01/07/12
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Compartilhar o que se assite na TV nas redes sociais já se tornou um hábito para a maioria do jovens, mas só agora alguns institutos de pesquisa estão acompanhando o fenômeno e gerando dados para o futuro da televisão.
Um estudo recente da agência Digital Clarity mostrou que 80% dos adultos com menos de 25 anos usam uma “segunda tela” pra se comunicar com os amigos, enquanto assistem TV e 72% usam twitter, facebook ou aplicativos mobile para comentar o que estão assistindo, segundo matéria do site BBC.
De acordo com uma pesquisa da Nielsen Mobile, mais de 85% dos usuários de PC e smartphones acessam a internet enquanto assistem TV. Não encontramos dados sobre a amostragem da pesquisa, por isso, os dados são diferentes (talvez complementares) aos dados da pesquisa Clarity.
Detalhes que merecem destaque:
- Apenas 24% estão olhando o conteúdo da TV na internet
- 56% estão mandando mensagem para famílias e amigos
- 40% estão nas redes sociais
- 37% estão vendo conteúdos não relacionados.
No Brasil, a “tendência” (que é vista todas as noites do horário nobre da TV no Trending Topics do Twitter), não é diferente. Um estudo do IBOPE Nielsen Online revela que 43% dos usuários brasileiros da web navegam e veem seus programas favoritos ao mesmo tempo pela TV.
Uma mídia não está substituindo a outra e nem os índices da televisão têm quedas de ibope significativas para temer o fenômeno, que já chamado por especialistas como “dual screen users” – no português, usuários de duas telas ou tela dupla.
No Brasil, as telenovelas são o alvo preferido dos usuários dual screen. Em segundo lugar, as notícias e, depois, filmes e transmissões esportivas completam o ranking das programações mais comentadas nas mídias sociais – Isso sem falar do Big Brother Brasil, um caso a parte, que merece um post específico.
Um dado interessante é que 60% dos entrevistados afirmam ter este comportamento (assistir TV e compartilhar comentários nas redes sociais) todos os dias. Ao contrário do que se pensa, a tendência é termos uma TV mais Social e com funcionalidades que permitam acessar e compartilhar o que estamos assistindo diretamente para as redes sociais.
Em 2009, a aposta dos pesquisadores era uma “one screen”, que permitisse tudo isso. Leia o artigo escrito para a Pós-graduação de Mídias Digitais sobre TV Digital e tire suas próprias conclusões.
TV Digital: uma experiência interativa ou uma TV com mais cores?
23/09/11
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O último relatório do instituto ComScore sobre a ascensão das redes sociais na América Latina aponta que 90,8% dos brasileiros que acessam a internet acessam redes sociais. Mas o que isso significa para planners, criativos, empreendedores e clientes?
1. Isso significa que a ascensão das redes sociais no Brasil é um caminho sem volta.
2. Isso significa que o marketing em mídias sociais continuará a ser a cereja do bolo nos planejamentos digitais por um bom tempo.
3. Isso também significa dizer que cada vez mais empresas irão se conscientizar da importância de interagir com seus consumidores on-line.
4. Isso também pode afirmar que oportunidades de trabalho junto ao marketing digital continuarão sendo abertas…
As conclusões parecem precipitadas, mas não podemos deixar de afirmar que o crescimento do mercado é uma tendência. Segundo o infográfico do Mashable, o Brasil tem apenas 37,8% da população conectada e os brasileiros já são fãs incondicionais das redes sociais.
O brasileiro é plural e se adapta rapidamente a novas redes sociais on-line. A prova disso são redes como Tumblr e Linkedin no TOP10. A surpresa da imagem que segue abaixo é ver a companhia Vostu, responsável pelos jogos Megacity e Café Mania, sendo citada como rede social. No site da companhia não encontramos informações que expliquem essa inclusão no Top10 Brasil.

Como sempre, os institutos de pesquisa e canais de comunicação se confundem na hora de elencar as principais redes sociais. A falta de critério do que é ou não é uma rede de relacionamento já deu origem a outros posts meus sobre o assunto. Uma prova dessa confusão é o ranking do infográfico do Mashable que inclui Blogger e WordPress na lista.

