conferir na imagem abaixo (clique para expandir):

O vestido da coleção 2014 da Wren custa apenas $69 dólares

Concluindo: bons filmes, ideias bem executadas e custos de produção razoáveis para marcas “não milionárias” deixam claro que é possível criar campanhas de marketing viral de sucesso, principalmente, se utilizando da plataforma Youtube (No Facebook geraria o mesmo resultado? Creio que não). Fica o aprendizado para planners e criativos do mundo inteiro que as emoções comuns conectam. Não é preciso mega celebridades ou milhões em mídia. Basta saber como transmitir essas emoções ultrapassando as barreiras linguísticas. E, fica a dica: Charlie Chaplin já sabia como fazê-lo há muito tempo.

Patrícia Moura

Patrícia Moura é Publicitária, Especialista em Mídias Digitais e professora em cursos de Pós-graduação e MBAs em Marketing digital.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>