27/06/12

Memes, virais e “Shit people say”

Neste post eu ia falar apenas do vídeo “O jeitinho carioca – Shit cariocas say”, mas para falar dele, precisei recorrer à fonte, “Shit New Yorkers say”, mas para falar dele, precisei recorrer ao termo meme e precisei ir à Wikipédia. Viu como é difícil escrever um post por aqui? Rsrsrs.

Então, na ordem cronológica: o que é um meme?
Meme é um termo criado pelo autor Richard Dawkins, em 1976, no seu bestseller O Gene Egoísta. No livro, o termo se refere a “uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada”. Veja mais na wikipedia.

No nosso mundo, o meme significa:
“uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se”.

E no português claro, o que é um meme?
“O meme é uma unidade de informação que pode ser copiada e repassada para o outro, de forma a se disseminar com velocidade (sobretudo se estivermos falando da internet)”

O termo da Wikipédia cita “evolução cultural” porque os memes nasceram muito antes do que você conhece por web 2.0. É inerente ao comportamento humano copiar outros comportamentos com objetivos pré-definidos para se comunicar, se desenvolver, se entreter etc. Bordões, como conhecemos nas novelas da Globo, por exemplo, são memes que se propagavam da TV para o mundo real rapidamente.

Voltando ao objetivo do post: o último meme da moda é o vídeo “Shit cariocas say”, que é uma unidade de replicação do meme “Shit new yorkers say”, que gerou uma série de outros vídeos correspondentes a essa unidade original.

Alguns autores, como Henry Jenkins, não acreditam que memes sejam virais (que dá uma longa discussão em outro post), simplesmente porque pela etimologia “viral” é algo epidêmico, ou seja, o indivíduo não têm consciência do contágio e, se tiver, não terá participação na disseminação do contágio. Ao passo que nos memes da internet, os indivíduos consomem o conteúdo e atuam disseminando com objetivo de espalhar a mensagem.

Pode parecer muito blablabla discutir a diferença etimológica de memes e virais, certo? Errado. É por isso que eles ensinam e nós aprendemos: porque eles têm saco pra esse tipo de coisa. Mas vamos aos vídeos, que são engraçados e mostram como um conteúdo pode se tornar um meme de uma para outra:

O original

E daí surgiram esses e outros:
Um meme americano sobre o que as pessoas dizem em Los Angeles (em inglês)
Um meme americano sobre o que as mulheres dizem na TPM (em inglês)
Um meme sobre o que dizem os Hispters (lembrei de alguns twitteiros famosos). Destaque para a frase: “isso é tãããão mainstream”
Um meme sobre o que as pessoas dizem no facebook (também em inglês, mas muito bom!)

Até que chegou no Brasil:

Na versão gaúcha:

E na versão carioca:

Então, fiquem ligados, pois o meme brasileiro têm tudo para “viralizar” (com o perdão do Henry Jenkins para utilizar o termo erroneamente). Aguardemos novos “What shit … say” em língua portuguesa e a repercussão que isso tende a tomar na mídia pelo Brasil.

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28/05/12

Cronologia da internet em forma de infográfico

Quem é leitor do Social Media Storyteller sabe que posts recheados de imagens chamativas não é o nosso forte. Eu e Pedro Rogedo (raramente Aline Magno dando os ares de sua presença) prezamos pelo conteúdo, datas ou dados importantes e pelos insights que pesquisas e estudos teóricos nos trazem.

No entanto… Nosso público é repleto de estudantes de todas as áreas que almejam adentrar no vasto universo dos profissionais de mídias sociais. E volta e meia, recebemos pedidos de ajuda para bibliografia, monografia e qualquer pitaco que possa ajudá-los a concluir seus projetos.

Então, aqui vai uma dica em forma de infográfico: a imagem abaixo pode auxiliar qualquer estudante / pesquisador a traçar uma cronologia desde o surgimento da Arpanet até os dias de hoje, passando da antiga web 1.0 à web 2.0, como a conhecemos.

Nada de copiar a imagem pro seu trabalho acadêmico. Jogue cada um dos termos na wikipedia e terá um excelente referencial para começar a escrever. Mãos à obra e boa sorte!

