01/08/11

Pôneis Malditos e a viralização

“Pônei maldito, pônei maldito, lá lá lá lá lá lá lá….” Ok. Você já deve ter visto essa simpática peça publicitária que, enquanto escrevo esse post, já atingiu 1.850.000 vizualizações no perfil oficial do YouTube da Nissan. Claro que isso não conta inteiramente os impactos provenientes do Twitter, de réplicas do vídeo no YouTube e, evidentemente, a exposição gerada internamente nas páginas de Facebook.

Em primeiro lugar, parabéns aos criativos da Lew’Lara/TBWA pela peça – pelo que pesquisei, Max Geraldo e Cesar Herszkowicz. Acredito que a agência acertou em cheio ao criar os pôneis malditos por alguns fatores.

A peça apresentou praticamente todos os requisitos necessários para se possibilitar a viralização (até porque, senhores…não se cria viral). É um vídeo simples, engraçado, bem produzido. No início fiquei meio em dúvida se as pessoas iriam associar diretamente os cavalos (HP, horse power) com os pôneis, mas isso parece não ter sido um problema.

Logo após, trataram de criar uma situação surreal (no melhor sentido do termo), em que um motorista ‘gente como a gente’ (ou seja, nenhum modelo magérrimo) atola no meio do nada e exclama de um modo igualmente bizarro “pôneis malditos!”. Imediatamente após, o motor é aberto e mostra, no lugar do motor, uma espécie de mistura entre Alice no País das Maravilhas e Fantástica Fábrica de Chocolates, com os pôneis cantando e reforçando a ideia de necessidade de cavalos de potência.

Todo o design infantil dos pôneis contribui para reforçar, por contraste e de um modo inteligente, a imagem da potência do Nissan, algo central na peça.

Acho que isso viralizou não pela ‘ameaça’ dos pôneis na segunda parte (embora sempre tenha alguém que acredita nessas correntes). Para mim, foi muito mais pela simplicidade e elaboração engraçada do material que a coisa foi para frente. No fundo, não se está buscando a peça porque é um comercial de carro, mas porque é um vídeo engraçado e, convenhamos, muito bem bolado (como diria o Silvio Santos).

Para quem ainda não viu…

Bem, gostaria de saber a opinião de vocês sobre essa campanha da Nissan. Estou sendo muito otimista ou será que temos um exemplo legal aqui para as aulas de Mídias Sociais?

Abraços,

Pedro

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6 Comentários

  1. Iris Porto disse:

    Gostei do artigo. Só discordo do crédito pela “viralização” não concedido à “ameaça”. A prova é o número de acessos à versão youtube do vídeo. A ameaça, muito bem bolada, com aquele finalzinho rebolado é a imagem que fica. O comercial na TV até perde um pouco a graça quando comparado ao vídeo da internet. Aliás, essa parece ser uma nova linha dos comerciais: versão TV e versão internet.

    • Pedro Ivo Rogedo disse:

      Oi Iris. Que a segunda parte é bem bolada, isso não tem dúvidas. O que havia escrito é que a ameaça em si, literalmente, não deve ter sido a responsável. No caso, acho que concordamos, pois é a segunda parte que torna a coisa mais engraçada (e pegajosa) ainda! Beijos,

  2. Alex Camillo disse:

    Pedro,

    A música está tão grudada na cabeça que ao dirigir, todas as vezes que deparo com um carro mais lento a minha frente, começo a cantar a música. Também achei o vídeo muito bem bolado também. Gostei também de ter lido que viral não se cria, muitos em começo de carreira, assim como eu, pensaram um dia que virais eram criados, quando na verdade, se o vídeo for bom, com bom conteúdo, como foi o caso dos pôneis, ele se viraliza.

    Parabéns!

    • Pedro Ivo Rogedo disse:

      Obrigado, Alex! Bem, o que acontece é que o ‘viral’ é o resultado de muitas variáveis, a maioria delas incontroláveis a princípio pelo publicitário. Normalmente você pode até tentar ‘fazer’ um viral, mas isso costuma não dar certo. O mais plausível hoje, nesse sentido, é que você pode, de alguma forma, manipular a forma e o conteúdo de forma a aumentar as chances de produzir um viral…mas depois que você solta o bicho… são outros 500. Essa campanha da Nissan poderia muito bem ter dado errado, caso as pessoas achassem algo idiota e sem graça – e é o risco que está envolvido em qualquer coisa do gênero. Por isso acho que os crativos envolvidos foram muito habilidosos ao pensar em uma situação que ao mesmo tempo fosse engraçada e reforçasse a ideia que queriam passar e, claro, tivesse um formato propício para se espalhar pelas redes sociais. Mas é muito mais inspiração/intuição/talento/estudo/sorte do que matemática…e aí que está a beleza da coisa!

  3. Alex Camillo disse:

    Obrigado Pedro! Eu achei a aceitação/entendimento da relação de horse power com os pôneis, impressionante. Não entendo muito de carros, mas pelo me consta, aqui no Brasil não usamos essa medida!

  4. Rodrigo Moreira disse:

    Pedrao, a propaganda é muito boa. Sutil e engraçada, como deve ser. Ótimo exemplo para aula! abs

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