O que o relatório da ComScore apontou sobre a briga Orkut X Facebook:
• No Brasil, o Orkut foi a rede de relacionamento mais visitada, alcançando 35,7 milhões de visitantes, Isso significa que o Orkut cresceu em visitas 20% em relação a Junho de 2010.
• Enquanto isso, o Facebook obteve um crescimento de 192%, alcançando em números absolutos 24,5 milhões de visitantes.
• Há uma intersecção de usuários no que diz respeito aos acessos. Cerca de 20 milhões de pessoas que acessaram o Orkut também acessaram o Facebook, sendo possível concluir que há mais uma divisão de atenção do que um possível processo migratório.
• Ainda assim, os usuários do Orkut no Brasil são mais participativos do que no Facebook. Um visitante médio do Orkut passou 4,3 horas no site em Junho de 2011, enquanto um visitante do Facebook passou 1,6 hora durante o mês.
O relatório ainda mostrou que no Brasil, as mulheres somaram 58,7% de todo o tempo gasto em redes sociais. Pesquisas anteriores já provaram que as mulheres são as que mais interagem e participam de processos de decisão de consumo de toda a família. A diferença entre gêneros nas redes sociais on-line pode parecer pequena, mas o consumo de produtos de higiene pessoal e cosméticos movimentou, somente em 2010, 37,4 bilhões de dólares no Brasil e marcas como Avon, Boticário e L’oreal Paris já possuem perfis nas principais redes sociais on-line para se comunicar com suas consumidoras.
01/06/11
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Começar um texto falando da Raquel sem fazer com que ele transborde de elogios é difícil, mas eu prometo que vou tentar.
Conheci o trabalho da Raquel em 2006, quando ainda pesquisava sobre a monografia. Pouquíssimos pesquisadores no Brasil tinham artigos consistentes sobre o Orkut na época e eu precisava de boas referências para que meu orientador não me fizesse mudar de tema.
Pesquisando em fóruns como e-Compós e Google Acadêmico, encontrei não só artigos os acadêmicos, como também, os blogs da Raquel e do Alex Primo, daí em diante, me apaixonei pelo tema e o resto da história vocês já sabem.
Raquel Recuero é Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, professora, blogueira, pesquisadora e colaboradora do Center for Society and Cyber Studies e do Digital Media and Learning Research Hub (ela posta lá com a Danah Boyd e com o Howard Rheingold – morra de inveja!). Também é autora dos livros Redes Sociais na Internet e Métodos de pesquisa para internet. E, como se não bastasse, tem um currículo lattes que te faz acreditar na possibilidade real de que os clones existam nesta terra.
Se existe uma verdadeira especialista em redes sociais no Brasil, essa é a Raquel. E eu tive a grata oportunidade de escolher sete perguntas sobre redes sociais e interações no ciberespaço, as quais você pode ler abaixo:
- Em que ano foi o seu primeiro artigo sobre redes sociais on-line e qual era a sua relação com elas na época?
Meu primeiro trabalho foi em 2004, mas meu interesse começou com as primeiras matérias a respeito do Orkut, no final de 2003. Eu me interessava por redes sociais que eram construídas entre blogs, nos relacionamentos construídos nos comentários. Foi daí que começou a minha percepção da rede de interação, que era construída pelas conversações nessas ferramentas. Eu era uma usuária disso tudo também, o que constribuiu muito para a minha percepção de valor das ferramentas. Daí comecei a estudar também ferramentas que eu não usava ativamente, como o Fotolog e outras.
– Qual foi, na sua opinião, a principal mudança do Fotolog pra cá?
Olha, acho que aconteceu uma popularização do conceito, e uma maior percepção da relevância dessas redes. Em termos de sistemas, acho que sites ficaram mais abrangentes e passaram a incorporar elementos que já existiam na apropriação dessas ferramentas iniciais, como as narrativas do eu nos perfis, os espaços de interação e etc.