Fonte da imagem: http://pinterest.com/pin/246783254551434291

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24/05/12

Métricas (ou: a dificuldade de cálculo do ROMI em mídias sociais)

Recentemente reli a tese de doutorado de uma amiga minha, agora professora do Coppead, Paula Chimenti. Ainda em 2010, ela já chamava a atenção para uma questão básica: a diferença entre atenção e audiência. Ao estudar diferentes tipos de mídia sob a perspectiva do consumidor, essa questão saltou aos olhos. E ainda salta.

Aproveito a deixa da Paula para entrar mais detidamente na diferença entre atenção e audiência, só que sob o prisma das mídias sociais.

É notória a dificuldade que se tem em medir adequadamente o retorno sobre investimento feito em mídias sociais. Ok. Você pode dizer que há o Klout e outras ferramentas que dão estatísticas boas sobre a influência, etc. Contudo, aqui a conversa é em outra direção: como convencer o seu cliente de que aqueles milhares de reais que serão gastos em uma campanha baseada em mídias sociais é um bom investimento?

Primeiro, vamos nos colocar no lugar do gerente de Marketing de uma empresa de médio ou grande porte. Esse profissional, normalmente com experiência em diversas áreas correlatas do mercado, está subordinado a outros dentro da estrutura da empresa. Normalmente, há uma submissão (ainda que não explícita) ao responsável pela área financeira. O gasto com Marketing tem que ser visto como investimento. Tem que ser calculado, de alguma forma, o ROMI – Return on Marketing Investment. Em outras palavras, os altos escalões da empresa estão mais interessados em saber qual o retorno do investimento feito (em números) que propriamente se a campanha gerou x visualizações ou y interações. Eles até vão achar isso legal, mas precisam de números.

Isso decorre de uma questão simples: os investimentos em outras áreas da empresa (com exceção de RH) normalmente são facilmente quantificáveis. Vejamos um investimento na área de produção. A compra de uma máquina que custa R$1 milhão pode ser justificada em termos de melhoria operacional, aumento da produtividade, redução de erros, etc. Números que saem de um lado e que entram de outro. No final, o investimento tem que gerar mais que o montante que foi investido. Uma linda questão de fluxo de caixa.

Na briga interna que existe nas empresas, os setores estão sempre lutando por um importante recurso finito: o dinheiro. Quando indagado sobre os resultados dos esforços de Marketing, normalmente esse diretor será confrontado com os resultados de outras áreas. Assim, o diretor de produção pode tranquilamente dizer, após uns meses, que o aumento na produtividade gerado pela compra da máquina foi de x%, o que representa um aumento na margem de y%, que gerará R$z de lucro a mais para a empresa. Espera-se, na cultura corporativa, que o diretor de Marketing esteja preparado para responder com a mesma língua.

Com as mídias tradicionais, esse problema era parcialmente resolvido. Explico-me.

Há décadas que as métricas utilizadas na televisão, rádio ou jornal já se encontram estabelecidas. É tudo feito com base em estimativas estatísticas. Assim, se eu faço uma inserção de 30 segundos no Jornal Nacional, sei que existem x pessoas (calculadas com base nas estatísticas de audiência) que estarão expostas ao meu anúncio e que, possivelmente, um percentual dessas pessoas serão atingidas pela minha mensagem publicitária. Claro que isso não é perfeito. Você pode estar com a televisão ligada e no banheiro ao mesmo tempo, não sendo impactado por aquela inserção publicitária. Contudo, é assim que o mercado funciona e é nisso que se acredita – amém IBOPE. Isso é audiência. Estatística pura.

Por outro lado, nas mídias sociais, você tem um referencial conceitual diferente. Há o engajamento, há a interação da marca com o consumidor, há a participação mais ativa do consumidor em todo esse processo (caso dê certo, claro). É toda uma experiência diferente de assistir televisão ou ouvir o rádio.

Todo mundo sabe que é diferente. Isso é evidente. Contudo, como explicar isso em números para o diretor de Marketing – ou, pior, para o Presidente da empresa? Como explicar que, ao invés de investir x em mídia tradicional e gerar um retorno y, eu investi x em mídias sociais e gerei um retorno…digamos, incalculável?

