24/05/11

Alinhamento estratégico e mídias sociais

Alinhamento estratégico é mais uma daquelas expressões que, de tanto ser gasta em reuniões imbecis ao redor do mundo, perdeu quase que completamente boa parte do sentido original. Hoje qualquer coisa tem, necessariamente, que passar pelo “alinhamento estratégico”, mesmo que aquele que profere esta frase não tenha muito ideia do que fala.

Basta ver a proliferação de reuniões destinadas “a mudar o paradigma do mercado” ou então livros que tentam “promover a autorrealização (eitha Nova Ortografia!) completa do ser humano”. No fundo, muito se diz, pouco se fala.

Infelizmente nossa área também é permeada por esse mal, que vou chamar carinhosamente de Síndrome da Verborragia Aguda (SVA). Seus principais sintomas são a utilização de buzzwords indiscriminadamente, longas reuniões com conteúdo zero e, principalmente, o embelezamento precário de discursos sem sentido. Nada de novo para quem já teve passagens pela vida corporativa.

Portanto, resolvi escrever esse post como uma tentativa de melhorar um pouco esse cenário. E pensei que a ideia de alinhamento estratégico, tão em moda outra vez, poderia ser um bom tema para começar.

Em primeiro lugar, o que é alinhamento estratégico?

Vamos utilizar, inicialmente, um método bastante simples. Vamos decompor a expressão para tentar obter uma dica de seu significado. “Alinhamento” significa colocar algo em linha com alguma coisa. Quando vamos alinhar os pneus do carro, por exemplo – significa colocar os pneus no seu devido lugar na estrutura do carro, para evitar desgastes e ineficiências e, claro, acidentes. Alinhamento dos cartuchos, de uma ferrovia, de uma fila, etc.

Alinhamento estratégico, portanto, deveria ser (por lógica) o ato de tornar determinada coisa alinhada à estratégia. Na mesma linha. Parece simples, não?

Mas, quando saímos do plano mais prático (dos carros) e vamos para algo mais teórico (Administração), a coisa complica. Trívia de matemática: dois pontos quaisquer no espaço estão alinhados? A princípio sim: basta você lembrar que uma linha pode ser definida através da identificação de dois pontos no espaço. Se tenho A e B, obrigatoriamente terei uma linha que passa por esses dois pontos. Contudo, se tenho 3 pontos, fica mais complexo. Primeiro, devo determinar quais 2 pontos desses 3 irão definir a minha linha. E, depois, analisar se esse terceiro está na mesma. E o mesmo raciocínio serve para mais de 3 pontos.

O que fica evidente com o exemplo matemático é a necessidade de um parâmetro. Sim, pois como já vimos acima, se tenho somente dois pontos para alinhar entre si, eles já o são automaticamente. Esse tipo de visão, embora muito interessante, não é de grande aplicação prática na Administração (já que eu teria uma forma de tautologia – os dois pontos sempre estariam alinhados entre si). Então, parece lógico deduzir que o gestor, quando fala em alinhamento estratégico, está necessariamente falando de alinhar determinada coisa com uma linha já existente (ou já prevista, ou já proposta, etc.). Exemplo: se o gestor diz que precisa alinhar a gestão de canais da empresa com o Código de Ética da mesma, ele está tomando uma referência (o Código de Ética) e analisando o quão próximo dela está a gestão de canais – ou seja, o quão alinhadas estão as coisas.

Você já provavelmente sentiu onde quero chegar, não?

O que estou dizendo aqui é que para se alinhar estrategicamente alguma coisa, precisamos saber qual o parâmetro que vamos usar. O que vamos usar como referência para dizer que outra coisa está ou não alinhada. E essa referência, no caso do alinhamento estratégico, é a Estratégia da empresa.

Quando Henderson e Venkatraman publicaram, em 1993, o artigo sobre o tema, estavam preocupados com um problema bastante relevante. Os investimentos em Tecnologia da Informação feitos pelas empresas à época não estavam surtindo os efeitos desejados, ficando muito aquém da melhoria potencial que poderiam gerar para as empresas. Mesmo com os executivos convencidos a dar um papel mais relevante para as TICs nas empresas (tirando do porão e dando uma estatura “estratégica”), algo estava dando errado.

Através de uma série de elaborados argumentos e exemplificações, os autores propõem várias medidas para as empresas conseguirem, efetivamente, ligar a área de TI aos objetivos, modelos de negócio e estratégias da organização, possibilitando o caminho rumo à maximização do potencial de geração de valor dessas tecnologias para os gestores.

Como isso se aplica à área de Mídias Sociais?

