Olá pessoal!
No evento Bits Global Conferences 2012, realizado esta semana na FIERGS, em Porto Alegre, eu tive a oportunidade de falar um pouco da construção da presença de marcas nas plataformas sociais e do papel dos analistas de mídias sociais na gestão de perfis corporativos.
Na entrevista de 7 minutos, você vai conferir as minhas opiniões sobre esses e outros assuntos que envolvem a formação de profissionais e a relação entre empresas e consumidores nas plataformas sociais.
Em breve, farei um update deste post com o conteúdo da minha palestra, à disposição no slideshare.
No dia 03 de dezembro, estive em João Pessoa na Paraíba, para o Workshop de Comunicação e Marketing em Mídias Sociais para profissionais da região. Lá, tive a oportuniade de falar para o público geral em entrevista no Jornal Bom dia Paraíba, com a apresentadora Patrícia Rocha.
A entrevista foi ao ar ao vivo e o foco foi sobre como o público geral pode se aproveitar do potencial das mídias sociais não só para diversão, mas também profissionalmente, assim como os cuidados que se deve ter ao compartilhar informações nas redes. Confiram!
Ao público do Nordeste, eu afirmo que volto em 2012 para mais um curso e com surpresas. Próximo destino: Campina Grande. Fiquem ligados!
Imagine o seguinte cenário: um dia você resolve criar um blog sobre humor, celebridades e atitude jovem. De repente, este blog começa a crescer.
Logo depois, você percebe que não consegue planejar, postar e se dedicar a ele sozinho. Sua caixa de e-mails fica entupida de convites para eventos, palestras, propostas de parceria e solicitações de media kits (que, consequentemente, podem se reverter em dinheiro pra você).
Bom, já pensou, né? Esse cenário de transição de blogueiros comuns para probloggers começou a se tornar cada vez mais comum há 4 anos. Daí, as discussões sobre monetização de blogs não pararam de ecoar na internet e fora dela. Não foi nenhuma surpresa, o assunto alcançar a grande mídia e se tornar interesse de pessoas comuns que, antes, nem ligavam “para esse negócio de internet”. Pensando nisso, resolvi entrevistar um dos probloggers mais experientes no segmento jovem do Brasil: Phelipe Cruz.
Na entrevista abaixo, você vai conferir não só a evolução do Papel Pop, como também a passagem de Phelipe pela editora Abril, como editor de conteúdo da revista CAPRICHO, e conhecer um pouco mais sobre o planejamento de conteúdo para tão falada Geração Y nas mídias sociais.
- Há quanto tempo você produz conteúdo para internet? Como foi a primeira experiência?
Produzo conteúdo para a internet há 10 anos. Na época, eu cursava publicidade e nem era muito fã de jornalismo. Eu só fui tomar gosto por reportar, comentar, opinar e escrever na internet. Aliás, foi com o jornalismo online que eu aprendi muito a escrever, organizar as ideias, etc.
- Como foi o crescimento do papel pop em um cenário onde as mídias sociais ainda não eram vistas como ferramentas de negócio?
Na época não existiam facebook, twitter, etc. As pessoas usavam muito os comentários pra trocar ideias e links e os blogrolls de cada blog serviam muito para trocar visitas. Mas também, naquela época, parecia que a internet era só acessada por 200 pessoas. Todo mundo lia todos os blogs que existiam. Era gostoso. Eu já tinha uma audiência de 1 milhão de pageviews por mês e achava aquilo sensacional.
- A experiência como editor da CAPRICHO mudou muito a sua percepção sobre o comportamento do jovem na internet?
Acredito que não. Quem já foi adolescente se lembra muito bem como é ter paixão por um ídolo, como é duro aceitar críticas, como é complicado ter dúvidas que angustiam e, quando entrei pra CAPRICHO, vi este comportamento na internet e foi trazer a memória de volta. Aquela mesma impulsão e explosão de sentimentos que o teen tem na vida é exposta na internet. Na CAPRICHO eu aprendi mesmo a conhecer o que é jornalismo feito com seriedade, comecei a entender o tamanho e a importância que esta marca da Abril tem para os adolescentes e, claro, fiquei craque em qualquer assunto relacionado ao mundo teen. Quer saber o que vai acontecer nos próximos capítulos de Pretty Little Liars? Eu sei… Hahaha
- O papel pop também está presente no twitter e no facebook, além de contar com blogs distintos dentro da sua estrutura. Quem é o responsável pelo planejamento do blog hoje?