Você vai dizer: não é bem assim. Tenho as estatísticas para as mídias sociais. Claro que tem. Mas elas significam coisas diferentes. Em uma campanha de mídias sociais bem feita, a qualidade da publicidade é infinitamente diferente da mera exposição gerada pela audiência. Enquanto a audiência apenas expõe, a atenção gerada por uma boa campanha de mídias sociais engaja.

Mas, nesse conflito entre qualidade e quantidade, a última ainda ganha. Os gestores, tão acostumados a trabalhar com números e quantificações, ficam perdidos em como analisar os resultados de uma campanha (“isso é bom?” ou “mas só isso de RTs?”) e, pior, têm dificuldade em defender internamente esse investimento. Na visão de muitos gestores, troca-se o certo pelo duvidoso. Uma pena.

Se estamos pensando em atenção, em qualidade do engajamento do consumidor com a campanha e, claro, num resultado mais interessante, ainda precisamos aprimorar na questão de métricas. E, principalmente, na forma de explicar essas métricas para os escalões das empresas-clientes.

Calcular o ROMI das mídias sociais deveria ser um tema mais importante atualmente, merecendo mais atenção dos pesquisadores, justamente por ter o potencial de proporcionar um maior fluxo de investimentos na área. E, confesso a vocês, isso está na minha agenda de pesquisa nos últimos anos. Só preciso agora encontrar um tempo para meditar nas montanhas e conseguir ter alguma ideia sobre isso. Sugestões?

Abraços,

Pedro

 

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17/05/12

Entrevista para o portal Convergência Digital – BITS Global Conferences

Olá pessoal!
No evento Bits Global Conferences 2012, realizado esta semana na FIERGS, em Porto Alegre, eu tive a oportunidade de falar um pouco da construção da presença de marcas nas plataformas sociais e do papel dos analistas de mídias sociais na gestão de perfis corporativos.

Na entrevista de 7 minutos, você vai conferir as minhas opiniões sobre esses e outros assuntos que envolvem a formação de profissionais e a relação entre empresas e consumidores nas plataformas sociais.

Em breve, farei um update deste post com o conteúdo da minha palestra, à disposição no slideshare.

Espero que curtam o vídeo :)

03/05/12

Maio das Mídias Sociais – agenda de palestras e eventos

No mês de maio, as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre receberão alguns eventos imperdíveis sobre marketing digital, crowdsourcing e plataformas sociais.

São desde palestras solos à grandes seminários com palestrantes nacionais e internacionais. Na lista, você encontrará eventos de entrada franca e eventos que valem o parcelamento do ingresso no cartão de crédito.

Felizmente, terei a oportunidade de participar como ouvinte da maioria deles, com a única exceção do BITS Global Conferences, onde faço parte do quadro de palestrantes e falarei sobre as atribuições e responsabilidades dos profissionais de mídias sociais na gestão de presença digital.

Então, o recado está dado! Fiquem ligados nos eventos e no blog, pois haverá cobertura por aqui, com as principais palestras que consiguirei assistir, os pontos fortes de cada evento e insights trazidos pelos palestrantes.

05 de maio
Palestra com coordenador da agência Kindle – Pedro Felipe

Universidade Estácio de Sá, Campus Presidente Vargas – RJ
Tema:  Estratégia de divulgação do Filme Heleno nas Mídias Digitais.
Local: Av. Presidente Vargas, 642, Av. Presidente Vargas, 642 – Centro, Auditório 1, 9o andar.
Entrada Franca

08 de maio
Ciclo Contribuição Profissional – APP Brasil

Tema: Comunicação Multiplataforma, qual é o melhor caminho?
Palestrante: Rosana Ribeiro. Ex-diretora de Mídia na Fischer America, Young & Rubicam, Vice-Presidente de Mídia na J.W.Thompson.
Ingressos: a partir de R$120,00

09 de maio
Social Business Summit 2012

Temas: Palestrantes do Brasil e do mundo discutirão temas de interesse ao mercado digital brasileiro. Destaques: IBM, agência Frog, Remix Social Ideas, The Coca Cola Company.
Hotel Fasano – Avenida Vieira Souto 80
Entrada com convite

09 e 10 de maio
ProXXIma 2012 – Seminário Internacional de Comunicação e Marketing Digital

Temas: Crowdsourcing, social media, mobilidade e investimento em mídia, com grandes players do mercado.
Local: Sheraton WTC, em São Paulo
Ingressos: R$2.830,00