- Acredita que o Orkut teve um papel cultural no aprendizado do brasileiro em se socializar on-line?
Oh sim. Acho que o Orkut foi emblemático não apenas para o Brasil em termos de inclusão digital, mas igualmente em termos de uso da Internet para o social. A importância do Orkut é muito maior do que as pessoas realmente percebem.
- Qual é a sua opinião sobre o Facebook pagar usuários para assistirem seus anúncios?
Acho uma iniciativa interessante. A questão é como vai se dar a apropriação dela. Talvez muitos passem os anúncios, mas não necessariamente dêem atenção a eles.
- Quais são seus livros de cabeceira sobre cibercultura?
Posso citar um livro que não tem nada a ver com cibercultura? Minha leitura mais inspiradora na questão do estudo das redes sociais foi o livro “Pattern Recognition” do William Gibson. Na época, me ajudou a ver muitas coisas. Inclusive, a frase “human beings are about pattern recognition” virou a epígrafe da minha tese. Cibercultura, especificamente, no Brasil, é o livro do André Lemos, que praticamente inaugurou a área e que é leitura obrigatória.
- A entrada (por vezes, invasão) das marcas como personas nas redes sociais on-line te incomoda?
Não. Eu sou bastante restrita com relação a atenção, meu valor mais precioso. Bloqueio e fim.
Que conselhos daria a um jovem profissional de marketing digital?
Olha, acho que se vc quer trabalhar com o digital, precisa estar nele, entender seus usos, valores e apropriações. A coisa mais importante é estar lá.
Raquel, já agradeci imensamente não só a sua entrevista, mas todo conteúdo produzido durante esses anos. Não custa mais uma vez: obrigada!
21/05/11
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Embora muita gente boa tirasse um sarro da cara do ex-presidente Lula quando ele mandava a expressão “Nunca antes na História desse país…”, parece que o mesmo tipo de retórica é muito mais comum (e aceita) na nossa área de Social Media.
Orientando e revendo trabalhos de alunos, não era incomum ver as seguintes expressões pomposas iniciando os trabalhos: “A Internet mudou radicalmente a comunicação na atualidade”, “A Revolução das Mídias não tem precedentes na História” ou, pior, “a Web veio para revolucionar a comunicação na contemporaneidade” (essa última é sensacional).
O problema, contudo, em enxergarmos os atuais acontecimentos da tecnologia como constantes revoluções na vida das pessoas é que esse caminho, invariavelmente, leva a uma série de concepções perigosas para qualquer analista. E, já que estamos falando de História, vamos aprofundar mais um pouco nesse tema.
A prensa
Um livro que recomendo sem a menor dúvida para todos que me pedem alguma ajuda é a obra-prima de Asa Briggs e Peter Burke: Uma História Social da Mídia. Em meio a leituras muitas vezes chatas que temos que fazer, esse livro é uma preciosidade, tanto do ponto de vista de conteúdo quanto de estilo. É uma leitura agradável, interessante e, ao mesmo tempo, profunda e instrutiva.
Algumas das coisas que Briggs e Burke falam nos interessam aqui. Primeiro: eles recontextualizam a invenção e difusão da prensa, desde Gutenberg até meados do século XIX. Isso é importante porque nos acostumamos a ver a Prensa de Gutenberg mais como um fato histórico, como valor exemplificativo das grandes revoluções da comunicação, e esquecemos de como o contexto social foi fundamental para as diferentes formas de adoção ao redor do planeta. Segundo: eles tiram a (falsa) ideia comum que esse processo foi gradual e linear, sem grandes complexidades. Ao contrário: a prensa foi vista como uma das invenções mais perigosas de sua época por muitos governantes.
Claro que a difusão da prensa revolucionou o conhecimento – isso realmente é algo indiscutível. Mas quando começamos a olhar para esse cenário, vemos que não só o “conhecimento” se modificou, como também foi criado todo um mercado em torno dele.
