7 perguntas para Phelipe Cruz
Imagine o seguinte cenário: um dia você resolve criar um blog sobre humor, celebridades e atitude jovem. De repente, este blog começa a crescer.
Logo depois, você percebe que não consegue planejar, postar e se dedicar a ele sozinho. Sua caixa de e-mails fica entupida de convites para eventos, palestras, propostas de parceria e solicitações de media kits (que, consequentemente, podem se reverter em dinheiro pra você).
Bom, já pensou, né? Esse cenário de transição de blogueiros comuns para probloggers começou a se tornar cada vez mais comum há 4 anos. Daí, as discussões sobre monetização de blogs não pararam de ecoar na internet e fora dela. Não foi nenhuma surpresa, o assunto alcançar a grande mídia e se tornar interesse de pessoas comuns que, antes, nem ligavam “para esse negócio de internet”. Pensando nisso, resolvi entrevistar um dos probloggers mais experientes no segmento jovem do Brasil: Phelipe Cruz.
Na entrevista abaixo, você vai conferir não só a evolução do Papel Pop, como também a passagem de Phelipe pela editora Abril, como editor de conteúdo da revista CAPRICHO, e conhecer um pouco mais sobre o planejamento de conteúdo para tão falada Geração Y nas mídias sociais.
- Há quanto tempo você produz conteúdo para internet? Como foi a primeira experiência?
Produzo conteúdo para a internet há 10 anos. Na época, eu cursava publicidade e nem era muito fã de jornalismo. Eu só fui tomar gosto por reportar, comentar, opinar e escrever na internet. Aliás, foi com o jornalismo online que eu aprendi muito a escrever, organizar as ideias, etc.
- Como foi o crescimento do papel pop em um cenário onde as mídias sociais ainda não eram vistas como ferramentas de negócio?
Na época não existiam facebook, twitter, etc. As pessoas usavam muito os comentários pra trocar ideias e links e os blogrolls de cada blog serviam muito para trocar visitas. Mas também, naquela época, parecia que a internet era só acessada por 200 pessoas. Todo mundo lia todos os blogs que existiam. Era gostoso. Eu já tinha uma audiência de 1 milhão de pageviews por mês e achava aquilo sensacional.
- A experiência como editor da CAPRICHO mudou muito a sua percepção sobre o comportamento do jovem na internet?
Acredito que não. Quem já foi adolescente se lembra muito bem como é ter paixão por um ídolo, como é duro aceitar críticas, como é complicado ter dúvidas que angustiam e, quando entrei pra CAPRICHO, vi este comportamento na internet e foi trazer a memória de volta. Aquela mesma impulsão e explosão de sentimentos que o teen tem na vida é exposta na internet. Na CAPRICHO eu aprendi mesmo a conhecer o que é jornalismo feito com seriedade, comecei a entender o tamanho e a importância que esta marca da Abril tem para os adolescentes e, claro, fiquei craque em qualquer assunto relacionado ao mundo teen. Quer saber o que vai acontecer nos próximos capítulos de Pretty Little Liars? Eu sei… Hahaha
- O papel pop também está presente no twitter e no facebook, além de contar com blogs distintos dentro da sua estrutura. Quem é o responsável pelo planejamento do blog hoje?
Eu edito todos os blogs do Papelpop e sou responsável por tudo. Não consigo não olhar para todo o conteúdo e imaginar qual é a missão de cada um deles e fazer o planejamento da marca. Existe sempre uma reunião online com os colaboradores onde a gente discute o rumo, o caminho, quais pautas dar. Aliás, usamos os grupos do Facebook e Twitter para nos comunicarmos e até existe uma pessoa responsável pelo conteúdo das redes sociais.
- O papel pop atualmente é um blog, uma revista, uma empresa ou nenhuma das anteriores?
O Papelpop é um veículo online, um site. Ou um blogão, como preferirem. Hehehe. Ele parece revista porque trata de assuntos específicos (cultura pop, música, consumo, tecnologia, internet), mas não dá pra chamar de revista porque isso é feito de papel.
- Como é o seu relacionamento com os veículos de celebridades hoje? Existe uma disputa pelo furo?
Não existe furo na internet. Pensar que isto existe é inocência. Existe aquele blog que vai dar uma notícia atrasada. E esse atraso às vezes é alguém que publicou uma notícia só no fim do dia. Nem exclusividade existe mais. Às vezes o que um artista entrega com exclusividade para o Papelpop, por mais que a gente fale e conte que foi para o site, muitos reproduzem e não citam a fonte.
- A repercussão da entrevista no Jornal da Globo (2009) e a ascensão das mídias sociais no Brasil fizeram com que muitos jovens acreditassem que ganhar dinheiro com a internet pode ser fácil. Que conselho você daria a esses jovens?
Que ganhar dinheiro não é fácil em nenhum lugar. E na internet não é diferente. O legal é que agora qualquer um com a mínima competência e conhecimento das ferramentas da web pode ter um veículo online na internet, mas não vai ser fácil ganhar dinheiro sem estratégia, noção de conteúdo, credibilidade e profissionalismo.
Um super obrigada ao Phelipe pela entrevista. Sucesso sempre! E queremos ver cada vez mais novidades no Papel Pop


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