11 e 12 de maio
Social Media Brasil

Temas: Na 4° edição do evento, o público poderá escolher entre assistir palestras, debates e criar discussões em sua área de desconferência
Local: Centro de Convenções Frei Caneca – Consolação, São Paulo
Ingressos: a partir de R$290,00

15 a 17 de maio
Bits Global Conferences

Temas: As palestras são divididas em 3 temas (ou trilhas) “As TICs Revolucionando seu Estilo de Vida e Relacionamentos”; “As TICs alavancado negócios”; “Novas Tecnologias e tendências”.
Local: Centro de Eventos FIERGS. Porto Alegre-RS
Ingressos: a partir de R$330,00 por dia de evento

16 de maio
State of Online Advertising Brazil Webinar – ComScore

Horário: a partir das 15h
Palestrante: Alex Banks, Vice Presidente da ComScore na América Latina
Cadastro apenas para empresas

16/04/12

Quanto valem nossos dados?

Li hoje uma interessante notícia na página da BBC, com o título “Nuestros datos personales son el nuevo petroleo” (‘nossos dados pessoais são o novo petróleo’). Embora aparentemente seja um tema já bastante batido, gostei do foco que o jornalista deu para a matéria. Ao invés de ficar remoendo nas noções clássicas de privacidade, ele entrou pelo lado do valor dos dados e da frequente ignorância dos usuários acerca de qual o real valor das informações disponibilizadas na rede.

Se não me falha a memória, foi o Luli Radfahrer que certa vez falou sobre o modelo de negócios do Google da seguinte (e brilhante) maneira (algo assim): “Eles te oferecem algo que tem um valor grande a custo percebido zero, pedem em troca coisas que individualmente não tem tanto valor e geram muito dinheiro agregando tudo isso e vendendo”. Perdoe-me o Luli se minha memória não foi capaz de guardar exatamente a expressão, mas tenho quase certeza que foi por aí.

De qualquer forma, vejamos o exemplo do GMail. Ainda nos lembramos bem dos tempos pré-Gmail, em que contas de correio eletrônico eram muitas vezes cobradas e tinham uma capacidade de armazenamento limitada. Quando o GMail começou foi um choque – de uma hora para outra não se falava em outra coisa, pois os iniciais 1GB (se não me engano) eram muito mais que os concorrentes ofereciam – e de graça.

Bem, aí que está a coisa: não necessariamente “de graça” significa sem troca de valor.

Devemos ver o GMail por dois ângulos: o da qualidade da informação e o do aprisionamento do usuário.

Em relação à qualidade da informação, lembremo-nos que os muitos que usam o GMail como seu principal correio eletrônico deixam o Google visualizar coisas muito importantes de sua vida. Quem nunca viu aqueles anúncios que miraculosamente parecem se adequar (ainda que de forma mais ou menos coerente) ao conteúdo de um e-mail enviado? A quantidade de informações trocadas através do GMail, bem como a qualidade das mesmas, torna esse serviço tão interessante para o Google. Em troca de um serviço gratuito, você “deixa” o Google analisar o que você troca de informação com outros.

Em relação ao aprisionamento do usuário, a lógica é mais simples. Trocar e-mail com frequência traz grandes inconvenientes – assim como trocar de imóvel e de celular. Você tem que enviar seu novo endereço para contatos profissionais, migrar tudo, etc. Além disso, a memória dos e-mails antigos costuma, muitas vezes, se perder nessa transição. Comparando, basta imaginar o impacto que a portabilidade teve para as operadoras de telefonia: o que era um processo relativamente complicado de trocar o número passou a ser algo bem mais simples.

Assim, por trás de um inofensivo serviço temos, na realidade, milhões de pessoas alimentando, minuto a minuto, uma gigantesca base de dados inteligente, que traça perfis de consumo, gostos, etc. Ok, isso pode ser automatizado, como disse o Alexandre Hohagen na época que era presidente do Google Brasil e o perguntei inapropriadamente acerca disso em uma palestra no Coppead. Mas, automatizado ou não, os dados continuam sendo utilizados.

A recente migração para a nuvem interessa muito às empresas – quanto mais dados deixarem de ser enclausurados em redes internas mehor, mais informação elas terão sobre os clientes.