Se, na Idade Média, a ideia de “direito autoral” era algo praticamente inconcebível, algo diverso começa a ocorrer a partir do século XVI. Governantes passaram a conceder privilégios de publicação exclusiva para algumas pessoas e, com o tempo, essa doutrina foi evoluindo para algo mais próximo do que temos hoje como direito do autor (não só de ser reconhecido enquanto tal, mas de ganhar dinheiro pela exploração disso).
Do ponto de vista econômico, entretanto, o copyright foi uma engenhosa criação para transformar algo intangível (a informação) em algo exclusivo, cuja exploração era equivalente a um monopólio artificialmente criado – pois mesmo no século XVIII nada te impedia, fisicamente, de imprimir uma cópia pirata de um livro, exceto a Lei.
Toda uma estrutura de mercado é montada aos poucos: impressores, editores, revisores, tradutores, autores, livrarias, governos, etc. Todo esse ecossistema vai se consolidando com o passar dos séculos, com a finalidade de se proteger um modelo específico de proteção da propriedade intelectual – discussão essa que continua até hoje.
O telefone
O telefone também foi outra invenção que mudou bastante as estruturas de comunicação de sua época. É interessante olhar, hoje, para os discursos frequentemente associados a esta nova criação. Padres e pastores ficavam preocupados com o potencial desvirtuamento moral que poderia acontecer, algumas pessoas achavam que era uma obra do diabo e, inclusive, há relatórios das próprias companhias telefônicas preocupadas com a crescente utilização de seus sistemas para “futilidades”. Afinal, o sistema era algo sério, para ser usado no sentido de melhorar a eficiência da comunicação entre empresas – não deveria ser utilizado para troca de fofocas.
Assim como nas ferrovias, a instalação e manutenção (até hoje) de uma rede telefônica convencional é algo que custa muito caro. Muito mesmo. Por essas e outras razões, as comunicações telefônicas são tradicionalmente concedidas pelos governos, que garantem às empresas que realizaram o investimento pesado certos direitos para auferir lucro dessa exploração.
Algumas companhias levavam isso bem a sério. A AT&T chegou a proibir a utilização de acessórios nos aparelhos telefônicos e, inclusive, a processar um cara que criou uma capa para as listas telefônicas, sob a alegação que “as capas iriam reduzir a visibilidade da publicidade, reduzindo a lucratividade da companhia e prejudicando o sistema como um todo”, como contam Hafner e Lyon.
A Internet
A ideia que hoje temos de como a Internet surgiu é um pouco mais romântica que o que efetivamente aconteceu. Embora a sua razão de ser esteja relacionada com a Guerra Fria (a ARPA era uma agência de pesquisas ligada ao Pentágono), não se criou a rede para suportar um evento nuclear, embora essa ideia tenha colaborado no desenho da rede (vide Paul Baran).
A coisa ali era muito mais interessante, até. Como fazer computadores conversarem entre si? Como fazer com que essas caras máquinas pudessem ter sua utilização otimizada? E por aí vai.
O fato é que a Internet (o que veio a ser a ARPANet) acabou saindo do domínio de alguns acadêmicos e burocratas e virou o que é hoje. Claro que significa uma grande mudança de perspectiva na comunicação, principalmente com o alcance e o aumento da capacidade de participação das pessoas. Mas não é por aí que eu quero falar.
Vale a pena também colocarmos um pouco de lado visões românticas sobre o empreendedor digital e sermos mais realistas.
Embora – sim! – haja muito espaço para os pequenos desenvolvedores, o mercado, assim como aconteceu com os livros e com a telefonia, é dominado por um grupo relativamente pequeno de empresas. Quando digo “dominado” falo, em certo sentido, daquelas que efetivamente ditam os padrões do mercado.
Claro que há exceções (honrosas), como o Linux e a Fundação Mozilla (que, contudo, teve pesado financiamento do Google por razões bem menos “humanitárias” que estratégicas). Mas, o grosso da chamada Economia Digital é dominada, sim, por grandes empresas. E – pasmem – as regras da Economia Clássica continuam valendo, em bom grau.
