Não se faz mais propaganda como antigamente

Não é preciso ser Publicitário para perceber quanto a propaganda vem mudando todos os dias com a evolução das plataformas sociais, dispositivos móveis e experiências tecnológicas criadas especialmente para algumas grandes marcas.

Em 2013, vimos homens sentido seus bebês chutando a barriga (Huggies Embarazados) e novas frutas como kiwigirina e abacaxuva (Fruit mashup) despertando atenção de consumidores graças ao casamento entre criatividade e tecnologia. Agências como Kimberly Clark e Ogilvy & Mather já entenderam que esta união pode gerar apelo, interesse e engajamento. E uma vez que o precedente foi aberto, só resta ao mercado aderir à tendência.

Chamar de tendência, talvez, seja até minimizar a realidade e seus impactos no mercado publicitário. Há pouco mais de duas semanas, o maior festival de criatividade publicitária do mundo – The Cannes Lions International Festival of Creativity – dividiu a categoria Cyber em três outras subcategorias: Social, Branded Technology e Games. Mais um ponto pra tecnologia! O mercado internacional já começa a entender esta mudança como “the next big thing” para os próximos anos.

E o caso de amor entre tecnologia e criatividade também vem se refletindo em táticas para tornar as mensagens mais atrativas e relevantes para o consumidor, na análise de dados, na mensuração da eficiência das campanhas e na experiência do consumidor entre múltiplas telas, é o que aponta o “Creative Platforms Evangelist” do Google, Pete Crofut em seu artigo intitulado “How technology makes creative more intelligent”.

Crofut afirma que “os anunciantes devem usar formatos e recursos criativos em maneiras inovadoras para trazer marcas para a vida de seus consumidores” se parecendo cada vez mais com conteúdo relevante e menos com páginas estáticas de revistas.

Os saudosistas dirão que a propaganda de raiz não precisa de tantos apetrechos e badulaques, mas a realidade é que os indivíduos estão imersos em um mundo cada vez mais “touch” e integrado (o que dizer daqueles que nasceram depois dos anos 2000 e já estão tomando decisões de compras?). É claro que as marcas querem fazer parte disso, de forma a se posicionarem e descolarem da concorrência.

A estratégia, a mensagem e a forma como as pessoas a recebem continua sendo a tríade determinante para uma campanha de sucesso, mas criativos e planners precisam sim estar antenados com a forma, técnicas e novas possibilidades de mídia que surgem a cada instante.

Pra concluir, vale ressaltar três pontos importantes:
– Em primeiro lugar, nós evoluímos, mas isso não quer dizer que as coisas estejam mais fáceis para criativos e planners. O mundo de possibilidades que os aparatos tecnológicos trazem pode fazer muitos se perderem no meio do caminho.

– Em segundo, a tecnologia não suplanta a mensagem. E quer um exemplo? Dove Retratos da Real Beleza se tornou uma das propagandas mais vistas da história apenas com o auxílio de um artista forense do FBI, desenhando retratos falados (o segredo está na mensagem).

– E, por último e não menos importante: não se faz mais propaganda como antigamente. Com ou sem tecnologia embutida na mensagem, ela estará presente nas mídias, nas múltiplas telas, nas formas de disseminar e mensurar o buzz e, principalmente, nas mãos dos consumidores.

Patrícia Moura

Patrícia Moura é Publicitária, Especialista em Mídias Digitais e professora em cursos de Pós-graduação e MBAs em Marketing digital.

Um comentário sobre “Não se faz mais propaganda como antigamente

  1. O segredo está em ouvir as pessoas, as críticas, e realmente considerá-las. Por exemplo, o CONAR mesmo tirou sarro do tanto de denúncia sobre sexismo que anda tendo (e acho que racismo também), o que demonstra a mebtalidade fechada para públicos específicos que nada mais são do que a massa crítica ativista, que está causando uma onda de engajamento muito notável pelas redes sociais. Tão notável a ponto de incomodar. Vale lembrar que no CONAR a representatividade profissional é branca e masculina, então os motivos do deboche em relação às denúncias aponta para algo material: por que mulheres e negros não fazem parte do time? Eu vi uma foto dos profissionais do CONAR. Só homem branco, provavelmente heterossexuais e cisgêneros.

    Enquanto isso, marcas como a Dove adotam uma postura inovadora, levando em conta essa nova realidade. Ou o mercado se adapta, ou vai ficar a cada dia mais obsoleto. O x da questão vai muito além da criatividade, vai da capacidade de ouvir, da empatia de quem analisa dados com foco nas pessoas, vínculos, conexões reais e verdadeiras, tudo isso sim somado à tecnologia e à criatividade. Mas foi-se o tempo em que publicitário que satisfaz o próprio ego com suas “sacadas geniais” furadas, estereotipadas e preconceituosas ficava imune às críticas.

    Quem não se abre às críticas fica pra trás. Uma hora as marcas vão entender isso e as agências serão pressionadas a contratar outros tipos de funcionários. Funcionários capazes de ouvir.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>