Dados valem muito dinheiro. Tivemos recentemente o bafafá em relação ao IPO do Facebook, com pessoas assustadas com o valor estimado da empresa. Porém, se pensarmos sob esse ponto, veja que mina de ouro: colocamos nossas informações pessoais de maneira voluntária para a empresa analisar tudo isso. Colocamos nossas informações sobre contatos, amizades, preferências políticas, fotos de lugares que visitamos, etc… Tudo isso vale muito dinheiro. É o paraíso dos publicitários e estatísticos modernos.

Basta lembrar que a maioria das técnicas quantitativas de pesquisa de mercado foram desenvolvidas em uma época na qual se perguntar para cada cliente sua preferência seria muito complexo e caro. Hoje em dia, com a quantidade (e qualidade) de informações disponíveis, basta uma rede relativamente grande, um potente sistema de análise e bons profissionais para se traçar um perfil do usuário que, às vezes, nem sua mãe sabe.

Evitei entrar em controvérsias sobre privacidade – deixo isso para outro dia. Mas resolvi aproveitar o gancho para comentar um pouco sobre a notícia.

Abraços,
Pedro

 

 

 

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28/03/12

A evolução da plataforma web – 5 anos mudaram tudo

Há cinco anos, MissMoura era só mais uma analista de mídias sociais procurando lugar no mercado publicitário. Felipe Neto era apenas um blogueiro e o nome PC Siqueira não faria o menor sentido se pronunciado a você.

Há cinco anos, a Campus Party ainda não havia chegado ao Brasil. Você não tinha a menor ideia de que seu sonho de consumo seria um celular gigante, que não caberia no seu bolso (vulgo tablet). E o Twitter parecia só mais uma rede social esquisita que não passaria de uma simples modinha.

Há cinco anos, o Orkut era a principal plataforma social no Brasil, sem a qual boa parte dos brasileiros passariam um dia sem acesso.

Há cinco anos, os veículos de massa rejeitavam qualquer parceria com o universo do blogs. E ser blogueiro profissional parecia mais um sonho distante do que uma realidade plausível.

Realmente cinco anos mudaram muitas coisas. Alguns se opõem a afirmar uma revolução tecnológica e de conhecimento tão grande quanto a revolução industrial, mas fato é que as novas tecnologias mudaram as dinâmicas de relacionamento, de produção de conteúdo e afetaram a economia, gerando negócios e empregos.

Com produção da HotWords e depoimentos de executivos do IAB, Ibope, ComScore, agência Click Isobar, Terra, Buscapé, entre outras empresas, o vídeo abaixo faz reflexões das mudanças que ocorreram nos últimos cinco anos e no comportamento do consumidor pós evolução da plataforma web.

É hora de refletir sobre o passado e imaginar os próximos cinco anos.

24/03/12

Consumo colaborativo – Por que não deslancha no Brasil?

Resumo: Faço nesse post um questionamento acerca dos porquês de o movimento de consumo colaborativo no Brasil não seguir em ritmo mais acelerado. Ao final, peço a participação do leitor para me ajudar a elucidar essa questão.

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Este mês aproveitei algumas horas livres para reler o livro “What’s mine is yours”, de Bo Rogers e Rachel Botsman. Já há uma versão traduzida para o Português, lançada aqui em 2011.

É um livro muito interessante, que contém exemplos de iniciativas comerciais de sucesso na área de colaboração. Claro que já somos expostos há tempos a essas iniciativas, sendo o exemplo mais evidente a nossa tão querida Wikipedia (para nossa alegria!). O que o livro fala, entretanto, é sobre outras iniciativas interessantes que, muitas vezes, são desconhecidas do público brasileiro.

Aproveitei a minha temporada de pesquisa na Europa para ver algumas iniciativas físicas de colaboração, principalmente em várias conversas com alguns amigos meus. Ainda teve a oportunidade fantástica de usar o serviço de bicicletas compartilhadas de Paris (Velib), por sorte não provocando um acidente. Vi também o serviço de bicicletas de Sevilha (Sevici), que funciona de modo parecido.

O grupo que conheci através do Antonin Léonard (que, atualmente, é o cara de Consumo Colaborativo na França) incluía um jovem empreendedor, cujo nome é Alexandre Grandremy. Alexandre é um dos fundadores da Deways, uma start-up destinada a promover o compartilhamento de automóveis entre particulares.