Eu edito todos os blogs do Papelpop e sou responsável por tudo. Não consigo não olhar para todo o conteúdo e imaginar qual é a missão de cada um deles e fazer o planejamento da marca. Existe sempre uma reunião online com os colaboradores onde a gente discute o rumo, o caminho, quais pautas dar. Aliás, usamos os grupos do Facebook e Twitter para nos comunicarmos e até existe uma pessoa responsável pelo conteúdo das redes sociais.
- O papel pop atualmente é um blog, uma revista, uma empresa ou nenhuma das anteriores?
O Papelpop é um veículo online, um site. Ou um blogão, como preferirem. Hehehe. Ele parece revista porque trata de assuntos específicos (cultura pop, música, consumo, tecnologia, internet), mas não dá pra chamar de revista porque isso é feito de papel.
- Como é o seu relacionamento com os veículos de celebridades hoje? Existe uma disputa pelo furo?
Não existe furo na internet. Pensar que isto existe é inocência. Existe aquele blog que vai dar uma notícia atrasada. E esse atraso às vezes é alguém que publicou uma notícia só no fim do dia. Nem exclusividade existe mais. Às vezes o que um artista entrega com exclusividade para o Papelpop, por mais que a gente fale e conte que foi para o site, muitos reproduzem e não citam a fonte.
- A repercussão da entrevista no Jornal da Globo (2009) e a ascensão das mídias sociais no Brasil fizeram com que muitos jovens acreditassem que ganhar dinheiro com a internet pode ser fácil. Que conselho você daria a esses jovens?
Que ganhar dinheiro não é fácil em nenhum lugar. E na internet não é diferente. O legal é que agora qualquer um com a mínima competência e conhecimento das ferramentas da web pode ter um veículo online na internet, mas não vai ser fácil ganhar dinheiro sem estratégia, noção de conteúdo, credibilidade e profissionalismo.
Um super obrigada ao Phelipe pela entrevista. Sucesso sempre! E queremos ver cada vez mais novidades no Papel Pop
Pelo menos uma vez em sua vida virtual você já deve ter ouvido falar da Rosana Hermann. A jornalista e Gerente de criação do Portal R7 carrega consigo uma lista de profissões e experiências interessantes pelas quais já passou, desde trabalhar no Programa Pânico até se formar em Física Nuclear.
Enquanto eu ou você estávamos no chat UOL, Rosana já trabalhava com internet e editava o Querido Leitor. Enquanto eu ou você estávamos discutindo se Orkut morria ou não, Rosana participava da visita à NASA, em Houston, em um evento fechado apenas para influenciadores do Twitter.
Conhecida como “a síndica do Twitter”, Rosana também produz conteúdo para o blog do Skype Brasil e colabora com o portal de tendências digitais Youpix.
Em suma, Rosana faz parte do histórico da internet brasileira. Sua página na wikipedia ainda será acessada pelos seus filhos e, quiçá, seus netos. Nas 7 perguntas que você lê abaixo, Rosana conta um pouquinho da sua história e suas opiniões sobre como o espaço virtual vem influenciando no dia a dia das pessoas e da mídia:
- A exposição pessoal nas redes sociais te atrapalha em alguma coisa?
A nossa vida é toda rastreada, do cartão de crédito aos estacionamentos, das câmeras de trânsito aos celulares com chip, encontráveis por GPS. Daí para publicar tudo isso voluntária e abertamente é só um passo. Ao contrário, acho que a publicação da vida nos liberta.
- Como você vê o uso das redes sociais para fundamentar pautas jornalísticas?
O Twitter é um sintoma, um indicativo. Ele aponta caminhos para pautas, mostra comportamentos de um determinado grupo online. Tem a versão passarinho e a versão “galo” que você ouve cantar e tem que descobrir o que e aonde.
- Como é a rotina da gerência de conteúdo e inovação no R7?
