07/06/11

MissMoura convida: Renata Lino sobre Blogueiros vs Agências

Conheci a Renata Lino em 2008, trabalhando como Analista de Mídias Sociais na Agência Frog. Ontem, vi este post publicado como nota no Facebook da Renata e não hesitei e convidá-la para estrear a coluna de convidados aqui. Boa leitura e bom debate!

Quantas vezes, nesses meus 4 anos de estrada trabalhando com redes sociais vi esse debate de blogueiros vs agências e vice versa. Para quem não sabe, sou blogueira e sou analista de mídias sociais, o que muitas vezes me dá uma visão mais ampla dos dois mundos. Não que seja pró-blogger ou algo assim, nunca tive a capacidade de ganhar dinheiro com meus posts apesar de amar escrever, mas o blog é a minha ferramenta de desabafo desde os áureos tempos que um “fotoblog” era novidade para alguns. Vamos as minhas opiniões sobre certas “discordâncias” dos dois mundos?

1. Contratou? Pague! Blog dá trabalho.
Visão como blogueira: O blog é um trabalho, onde demanda tempo gasto, dedicação em tempo integral, preocupação com media kit, dados do analytics, melhorar os rankings, leitores de feed, quase um se vira nos trinta para ter o ganha pão… Por isso, se contratou pague o meu serviço e valorize mesmo que não tenha gerado os “frutos” esperados, afinal, me dediquei para apresentar o melhor texto possível.

Visão como agência: Os clientes não querem saber os problemas que o blogueiro ou a agência teve, cobram-se números, então, ao contrário da visão blogueira, o texto muitas vezes é o de menos, o que vale é o quanto de produtos, interações e gráficos podemos impactar com isso. Por isso, muitas vezes, ficamos entre a cruz e a caveirinha vendo a dedicação do blogueiro e a cobrança do cliente e se eles não nos pagam por isso, muitas vezes não temos capital para repassar o pagamento. É a famosa discussão do ROI.

O que eu penso?
Como blogueira busco sempre pagar aqueles que participaram, para que o valor contratado seja cumprido, seja com brinde, seja com prêmios, seja com valores. Palavra dada tem que ser palavra cumprida. Não à toa já recebi elogios de alguns blogueiros por e-mail.
Mas por outro lado, sei que o blogueiro tem amigos e que pode fazer aquele post “bombar” pedindo ajuda a amigos para ficar bem na fita com relação a números. Vide um exemplo de um publi recente que paguei e esgotaram os produtos no estoque e outro que não teve repercussão e que o blogueiro nem divulgou em suas redes pessoais.
O mesmo vale para aqueles mimos que a gente manda e que precisamos de repercussão mas eles falam só pagando, mas o que não percebem é que muitas vezes isso é uma análise daqueles que valem a pena considerar no futuro, ou não. Conversando com o Rafael Justplay do Diário de um casal percebo que falta muito diálogo principalmente relacionado a isso, mas o blogueiro tem que estar disposto a negociar e a agência a ouvir seus questionamentos.
Diante disso, o meu meio termo é primar pelos blogueiros que se dedicam a campanha, ou até valorizam mimos que fogem dos pagamentos para mostrarem o poder que tem, mas ao mesmo tempo corro atrás que o pagamento saia e saia na data combinada.


2. Blog é lugar de opinião, não é jornal o posicionamento tem que ser diferente.

Visão do blogueiro: As agência querem que babem a marca, que faça publieditorial falando maravilhas de coisas que nem sempre concordam. O blog é um trabalho, mas diferente de jornal, tem opinião, e o blogueiro tem que ter direito a liberdade de expressão e a adequar o texto aos seus leitores. Sabemos mais que a agência e o cliente, o perfil dos leitores e quando estranhariam um texto.

Visão de agência: O cliente não quer saber opinião, quer reverberação e mexer no texto só por não concordar é no mínimo anormal para grandes empresas já que pagou-se pela divulgação. Quer ser parcial e dizer sua opinião não venda publieditorial! Mexer no texto sem autorização prévia do cliente gera uma discussão do cliente com o atendimento e finalmente com os analistas. Gera desconforto generalizado na agência e reuniões de alinhamento.

O que eu penso?
Nessa situação eu concordo mais com a visão blogueira. Eu disse mais… Não, completamente.
Estamos pagando para eles escreverem o que realmente pensam, de positivo e de negativo e nós, como agência, temos que conhecer o perfil de cada blogueiro para saber o que vale ou não, e se ele toparia ou não. A agência precisa entender target do blog e o perfil do blogueiro, esse é o nosso trabalho. Ou até, ter alguém que possa perguntar a eles se topariam ou não.
O único ponto que discordo da visão blogueira nesse caso é a exposição que eles fazem falando mal de uma marca que pode ser cliente da mesma agência que o contratou para outra marca, prejudicando o trabalho da agência.
Para ser mais clara, usarei eu mesma como referência. Não é de hoje que falo mal de uma empresa de internet e tv a cabo, mas como profissional e com meu perfil pessoal na rede, percebi que esse pode ser meu cliente no futuro e que estarei prejudicando a imagem da minha agência para ganhar o meu salário.
O mesmo vale para quem é blogueiro, se você é sempre cogitado por aquela agência, ela sempre paga o que lhe deve, cuidado com o que fala na rede, pois você pode prejudicar quem paga o seu “salário. Ou seja: fale o que pensa, tenha liberdade de expressão, mas pegue muito mais leve se comparado a alguém que não quer ganhar dinheiro com ferramentas de redes sociais.