 

Criada por estudantes da ESSEC, prestigiada escola de negócios francesa, a Deways parte de uma ideia bastante simples: aproveitar ao máximo o tempo ocioso dos carros, fomentando o aluguel de carros entre particulares.

Basta passar em frente ao estacionamento de uma universidade para constatar que os carros ficam ali durante algumas horas, parados. Porém, e se pudéssemos aproveitar esse tempo ocioso do carro parado alugando-o a alguém? As locadoras de carro fazem isso há décadas e funciona bem. A mesma tática funcionaria entre particulares?

Embora possa ser contra-intuitivo para alguns, a iniciativa da Deways tem funcionado bem, sim. Carros são alugados entre particulares, gerando um pequeno incremento de renda para o dono e, ao mesmo tempo, resolvendo o problema de outra pessoa.

Do ponto de vista econômico, a função da Deways é servir como um intermediário entre o proprietário e o interessado, fornecendo não só as bases contratuais para o empréstimo como também outra coisa mais importante, que é o senso de comunidade.

Nesse sentido, temos o exemplo do CouchSurfing, que serve como uma rede global de turismo ‘informal’. Se você tem um espaço livre na sua casa e gostaria de recepcionar um turista como você, simplesmente faça o cadastro no site informando que você tem essa oferta disponível. Por outro lado, se você tem interesse em viajar e ficar na casa de um dos membros da comunidade, basta entrar no serviço e ver as pessoas que disponibilizam espaço e fazer o contato com elas. Recebi, há um mês, dois lituanos extremamente simpáticos aqui em casa – e já tenho planos de incluir uma outrora impensável Lituânia na minha próxima viagem!

Mas, embora tenhamos no Brasil algumas iniciativas nesse sentido, vejo que temos muito mais potencial que o atualmente explorado. E, penso, por que isso ocorre?

Acredito que um dos entraves é cultural. Como participantes tardios da ‘festa’ do consumo, em especial a partir da década de 1990, nós, brasileiros, perdemos um pouco aquela característica amigável de compartilhamento que tínhamos há algumas décadas, em uma época na qual era muito mais complexo comprar as coisas. Lembre do sufoco que era ter uma linha de telefone, e que não era incomum permitir o uso ocasional do mesmo a um vizinho em necessidade. Ou, então, das tradicionais caronas. Claro que ainda existem caronas e caroneiros, mas muita coisa mudou nos últimos anos.

Ficamos cada vez mais reclusos em nossos condomínios, tendo um precário conhecimento dos nossos vizinhos. My home is my castle – estamos levando essa máxima inglesa ao pé da letra. Fechando-nos, contudo, o compartilhamento fica mais complexo, pois fica bem mais complicado saber das necessidades e ofertas dos outros.

Em um exemplo bastante elucidativo dado pela Rachel Botsman: quantas vezes por ano você precisa de uma furadeira? No entando, basta ver que muitas residências possuem uma, que fica parada 99,8% do tempo pegando poeira em um armário. Não seria mais fácil que o prédio tivesse uma e, sempre que alguém precisasse, a tomasse emprestada?

Do ponto de vista econômico, faz todo sentido. Ter um produto que supostamente vale pela sua utilidade parado no armário é uma perda de dinheiro. E, entretanto, por que não compartilhamos mais?

Ao contrário dos outros posts meus, dessa vez não tenho muita ideia da resposta, e gostaria de pedir a vocês, no melhor espírito colaborativo, que me ajudassem a elucidar essa questão.

Abraços,

Pedro

 

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24/02/12

O jornal está morto! Longa vida ao jornal!

Resumo: Pensar na Comunicação apenas como o meio utilizado pode ser catastrófico para a o planejamento. Outra vez sugiro ao leitor que recorra à História para ver que, mesmo em momentos de grandes transformações tecnológicas, antigas e novas tecnologias conviveram por um bom tempo. Além disso, as formas de utilização de antigas tecnologias influenciaram fortemente os modos de utilização das novas.