É um radar sempre ativo. Acompanhamos as redes sociais em busca de movimentos, novidades, repercussões, acontecimentos. E, ao mesmo tempo, vemos tudo no portal que tem potencial de divulgação nas redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. E há também um olhar “web” sobre todo o conteúdo, o que podemos fazer para ir além da notícia, torná-la mais interessante e viva. Além disso tem a criação de ações de cross media com a Rede Record de Televisão.
- Seu dia cabe em 24 horas?
Meu dia é como um browser, tem várias abas de 24 horas…
- Conte-nos como se tornou jurada do prêmio The Bobs e o que vê de diferente entre blogs do Brasil e do mundo?
Em 2008 alguém inscreveu meu blog no prêmio e ele foi eleito pelo júri e pelo público como o melhor blog de língua portuguesa. Fui receber a premiação em Bonn e, logo depois, fui convidada para ser júri do prêmio. Todo ano vou para Berlin para uma reunião internacional que define os vencedores. A diferença que vejo entre blogs brasileiros e internacionais que participam do prêmio é que o brasileiro parece mais voltado para o sucesso pessoal enquanto os blogs de outros países estão mais ligados a causas coletivas, serviços e ferramentas para o bem comum.
- Você acha que as polêmicas nas redes sociais podem manchar a reputação dos usuários a médio longo prazo ou o brasileiro tem memória curta?
O brasileiro tem memória curta só na aparência. No fundo ele nunca “perdoa” totalmente. Se a mesma pessoa surge novamente em outra briga, imediatamente ele vai lá e “cavoca” o passado do outro. Aqui, até quem foi inocentado fica com uma nódoa em seu passado. Mas as polêmicas não se aprofundam, na minha opinião, porque parecem mais brigas de ego do que discussões de ideias.
- Como foi a experiência de escrever um livro contando histórias sobre o Twitter?
Foi muito bom escrever, mas é melhor ainda receber o feedback dos leitores. Minha maior alegria é quando a pessoa diz que o livro foi útil, que aprendeu alguma coisa e que achou o texto fluido, como o Twitter.
Gostaria de agradecer à disponibilidade e agilidade da Rosana em participar da entrevista e desejar tudo de bom aos atuais e futuros projetos.
*Para conhecer ou comprar o livro da Rosana, clique aqui.
Enquanto a morte do Orkut vem sendo declarada a quatro ventos pelos alarmistas do mercado, marcas como Coca-Cola, Itaú, Nike e Casas Bahia investem um bom aporte em comunidades patrocinadas e ações na comunidade Ao vivo – o atual lançamento de sucesso da rede.
Frente a guerra pela audiência com o Facebook, e ainda distante de lançamentos mega recentes como o Google+, o Orkut ainda reina absoluto como a maior rede social digital do país, com mais de 40 milhões de usuários (ou seriam 28?), e vem se tornando cada vez mais amigável como ambiente corporativo.
Em 7 anos desde o seu lançamento, muita coisa mudou não só na rede social, mas também no comportamento dos usuários. Em 2009, por exemplo, 17% dos usuários do Orkut (em pesquisa contratada pelo Google) conheciam mas não usavam o Facebook, assim como você pode conferir neste vídeo do Gerente de Marketing do Google, Valdir Leme.
De 2009 para cá, também mudaram os resultados no Analytics para aqueles que utilizavam a rede como principal canal para a tática de seeding. Houve uma percepção de queda na interação das comunidades que fez com que muitos Analistas de Mìdias Sociais dessem a rede como pouco interativa e voltasse seus olhares para o Twitter e, posteriormente, o Facebook que agora é visto como principal concorrente da rede.
Com objetivo de esclarecer as minhas, as suas e as nossas dúvidas – e deixando um pouco de lado os achistas de plantão – entrevistamos Valdir Leme, que desde 2008 trabalha diretamente com Orkut. Leme nos falou um pouco sobre segmentação de público, dados inéditos do Ao Vivo, a integração com a marcas e, até mesmo, a possibilidade de geração de relatórios para as ações patrocinadas na rede.
O que podemos concluir com a entrevista de Leme? Que a dinâmica das redes sociais digitais é mutável e sempre será. O Orkut ainda dá grandes resultados como mídia e como rede social digital, basta se debruçar sobre ele sem preconceitos, mergulhar na cabeça dos consumidores, ter bons planejadores na equipe e um pouco de verba pra trabalhar – que nunca fez mal a publicitário algum.