Primeiramente, podemos traçar um paralelo livre entre o problema que Henderson e Venkatraman estavam abordando em 1993 e o nosso problema, atual. Se considerarmos as Mídias Sociais como equivalentes, no contexto business, ao que as TICs da época eram naquele momento, veremos que enfrentamos problemas similares.

Uma das razões desse problema é que as empresas continuam a ver as Mídias Sociais como uma área, ou, pior, como uma extensão dos atuais canais de relacionamento com o cliente. É um apêndice às estratégias de comunicação. São vários problemas que surgem daí:

a) se a organização percebe as mídias sociais como meras extensões dos atuais canais de relacionamento, jamais fará sentido para o gestor realizar qualquer integração com as estratégias gerais da empresa. As mídias sociais seriam alinhadas, ao contrário, com as atuais táticas de comunicação, sendo confrontadas em termos de ROI e similares com as mídias tradicionais. E, nesse sentido, o próprio papel das mídias sociais fica limitado, devido à visão que a organização tem das mesmas. É como se enxergar o Twitter como um “e-mail marketing avançado”;

b) se a organização percebe as mídias sociais como uma área de desenvolvimento, talvez o gestor até possa ter certo grau de sucesso ao alinhar os objetivos dessa área com a estratégia geral da empresa. Contudo, cresce a chance de se criar um ambiente esquizofrênico – devido às peculiaridades específicas das mídias sociais, certamente várias vezes haverá um choque frontal entre essa “área” e as áreas mais tradicionais da empresa. No médio e longo prazo, isso levará a um processo cada vez mais político de defesa de cada área frente às “prioridades estratégicas” e, do mesmo modo que no item anterior, certamente não se aproveitará o potencial das mídias sociais;

c) se a organização percebe as mídias sociais como algo integrante de sua própria razão de ser e as abraça, adaptando e mudando seu modelo de negócios para aproveitar ao máximo o potencial das mesmas, é bastante provável que tenha um sucesso nessa estratégia – pois a estratégia em si teria, em sua grande parte, componentes fundamentais oriundos da lógica das mídias sociais.

A notícia triste vem agora.

Grandes empresas tendem a ter uma cultura organizacional arraigada, construída ao longo dos anos de seu funcionamento. Cria-se um sistema social bastante específico, com as próprias lógicas e, obviamente, relações de poder. Pequenas empresas, principalmente startups, também costumam trilhar o mesmo caminho. Então, por que é mais fácil uma startup do Vale do Silício compreender plenamente os potenciais das mídias sociais e definir sua estratégia de modo a maximizar a vivência das mesmas enquanto uma grande empresa apresentar dificuldades?

Minha sugestão modesta: tempo de vida da empresa. Parece-me mais fácil ter, desde o princípio, uma estratégia que já “nasce” nas mídias sociais do que alterar a cultura organizacional e a estratégia de uma empresa mais “velha”. E isso não é porque os executivos são velhos, chatos, idiotas, ou qualquer coisa que o valha; ao contrário, supõe-se que sejam bastante espertos – caso contrário não seriam o que são.

O problema aqui é que ao longo das últimas décadas tivemos um gradual processo (ainda que não se reconheça isso) de formalização estratégica. Consultorias e empresas ao redor do mundo fazem questão de definir, a priori, coisas como visão, missão, etc. Embora muitos achem a definição de visão e missão como coisas ótimas e fundamentais para qualquer empresa (e ai do Plano de Negócios que não tiver isso explícito!), eu tenho uma visão menos otimista disso. Ao se definir claramente (estou pressupondo que esse processo tenha sido competentemente realizado, o que não é o caso normalmente) os rumos que a empresa tende a tomar nos próximos anos, você está, invariavelmente, fechando o modelo de negócios para várias outras oportunidades fantásticas que, muitas vezes, sequer ainda existem. Você engessa a estratégia de tal forma que o feitiço acaba virando contra o feiticeiro. A estratégia, que deveria ser algo fortemente ligado às variações no ambiente competitivo, acaba virando um fim em si mesma, transformando-se num tipo de mantra organizacional. E, claro, a cultura daquela empresa acaba sendo impregnada, ainda que de modo imperceptível ou implícito, por definições que dificultam qualquer mudança em reação ao que acontece de novo no mundo.

Na minha opinião, é essa a dificuldade que vocês encontram quando tentam convencer algum gestor que ele precisa estar/ter/atuar/etc. nas mídias sociais. O que costumo ver são empresas adotando a postura “a” (mídias sociais como extensão dos canais), desejando chegar a “c”, mas só tendo capacidade, na melhor das hipóteses, de alcançar um estado similar ao “b”.