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Eis um livro que julgo muito importante, fortunadamente sugerido pela colega professora Heloíza Matos (Faculdade Cásper Líbero): Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet, dos professores Asa Briggs e Peter Burke. Nele, sem a utilização de jargões excessivos e numa linguagem para dar inveja a jornalista veterano, os autores passam pelas principais alterações das mídias desde a prensa de Gutenberg até “o advento da Internet” (odeio essa expressão, mas…). Analisando principalmente as tecnologias em seu contexto político, econômico e social, o livro vai desvendando um mundo muitas vezes esquecido; as tecnologias, enfim, tem história. E essa história é fundamental para que compreendamos os processos de mudança que acontecem atualmente.

Vejamos um exemplo clássico – a prensa de tipos móveis de Gutenberg. Provavelmente você consegue imaginar o quão disruptiva foi essa tecnologia. Isso é tema de qualquer aula introdutória de Comunicação, assim como exemplo clássico e mal-utilizado de palestras de canastrões por aí. É muito simples e cômodo pensar que uma força divina colocou a prensa no mundo e tudo mais se fez a partir dali. Livros foram impressos e todos viveram felizes para sempre.

Como o mundo real não é um conto de fadas, a verdadeira história é outra.

Basta lembrar algumas coisas: estávamos saindo da Idade Média, onde pouquíssimas pessoas (normalmente o clero) eram alfabetizadas e menos ainda tinham acesso a livros. Livros eram raros e, como você já sabe, eram copiados a mão. Isso fez com que a Igreja tivesse, na Europa, o monopólio do conhecimento durante muitos séculos. Ademais: para que aprender a ler se você não tem o que ler?

Contudo, a prensa foi uma invenção bombástica. Deu escala àquilo que era restrito. Aumentou a possibilidade de se publicar e difundir conteúdo, principalmente ideias políticas, dentre várias outras coisas. Em suma: erodiu o poder da Igreja Católica no quesito monopólio do conhecimento da Europa (não nos esqueçamos que, durante a Idade Média, o mundo árabe estava muito mais avançado intelectualmente).

A prensa também foi vista, por esses mesmos motivos, como um perigo. Governos se apressaram em controlar o que era impresso, embora isso não impedisse a circulação de textos e figuras mais ousadas (o “guia” de posições sexuais, com ilustrações, de Giulio Romano no início do século XVI, deve ter causado um efeito e tanto).

Pulando para a parte que nos interessa, temos o seguinte: o formato do livro impresso não foi radicalmente mudado dos livros manuscritos. A lógica que permeava a organização dos novos livros foi praticamente copiada dos antigos, sendo adaptada aos poucos. Coisa de uns 100 anos. E, além disso, os livros manuscritos não desapareceram imediatamente, assim como os impressos não foram adotados assim que surgiram por todos. Um processo histórico, social, político e econômico.

Por que essa introdução toda sobre a prensa? Porque, hoje em dia, os arautos do apocalipse continuam ganhando dinheiro com previsões assustadoras sobre a morte de uma ou outra tecnologia. Em quanto tempo o jornal irá morrer? Será que o livro resistirá mais dez anos?

A questão é: analisar uma tecnologia somente pelo seu lado técnico é temerário. É ignorar que uma tecnologia tem seus significados apropriados e mudados pelas pessoas. Várias inovações surgiram dessa forma – pensadas para algo, fizeram sucesso em outro campo. É muito difícil, quando do lançamento de um novo produto, ter uma ideia clara dos usos que ele terá.

Assim, algo similar está ocorrendo com o jornal hoje em dia. Há uma fixação quase sexual em relação ao papel (tanto impresso quanto o objetivo mesmo) do jornal e das outras mídias antigas. Os analistas de negócios insistem nas previsões apocalípticas.

Claro que até (e principalmente) uma criança de 5 anos sabe que o jornal impresso, como o conhecemos hoje, não irá durar muito tempo. Não precisa de bola de cristal nem de consultoria da McKinsey para saber isso, basta observar atentamente o que está ao nosso redor. Mesmo com os dados do IVC e da ANJ indicando um tímido aumento na circulação dos jornais, esses números não refletem a realidade. Os leitores do jornal impresso estão ficando mais velhos, ao mesmo tempo que novos leitores não passam pela plataforma impressa.

Contudo, se pensarmos o jornal como um meio de notícias, a estória é outra. O conteúdo produzido para o impresso pode (como atualmente o é) ser adpatado para outras mídias. Saber que “o deputado xyz escondeu R$1 milhão na mala” é interessante tanto no impresso como na Internet. Claro que há uma questão aí de adequação às restrições e potencialidades do meio escolhido, mas a lógica subjacente é similar.