E só pra lembrar a quem pode ter esquecido: ainda temos 50% dos cidadão brasileiros para acessar a web. Deixem para declarar morte aos canais quando tivermos, pelo menos, 80%.
- Como se classifica a audiência do Orkut por classe social, atualmente? Há rumores de que o público-alvo da rede tenha mudado e se concentrado nas Classes C, D, E.
Na verdade o Orkut no Brasil é atualmente a rede social com maior diversidade entre Classes Sociais. Podemos relacionar a audiência do Orkut, em território nacional, com a novela do horário nobre, já que atinge todas as Classes Sociais do país.
- Como vocês se enxergam frente ao crescimento da audiência do facebook no Brasil?
Segundo dados recentes da ComScore o Orkut possui cerca de 70% de alcance nacional, em outras palavras, 70% dos internautas brasileiros estão no Orkut. Outro dado importante neste estudo relata que o Orkut é a maior rede social no Brasil em número de usuários – cerca de 43 milhões de usuários ativos no país.
- Conte um pouco sobre a estratégia do Orkut Ao Vivo. Como você avalia as duas primeiras ações na comunidade?
O Orkut Ao Vivo é uma comunidade que transmite entrevistas exclusivas, em tempo real, com diversos tipos de personalidades (músicos, artistas, apresentadores, etc). A oportunidade do fã estar mais perto do seu ídolo é um dos motivos do sucesso que obtivemos a partir do lançamento, em maio de 2011. Além disso, os fãs podem interagir com os entrevistados por meio de perguntas enviadas dentro da comunidade ou hashtag #OrkutAoVivo divulgada dias antes das entrevistas na comunidade.
Abaixo, alguns dados de destaque:
A comunidade do Orkut Ao Vivo (www.orkut.com.br/AoVivo) foi lançada dia 1 de maio de 2011. Em menos de 7 dias atingiu mais de 5 milhões de membros.
Após 5 dias presente na comunidade do Orkut Ao Vivo, o vídeo da primeira música do DVD da Pitty obteve mais de 940.000 views
Nos 10 dias que antecederam a entrevista ao vivo com a Pitty, geramos 798.000 interações com os membros da comunidade do Orkut Ao Vivo, via tópicos e enquetes
A hashtag manteve-se como #2 nos trending topics do Twitter por mais de 3 horas, começando 30 minutos antes da entrevista
Após essa ação, o brand channel da Pitty teve crescimento de +70% em views e +71% em subscribers
- Como você vê o interesse das marcas em se relacionar com seus clientes através do Orkut?
Podemos citar o sucesso das comunidades da Nike Futebol, Coca-Cola e Casas Bahia, por exemplo, sendo que o número de usuários na comunidade da rede varejista aumentou em quase 20 vezes após a oficialização. Já a comunidade da Coca-Cola, recém-lançada conta com 527 mil membros (criada no início do mês de Junho de 2011). A diversidade é tão grande que até times de futebol como Palmeiras, Santos e Corinthians possuem comunidades oficiais.
- Existe algum projeto ou previsão de criar páginas ou relatórios que possam mensurar a interação entre marca e cliente, como o fazem as Fan Pages (facebook)?
Os clientes que possuem comunidades patrocinadas recebem um relatório que mensura acessos e interações na comunidade.
- A ferramenta Promova sofrerá alguma alteração este ano?
Não comentamos sobre o futuro dos produtos e/ou lançamentos futuros. Constantemente produtos e serviços são lançados pelo Google, você pode acompanhar as notícias por meio do blog do Orkut. Podemos dizer que a ferramenta é um sucesso entre os usuários, gerando maior interação entre eles.
- Existem mais novidades para 2011 que já podem ser reveladas ao público?
O Orkut Ao Vivo é uma das novidades recém-lançadas pelo Orkut. Mas é claro, sempre estamos trabalhando em novas funcionalidades para melhorar a experiência do usuário com a plataforma.
Agradecimentos pela entrevista: Google Brasil, Valdir Leme, Marcello Hardt, Carol Terra e Agência Ideal.
Começar um texto falando da Raquel sem fazer com que ele transborde de elogios é difícil, mas eu prometo que vou tentar.