Acredito que os gestores estão sinceramente convencidos de que as mídias sociais não são apenas mais um modismo temporário ou algo sem relevância. Contudo, não são eles que precisam ser convencidos. É a estrutura organizacional, a cultura da empresa, a estratégia da organização que precisa ser mudada. Caso contrário, não se tem como aproveitar o potencial das mídias sociais. Não dá para entender esse processo sem minimamente compreender os seus pressupostos, sua linguagem, sua dinâmica.

A segunda notícia triste é que vejo esse processo como de dificílima transposição. Não se muda toda uma cultura organizacional do dia para a noite, especialmente quando é algo já sólido e duradouro. Não há palestra do Bernardinho que dê jeito em uma empresa que tem como fonte de desmotivação a sua própria estrutura organizacional (plano de carreira, chefes agressivos, baixos salários, baixa realização profissional, etc.), assim como não há palestra do Howard Rheingold que dê jeito em uma empresa que tem uma estrutura organizacional incompatível com a lógica das mídias sociais.

Assim, acho que, aos poucos, as empresas que têm seus modelos organizacionais fortemente baseados na lógica mais tradicional de produção irão ser derrotadas pelas empresas que já “nasceram” digitais. Mas, como todo exercício de futurologia, é apenas um palpite. Mas juro que gostaria de ter o tal Almanaque do Futuro do Michael J. Fox e ver qual seria a lista das 500 maiores empresas de 2050 (que, possivelmente, não será mais publicada na Fortune).

Um forte abraço,

Pedro

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23/05/11

Consultoria em Mídias Sociais. Você precisa de uma?

Muitos dos posts deste blog são motivados por contatos que recebi ao longo do tempo. Foram conversas, pedidos de conselhos, abordagens em fins de palestras, consultorias de mesas de bar… e de todas elas, pude perceber uma coisa: as empresas querem entrar nas mídias sociais e não sabem como.

Ao perceberem esta necessidade são logo motivados por um senso de urgência. Entram em contato, pedem orçamento mas cometem um erro básico e muitas vezes oneroso: não sabem do que realmente precisam.

Como perder dinheiro com uma consultoria?
- Contratando um consultor que não é qualificado e faz um preço “camarada”, perde-se dinheiro a longo prazo. Lá na frente, você vê que o orçamento mais robusto e melhor estruturado era o que realmente valia a pena.
- Contratando um consultor qualificado, mas sem passar o briefing de maneira eficiente, perde-se dinheiro a longo prazo também, pois, ao final de meses de projeto, a empresa/ empresário não sabe o que fazer com um relatório nas mãos, que não atendia de fato as suas necessidades.

Então, vamos às dicas:

Saiba passar o briefing:
Alguns consultores possuem briefings para que você preencha, outros não. Não é isso que define a qualidade do projeto. A princípio, a responsabilidade de dizer o que quer é do contratante. O contratado pode e deve buscar informações, mas faça a sua parte evitando ruídos na comunicação.
Informe sobre o segmento da empresa, a posição no mercado, os concorrentes, o público-alvo, os últimos lançamentos, os últimos investimentos em mídia… Todos os dados são importantes para que o consultor consiga fazer um bom diagnóstico antes de começar o plano de ação.

Deixe clara as suas expectativas
Mesmo que elas estejam erradas. Muitas empresas acreditam que basta abrir uma conta no Twitter sem investir um centavo e milhares de clientes baterão às suas portas vindos das redes sociais todos os dias. A conversão do on para o off-line é um processo muito complicado e envolve centenas de estágios no processo de decisão de compra por parte do consumidor. Marketing em Mídia Social não é o milagre das vendas. Eu costumo brincar com a minha equipe dizendo: “Madre Teresa não opera aqui”.
É papel do consultor gerenciar as suas expectativas, explicar estes processos e determinar planos de ação que possam atingir, ao menos, parte delas: “começar pelo começo”, abrindo novos canais de comunicação e criando bases fortes para que seus clientes queiram interagir.

Não tem ideia de budget, é bom ter
Já foi tempo em que se pagava R$300,00 por um site ou qualquer outra aplicação de web e nunca mais se olhava pra ele. Os tempos mudaram, evoluíram e, assim como a vida, não voltam mais.
Você tem que estar pronto para investir tempo, dinheiro e energia em um novo canal de comunicação. Seja ele o Twitter, o facebook, um blog corporativo ou, até mesmo, a boa e velha (agora renovada com a possibilidade cara de patrocínio) comunidade do Orkut.
Os profissionais cobram por projeto ou hora X homem. Se cobrarem por projeto, entenda isso como diagnóstico, plano de ação ou planejamento, execução ou gestão dos canais e, finalmente, por um relatório sobre os resultados obtidos.
Se você solicitou um orçamento de consultoria e recebeu a boa e velha proposta do pacote promocional, incluindo tudo, por apenas R$299,90: desconfie!