O Google, por exemplo, sequer parece hoje em dia aquela empresa “cool” do final dos anos 90 e início da década de 2000. Está mais parecido com a Microsoft que com a OLPC, por exemplo. Dizer que o Google privilegia o usuário não é uma mentira – mas também não é exatamente a coisa toda. Na verdade, o Google utiliza trilhões de dados dos usuários (como nós) para montar o que é, certamente, um dos melhores e mais atualizados bancos de dados da humanidade. E, claro, vende a preços de mercado esses dados “agrupados e anonimizados” para empresas que desejam atingir seu consumidor.
E, como já diriam os pragmáticos americanos, there’s no free lunch. Você utiliza “gratuitamente” os serviços em troca de seus dados e hábitos na rede. Que são devidamente empacotados e vendidos – com a sua permissão, dada quando você clica em ok naquelas caixinhas que ninguém lê.
A Apple também não é uma santa benfeitora. Steve Jobs controla com mãos de ferro tudo que entra ou sai das plataformas da Apple. São, possivelmente, os sistemas mais fechados atualmente, do ponto de vista de mercado (acho até mais que os da Oracle e SAP). E depois vende a preços módicos toda a sorte de produtos que fazem parte do seu ecossistema.
O Facebook, idem. Talvez até pior. A quantidade de dados que voluntariamente colocamos no Facebook é bizarra. Fotos e fatos sobre nossas vidas e de nossos amigos, nossas preferências musicais, literárias, lugares que visitamos, etc… É um banco de dados para dar inveja a qualquer analista de redes sociais. Fico imaginando qual seria a reação do Stanley Milgram se ele estivesse vivo para ver isso. E, assim como o Google, vende nossos dados, “agrupados e anonimizados” para quem pagar por isso.
E os outros desenvolvedores? E os independentes?
Claro que não sou apocalíptico (e hoje é o dia do Juízo, não?) ou ingênuo de achar que os pequenos não têm papel algum. Só estou chamando a atenção para o seguinte: o céu não é cor-de-rosa ou pintado em tons de Matisse. Está mais para um céu londrino, quase que permanentemente nublado.
Se, por um lado, temos iniciativas sensacionais como o Wikileaks, por outro devemos ficar bastante atentos a outros sinais menos felizes que aparecem por aí. A reação dúbia do Google em relação à censura chinesa, a colaboração de várias companhias de Internet com os serviços de inteligência ao redor do mundo, e por aí vai.
Os pequenos têm, sim, seu lugar. Contudo, assim como na Economia Clássica, não são eles que ditam as regras do mercado. O Google (e seus congêneres) atingiram um ponto crítico em que têm uma quantidade de informações suficiente para desbancar quase que qualquer outro concorrente – nesse sentido recomendo fortemente a leitura do Economia da Informação, do Shapiro e do Varian. Atingiram altos graus em economia de escala e de escopo. Assim como as empresas não-Internet. E, como líderes do mercado, têm um poder de mando muito alto.
É hora, na minha opinião, de pararmos com essa visão infantil de que a Internet mudou tudo – quando, na verdade, apenas deu novos contornos a processos econômicos bastante existentes. O novo usuário tem poder? Sim e não. Ele tem o poder de divulgar informações, mobilização, etc., mas tudo dentro de condutas mais ou menos pré-formatadas, especificadas em cada uma das ferramentas utilizadas.
Como certa vez ouvi um professor de Filosofia pontuar: “você atualmente é livre, pois você pode escolher tudo que você quer ou não no seu BigMac, ou então livre para dizer exatamente como quer ser explorado”. Claro que é uma perspectiva crítica, mas não deve ser descartada.
Espero ter conseguido chamar a atenção para uma visão menos ufanista da tecnologia. Espero ter conseguido mostrar, pelo menos de início, que embora a Internet seja, em si, uma revolução, as regras de mercado a que estamos sujeitos permanecem, em sua essência, quase a mesma coisa. E, parafraseando Bill Clinton, “é a Economia, estúpido”!
Tenham um bom 21 de maio. Vejo vocês amanhã, caso o mundo não acabe. Abraços,
Pedro.