Conheci o trabalho da Raquel em 2006, quando ainda pesquisava sobre a monografia. Pouquíssimos pesquisadores no Brasil tinham artigos consistentes sobre o Orkut na época e eu precisava de boas referências para que meu orientador não me fizesse mudar de tema.
Pesquisando em fóruns como e-Compós e Google Acadêmico, encontrei não só artigos os acadêmicos, como também, os blogs da Raquel e do Alex Primo, daí em diante, me apaixonei pelo tema e o resto da história vocês já sabem.
Se existe uma verdadeira especialista em redes sociais no Brasil, essa é a Raquel. E eu tive a grata oportunidade de escolher sete perguntas sobre redes sociais e interações no ciberespaço, as quais você pode ler abaixo:
- Em que ano foi o seu primeiro artigo sobre redes sociais on-line e qual era a sua relação com elas na época?
Meu primeiro trabalho foi em 2004, mas meu interesse começou com as primeiras matérias a respeito do Orkut, no final de 2003. Eu me interessava por redes sociais que eram construídas entre blogs, nos relacionamentos construídos nos comentários. Foi daí que começou a minha percepção da rede de interação, que era construída pelas conversações nessas ferramentas. Eu era uma usuária disso tudo também, o que constribuiu muito para a minha percepção de valor das ferramentas. Daí comecei a estudar também ferramentas que eu não usava ativamente, como o Fotolog e outras.
– Qual foi, na sua opinião, a principal mudança do Fotolog pra cá?
Olha, acho que aconteceu uma popularização do conceito, e uma maior percepção da relevância dessas redes. Em termos de sistemas, acho que sites ficaram mais abrangentes e passaram a incorporar elementos que já existiam na apropriação dessas ferramentas iniciais, como as narrativas do eu nos perfis, os espaços de interação e etc.
- Acredita que o Orkut teve um papel cultural no aprendizado do brasileiro em se socializar on-line?
Oh sim. Acho que o Orkut foi emblemático não apenas para o Brasil em termos de inclusão digital, mas igualmente em termos de uso da Internet para o social. A importância do Orkut é muito maior do que as pessoas realmente percebem.
- Qual é a sua opinião sobre o Facebook pagar usuários para assistirem seus anúncios?
Acho uma iniciativa interessante. A questão é como vai se dar a apropriação dela. Talvez muitos passem os anúncios, mas não necessariamente dêem atenção a eles.
- Quais são seus livros de cabeceira sobre cibercultura?
Posso citar um livro que não tem nada a ver com cibercultura? Minha leitura mais inspiradora na questão do estudo das redes sociais foi o livro “Pattern Recognition” do William Gibson. Na época, me ajudou a ver muitas coisas. Inclusive, a frase “human beings are about pattern recognition” virou a epígrafe da minha tese. Cibercultura, especificamente, no Brasil, é o livro do André Lemos, que praticamente inaugurou a área e que é leitura obrigatória.
- A entrada (por vezes, invasão) das marcas como personas nas redes sociais on-line te incomoda?
Não. Eu sou bastante restrita com relação a atenção, meu valor mais precioso. Bloqueio e fim.
Que conselhos daria a um jovem profissional de marketing digital?
Olha, acho que se vc quer trabalhar com o digital, precisa estar nele, entender seus usos, valores e apropriações. A coisa mais importante é estar lá.
Raquel, já agradeci imensamente não só a sua entrevista, mas todo conteúdo produzido durante esses anos. Não custa mais uma vez: obrigada!
Era uma vez um cara que eu seguia no Twitter e não fazia muito bem ideia de quem ele era. Felipe tinha a mesma quantidade de seguidores que eu, também carioca, twitteiro da madrugada, fim de semana e afins…
Um belo dia, Felipe resolveu criar alguns vídeos para web. Me mandou um direct message e pediu para falar comigo pelo MSN. Sem entender muito bem do que se tratava, passei o MSN e logo começamos a conversar.
Lembro que isso foi num sábado e passei quase a tarde toda com o MSN ligado conversando com o Felipe e outras pessoas. Falamos sobre vídeos, twitter, humor, grana e assuntos da vida pessoal que não eram lá muito relevantes. Até então, Felipe só tinha gravado dois vídeos.