Atenção aos feedbacks
Mercado novo é igualmente proporcional a novos profissionais. Muita gente bem intencionada, muita gente capaz e muita gente querendo faturar algum com o novo “hype” do momento. Toda essa gente num mesmo bolo e é VOCÊ quem vai ter que filtrar o joio do trigo, mesmo não entendendo diretamente do assunto.

Ainda ficou com dúvidas mesmo depois do post? Deixe um comentário abaixo ou acesse o formulário de contato do blog. Quem sabe, não explico suas dúvidas em um novo post ou até mesmo, fechemos uma parceria? ;)

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16/05/11

Formação em Mídias sociais: o primeiro passo

Com grande freqüência recebo e-mails, contatos, replies e sinais de fumaça de estudantes e profissionais que pretendem entender um pouco mais sobre o uso corporativo das mídias sociais para  benefício próprio ou para agarrar uma oportunidade de trabalho.

Muitos não dispõem de tempo ou verba suficiente para cursar uma graduação ou Pós na área desejada. Para estes, os cursos de curta duração são uma verdadeira “mão na roda” e, não só complementam o currículo, como ajudam estes profissionais a colocar em prática o que aprenderam mais rápido.

Mas quais são as informações necessárias para quem quer contratar um cursinho desses? Como calcular se o custo benefício do curso vale a pena (fora do estado,  alguns cursos exigem investimento em passagem, hospedagem e alimentação para, muitas vezes, não atender às suas expectativas)?

Seguem alguns tópicos que podem na ajudar a sua escolha:

- Quem serão seus professores?

Dê um google no nome do cidadão, procure por suas informações no linkedIn, saber se possui blog ou outras redes sociais. É comum que os professores produzam materiais entre palestras e artigos para disseminar entre seus alunos e leitores. Assim, você já saberá se o estilo do docente lhe agrada. Abaixo, tentei descrever um perfil básico de professores que atuam hoje no mercado (é lógico que você encontrará CEOs acadêmicos, Jornalistas especialistas e Publicitários whatever…):

- Histórico profissional dos docentes:

Não foi à toa que citei o linkedin como uma ótima fonte para avaliar o histórico do profissional que possivelmente será seu professor. Mas se ele não tiver linkedin, não tem problema. O currilo lattes também é uma plataforma muito utilizada pelos acadêmicos. No mais, acesse o site de sua agência ou cases os quais ele tenha participado. Isso lhe ajudará a coletar perguntas pertinentes para fazer dentro e fora de sala de aula.

- A carga horária atende as suas necessidades / expectativas?

Os cursos de curta duração são excelentes para quem desenvolve projetos sozinho ou está prestes a pôr a mão na massa gerindo perfis e blogs corporativos. No entanto, cuidado com cursos que prometem milagres em poucas horas. O aprendizado em mídias sociais é longo e contínuo. Existe muita literatura sobre o assunto e situações que só a rotina de planejamento e execução irão resolver.

- Preciso ter formação em Comunicação ou Marketing para participar?

Não, mas é bom. Se a formação ou a prática do seu professor for em Marketing ou Publicidade, espere ouvir muito sobre isso. Muitas vezes são usados termos ou temáticas corriqueiras para estes profissionais em sala de aula, portanto, aqueles que não têm conhecimento anterior podem se sentir perdidos. Vale procurar um cursinho sobre Comunicação empresarial ou Comportamento do consumidor para complementar seu aprendizado.

Dicas finais:

a) Não esqueça de pedir opiniões para amigos que já fizeram os cursos.

b) O professor vai lecionar sobre gestão de mídias sociais e não possui perfil em redes sociais? É bom averiguar…

c) O professor vai lecionar sobre uma área a qual não tem experiência? Pesquise ou peça links sobre o material que ele já produziu sobre o tema.

Instituições que recomendo no Rio de Janeiro (ordem alfabética):

ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing

Idigo – Núcleo de Inteligência Digital

Igec-FachaEm junho, primeira turma do Curso Prático de Redes Sociais, no qual os alunos irão criar, planejar e executar um projeto nas plataformas sociais.

Infnet – Instituto Infnet

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