Para ler antes de decretar o fim da carreira em Mídias Sociais

O artigo do caderno Boa Chance de ontem sobre “20 coisas que todo jovem de 20 e poucos anos deveria saber” deu o que falar no mundinho da Social Media. Tópicos em vários fóruns da área foram abertos para discutir o polêmico item 4 que afirma:

“Social Media não é uma carreira, mas sim uma função do marketing. Esses cargos não vão existir daqui a cinco anos. É um meio para obter mais consciência, mais usuários ou mais receita. Não é um fim em si mesmo”.

Criei este artigo para debater o quão assertiva ou equivocada foi esta menção do Boa Chance sobre a previsão de fim da carreira em Mídias Sociais.

Retrospectiva e terminologias
Antes de qualquer coisa, entendem-se por Mídias Sociais as ferramentas ou plataformas on-line projetadas para permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de conteúdo nos mais diversos formatos.

Em consequência da ampla adesão dos brasileiros a essas plataformas, agências e empresas entenderam que era possível criar ações de marketing neste ambiente, com objetivo de estreitar o relacionamento com o consumidor e anunciar seus produtos e serviços. Isso foi o que chamamos de Marketing Digital.

Se procurarmos no dicionário a definição de “Analista” iremos encontrar como definição “Pessoa que se ocupa de análises”. Podemos dizer que um dos principais papéis do Analista de Mídias Sociais seja a análise das plataformas sociais onde marcas pretendem se relacionar com consumidores e prospects. A partir dessa análise, surgem os planejamentos estratégicos, as ações táticas e os planejamentos de conteúdo e monitoramento que irão acompanhar esta marca no ambiente digital.Em 2009 eu escrevi um texto um falando um pouco mais sobre as funções dos Analistas de Mídias Sociais.

Então, creio eu que já começamos com um samba do criolo doido: Social Media ou Mídias Sociais não são uma função do Marketing (pesquise Kotler e conheça as funções). Elas podem ser utilizadas como meios para ações de Marketing, Relações Públicas ou Publicidade e Propaganda.

Um exemplo pessoal, a definição de carreira e modelos de negócio.
Em 2008 eu já era uma Analista de Mídia Social com carteira assinada. Graduada em Publicidade (uma das funções do Marketing descritas por Kotler) e prestes a terminar a Pós-graduação em Mídias Digitais eu entendi que, sim, eu tinha uma carreira.

De 2008 a 2011, as mídias cobriram amplamente a carreira em Mídias Sociais. Era novidade e atraía olhares do público que nunca tinha ouvido falar disso. Isso me rendeu aparições no Fantástico, Jornal O Globo (Cadernos Boa Chance ~ o mesmo que matou a carreira agora ~ e Currículo) e Revista Você S.A (fora em outras pautas onde a carreira não era a temática principal).

A origem do termo carreira vem do inglês e era usada há séculos atrás para definir o caminho por onde carruagens passavam. A partir do século XIX passou a ser utilizada como o caminho que trilhamos no âmbito profissional. Se a carreira de Analista de Mídias Sociais existe? Eu não tenho a menor dúvida. Sou fruto disso. Agora, se o termo “Analista de Mídias Sociais” vai continuar existindo daqui a 5 anos? Acredito que dependerá dos modelos de negócio adotados pelas agências que prestarão esse serviço.

Falando sobre modelos de negócio, em 2012 o faturamento das agências digitais mais de R$2 bilhões de reais sem contar investimentos de mídia (50% a mais que o ano anterior). Se as agências digitais estão indo tão bem assim, será mesmo que a carreira em Mídias Sociais não vale a pena? Acho melhor o editor do O Globo repensar. Temos aí um mercado que cresce ano a ano.

Mais usuários e mais receita: decretar o fim de alguma coisa gera buzz
O modelo de negócios de conteúdo na internet atualmente é baseado em tráfego, ou seja, volume de pessoas que acessam o site. Sendo assim, é muito comum que títulos ou miolos polêmicos das notícias gerem buzz e atraiam usuários para o site do veículo (falando bem ou falando mal). No fim das contas, a remuneração dos veículos é proveniente de anunciantes e vender espaço para anunciantes só é possível através de volume. Logo… conclua por si mesmo.

Utilizando essa tática, já mataram o e-mail, a internet e os Analistas de Mídias Sociais. Esta semana, a mídia brasileira teve o prazer de matar a TV analógica. Porque afinal de contas, a morte gera mais buzz e tráfego do que qualquer outra notícia bonitinha.

Patrícia Moura

Patrícia Moura é Publicitária, Especialista em Mídias Digitais e professora em cursos de Pós-graduação e MBAs em Marketing digital.

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