Um mês depois da conversa no MSN, Felipe já tinha alcançado mais de 1 milhão de visualizações no youtube. Tinha virado assunto de agência, de roda de amigos e de mesa de bar. Seis meses depois, já estava no Jô Soares.
Aonde eu quero chegar com todo esse blablablá?
Felipe foi um cara que mudou o curso da sua vida através das plataformas sociais. É o exemplo célebre de que o usuário pode criar sua própria audiência e se tornar formador de opinião “do dia para a noite”. A partir de então, eu virei “fã” do Felipe. Respeito a determinação ter continuado a postar, mesmo sob chuvas de críticas e respeito o caminho que está trilhando como ator.
Hoje, Felipe está aqui no blog (que vale mais que sentar no sofá do Jô rsrs), respondendo a 7 perguntas sobre criação de conteúdo, disseminação, target na web e planos para a carreira. Enjoy it!
- Você se considera um empreendedor da era digital?
Eu tento ao máximo expandir minhas formas de trabalho sempre, acho
que é muito bom poder arriscar, explorar áreas que trato como um
desafio. Baseado nisso, acho que posso me considerar um
empreendedor… Já sobre a era digital, não sei, pois estou tanto
nessa era web quanto na parte da televisão (multishow e globo), teatro
(com apresentações do grupo Avacalhados) e outros setores.
- Que tática usava para a disseminação dos seus vídeos no início?
Eu divulgava os vídeos na minha continha do Twitter e passava pros
amigos, nada além disso. Na época eu tinha um Blog, chamado Controle
Remoto, mas sequer colocava os vídeos lá.
- Planejamento ou conteúdo? Qual destes fatores foi decisivo pro seu sucesso?
Planejamento zero. Até gostaria de poder ter planejado melhor, se
soubesse que ia ter essa repercussão toda. Meu foco foi realmente em
conteúdo, mas sinceramente? Nunca pensei dessa forma: “ah, preciso ter
um bom conteúdo”… Minha meta sempre foi: “preciso me divertir
fazendo isso”.
- No lançamento dos seus vídeos, ao que parece, você não determinou um target mas os teenagers se tornaram maioria. Você precisou de aproximar do universo teen pra criar e/ou fazer ações patrocinadas?
Na verdade isso é uma certa ilusão. Segundo estatísticas do próprio
Youtube, a maioria das visualizações masculinas, por exemplo, vem da
faixa entre 18 e 24 anos. Já pelas mulheres, a maioria é na faixa de
13-17. De todo modo, no ranking geral, as faixas entre 25-34, 35-44 e
45-54 são muito fortes. Os adolescentes, contudo, são os que são mais
fortemente atingidos pelos vídeos, principalmente pela questão de
serem muito mais passionais e impulsivos. Em nenhum momento eu pensei
em atingir o público A ou B, tanto por isso eu tenho desde vídeo
falando sobre colírios da capricho até vídeos falando sobre políticos,
preconceito e o #PrecoJusto. Já para campanhas publicitárias, já
anunciei Chiclets, Pepsi e Credicard, ou seja, uma prova de que não
necessariamente é somente o público jovem que me assiste e que as
empresas estão interessadas em utilizar como Target.
- O youtube continua nos seus planos para o futuro?
Eu prefiro não fazer muitos planos para o futuro. Quando falamos de
uma carreira artística, o que temos hoje é o que devemos trabalhar
insanamente para ficar o mais próximo do ideal que acreditamos… Aí
sim o futuro vem, de acordo com as execuções de hoje. Torço para que
minha permanência no Youtube seja duradoura, com certeza, mas não
terei dedos se precisar sair caso a curva esteja em declínio.
- Você é influenciador de uma onda de videocasters e vlogers. Que conselhos deixaria pra eles?
Sejam sinceros, se divirtam e parem de fazer vídeos querendo ficar famosos.
- O quanto as redes sociais on-line influenciam na sua privacidade hoje? Foursquare nem pensar?
Foursquare nem pensar, eu tenho um certo medo da possibilidade de
saberem exatamente onde eu estou. Hoje em dia eu só uso mesmo o
Twitter, que não influencia lá tanto minha privacidade…