Pensemos: o jornal que irá morrer é o impresso – mas a notícia, em si, não irá morrer. Provavelmente haverá transformações significativas, como a mudança do poder político, redução do monopólio das grandes corporações, etc. Mas a “notícia” em si não morrerá; apenas sofrerá, ao longo dos anos, uma transformação.

Não haverá mudança radical na forma como se lê um jornal porque a Apple lançou o iNews (ou coisa que o valha). Claro que haverá uma certa influência dessas alterações de comportamento e hábito do consumidor, mas isso também levará um tempo até que seja definitiva.

Veja o rádio: ele não está morto. Muito provavelmente os modelos futuros de “rádio” envolverão a difusão via streaming com algum grau (maior ou menor) de seleção pelo usuário do que prefere ouvir – além de influências sociais. Mas o ato de ouvir música em sequência, como habituamos com o rádio, permanecerá pelo menos por um tempo. Acostumamo-nos assim e ainda demorará um tempo para isso mudar.

Assim, prefiro investir minhas fichas hoje em entender os processos históricos de mudança tecnológica, até para poder estar mais preparado. Observar tendências não é apenas um exercício de curiosidade ou meramente uma etapa do briefing. É, mais que isso, perceber onde se encontram as forças de mudança que poderão alterar significativamente o rumo social das tecnologias. Cabe a nós, nesse meio tempo, realizar a preparação adequada para essas mudanças tecnológicas, sem a afobação de quem parece estar destinado à forca.

O jornal está morto. Longa vida ao jornal!

Abraços,

Pedro

categoria: História,Opinião


01/02/12

Panorama das redes sociais no Brasil – Parte II

Parece muito cedo para se falar em rankings e panoramas das redes sociais em 2012, afinal, o ano nem bem começou. No entanto, dados de dezembro e janeiro dos institutos ComScore e SemioCast mostram que muitas coisas já mudaram desde o meu último post sobre as redes sociais mais acessadas pelos internautas no Brasil.

Quais são as novidades desde os últimos relatórios veiculados?
• Facebook ultrapassou Orkut em número de usuários, alcançando 36 milhões de usuários únicos em dezembro de 2011.
• Orkut alcançou um crescimento de 5% no ano passado, no entanto, manteve-se com 34 milhões de usuários únicos.
• E Twitter traz a grande novidade em janeiro de 2012, ultrapassando o Japão e se posicionando o Brasil como segundo país a mais utilizar a rede, perdendo apenas para os Estados Unidos. Fechou o mês de janeiro de 2012 com 33 milhões de contas no Brasil.

Detalhes importantes a serem questionados:
Como já dito anteriormente no blog, é preciso analisar dados da pesquisa e amostragem cuidadosamente antes de tirar conclusões precipitadas, como por exemplo:
1) A amostragem do ComScore não considera aferição em lan houses e sabemos que essas são responsáveis por boa parte do tráfego do Orkut o Brasil.
As lan houses são responsáveis por quase 50% dos acessos à internet no Brasil. No Nordeste, este dado chega a 70% dos acessos. Confira esse e outros dados no vídeo realizado pela FGV, Sebrae e Portal do Empreendedor:

2) O Facebook ultrapassa o Orkut somente na região Sudeste do país (que concentra maior quantitativo de acessos). No resto do país, o Orkut ainda é hegemônico.
3) Em dezembro de 2011, 76% dos usuários do Facebook também acessaram o Orkut, segundo a ComScore. O que significa que as plataformas estão sobrevivendo paralelamente.
4) O Twitter apontou uma tendência de crescimento importante, que pode ultrapassar o número de contas cadastradas do Orkut em pouco tempo.

Conclusões:
• Quando dizemos que o facebook é maior do que o Orkut, ainda entendemos que é uma ultrapassagem regional e não nacional, por mais que a região sudeste concentre usuários.
Sem a aferição de lan houses jamais teremos certeza dos dados de acesso às plataformas sociais no Brasil, haja visto o quantitativo de usuários de lan houses no país.
• O Brasileiro vem se habituando a trocar informação em múltiplas plataformas, separando amigos por grupos ou interesses.

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