3. Panelinha. As agências fazem panelinha.
Visão do blogueiro: As agências sempre cogitam os mesmos blogueiros para as mesmas ações. Com tantos blogs no mundo as vezes elas primam por um que nem tem tanta reverberação ou o target da ação porque fulano(a) é amigo do analista responsável. Além disso querem tudo pra ontem e não entendem que temos lista de prioridades, outra ações na lista ou não temos como encaixar nesse momento.

Visão da agência: Os blogueiros não sabem os prazos que os clientes pedem, são 24h, às vezes 48h, para apresentar planejamento com a lista dos blogs, comunidades, fanpages, grupos, perfis de cada rede que ativaremos ou contrataremos alguma ação. É prazo pra tudo, posts estarem no ar, indexação, entrega do planejamento e tudo é para “ontem”.

O que eu penso?
Nessa hora eu sou muito mais a opinião da agência. O blogueiro quer que eu o cogite mas quando mando e-mail, ou envio mensagem no facebook, ou no blog, nunca respondem a emergência e não tem valor no seu media kit, quando tem media kit. E além disso, muitas vezes, tenho que acionar algum blogueiro ou blogueira amiga pois eles não disponibilizam sequer um e-mail de contato e não olham os e-mails do fale conosco.
Por isso, antes de cobrar que as agências fazem panelinhas, esteja acessível ou disponibilize um media kit com valores. Uma dica maior ainda, que muitos blogueiros já fazem, mande e-mails para os analistas informando o valor do seu publi ratificado, crescimento das suas estatísticas. Quem quer dinheiro, corre atrás dele.
Tenho pessoas que nem dão tanta “reverberação” assim, mas cogito por sempre estarem ali dispostas a se dedicarem, a participarem, a dizerem “Eu quero trabalhar e facilitarei a sua vida pois entendo o que vocês passam com o cliente, sei que posso ser um pouco menor que algumas blogueiras que está negociando, mas pense no custo benefício”. E essa frase está entre aspas, pois foi uma história verídica em que a blogueira acabou ganhando com isso o meu budget da ação.

4. Os analistas se acham. Os blogueiros se acham.
Visão do blogueiro: Por poderem contratar quem eles acham melhor, querem botar banca.

Visão da agência: Por esse blogueiro ter esse impacto, acha que pode mandar e desmandar, pedir o valor que seja e não entende budget.

O que eu penso?
Tem gente que você vai com a cara, tem gente que não. Tem gente que se acha o último biscoito do pacote Globo da praia inteira, tem gente que não. Mas se eu preciso baixo a crista, mas se me humilhar por ser analista, por mais maravilhoso que seja, não cogitarei na próxima para não me estressar. Toda humilhação tem limite e temos tempo e vários clientes no nosso pé.
Ao mesmo tempo, já botei banca, pra defender a camisa da minha empresa, do meu cliente, da minha ação.
Acho que a melhor maneira nos dois casos eram as pessoas se falarem e conversarem, mas no final, como envolve dinheiro, sempre fica a lei da politicagem… E vamos vivendo.
Acho que se os blogueiros entendessem mais o dia-a-dia da agência e estas se propusessem a entender a vida do blogueiro, muitas destas rusgas diminuiriam.
Certo? Errado? Não sei… Só sei que essa é minha opinião e qualquer opinião contrária será MUITO BEM VINDA!

Quero propôr em abrirmos os canais a conversação! Se quiserem, comentem, debatam, passem a diante, critiquem… O que acharem melhor. E se alguém um dia quiser, quem sabe as próximas palestras sobre monetização nas desconferências terão abertura para um diálogo sincero entre blogueiros e agências?

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07/06/11

O painel mais carioca do Social Media Brasil

Participante do evento desde a primeira edição, tive o orgulho de integrar o grupo de curadores do Social Media Brasil deste ano.

Um grande time de profissionais discutiu por e-mail aproximadamente uns 2 meses sobre temas, direcionamento dos painéis e nomes que poderiam integrar o casting de palestrantes.

Uma das minhas sugestões, por exemplo, foi levar a Flourish Klink, que encerrou o evento no palco principal com uma palestra empolgante e descontraída sobre a cultura de fãs e narrativa transmidiática (também conhecida como transmedia storytelling).

Todo esse debate me deixou com um gostinho de quero mais vindo da palestra do ano passado, a qual falei sobre “Análise SWOT das mídias sociais”. Não aguentei e “me ofereci” para organização como debatedora. Tive a sorte de cair num painel com Victor Guerra (Ideia/SA) e Eduardo Barbato (NBS) – na verdade, o Barbato foi “culpa” minha :) Tinha visto o case do Tweet Bomb e achei super pertinente diante da proposta do painel. Além do mais, a NBS é uma das agências que mais ganha prêmios de digital no país, merecia ter seu representante lá.

Em suma, mais uma leva de e-mails com ambos para decidirmos o que falar, que cases levar, como aproveitar melhor o nosso curtíssimo tempo.
Eu entrei com o pé na porta e quis falar sobre Orkut. A maior rede social do país, detentora grande polêmica das mídias digitais esse ano (morreu ou não morreu?) merecia um espaço seu, uma atenção especial.

Depois, resolvi voltar pro tema (temerosa que o Formagio ou o público me matasse). Fiz uma rápida análise de fan page da Diesel e das incoerências de planejamento que vemos por aí quando se trata de Facebook.

Fechei com uma ação simpática do Twitter, que poderia ter sido realizada por qualquer marca, com qualquer verba, mas era uma ação da própria rede, em homenagem ao Dia das Mães, perdurando o efeito da hashtag e do trending topics.

Bom, gente, é isso! Os slides estão aí. Aos que foram, agradeço a oportunidade, a atenção, a paciência e os feedbacks. Aos que não foram também. Beijos e até o próximo evento.

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