Parece muito cedo para se falar em rankings e panoramas das redes sociais em 2012, afinal, o ano nem bem começou. No entanto, dados de dezembro e janeiro dos institutos ComScore e SemioCast mostram que muitas coisas já mudaram desde o meu último post sobre as redes sociais mais acessadas pelos internautas no Brasil.
Quais são as novidades desde os últimos relatórios veiculados?
• Facebook ultrapassou Orkut em número de usuários, alcançando 36 milhões de usuários únicos em dezembro de 2011.
• Orkut alcançou um crescimento de 5% no ano passado, no entanto, manteve-se com 34 milhões de usuários únicos.
• E Twitter traz a grande novidade em janeiro de 2012, ultrapassando o Japão e se posicionando o Brasil como segundo país a mais utilizar a rede, perdendo apenas para os Estados Unidos. Fechou o mês de janeiro de 2012 com 33 milhões de contas no Brasil.
Detalhes importantes a serem questionados:
Como já dito anteriormente no blog, é preciso analisar dados da pesquisa e amostragem cuidadosamente antes de tirar conclusões precipitadas, como por exemplo: 1) A amostragem do ComScore não considera aferição em lan houses e sabemos que essas são responsáveis por boa parte do tráfego do Orkut o Brasil.
As lan houses são responsáveis por quase 50% dos acessos à internet no Brasil. No Nordeste, este dado chega a 70% dos acessos. Confira esse e outros dados no vídeo realizado pela FGV, Sebrae e Portal do Empreendedor:
2)O Facebook ultrapassa o Orkut somente na região Sudeste do país (que concentra maior quantitativo de acessos). No resto do país, o Orkut ainda é hegemônico. 3) Em dezembro de 2011, 76% dos usuários do Facebook também acessaram o Orkut, segundo a ComScore. O que significa que as plataformas estão sobrevivendo paralelamente. 4) O Twitter apontou uma tendência de crescimento importante, que pode ultrapassar o número de contas cadastradas do Orkut em pouco tempo.
Conclusões:
• Quando dizemos que o facebook é maior do que o Orkut, ainda entendemos que é uma ultrapassagem regional e não nacional, por mais que a região sudeste concentre usuários.
• Sem a aferição de lan houses jamais teremos certeza dos dados de acesso às plataformas sociais no Brasil, haja visto o quantitativo de usuários de lan houses no país.
• O Brasileiro vem se habituando a trocar informação em múltiplas plataformas, separando amigos por grupos ou interesses.
“Enquanto as marcas se engalfinham para serem as rainhas do Twitter, a cabeça das pessoas está na maneira ideal de criar melhor seus filhos”
Quantas pessoas você conhece que têm uma renda famíliar entre R$1.115,00 a R$4.806,00? Poucas? Muitas? Seus vizinhos? Seus primos? Pois é, eles fazem parte da Classe C, segundo os critérios da Fundação Getúlio Vargas. Eles não são ET’s, eles possuem smartphones, eles têm computador em casa e são seus amigos no Facebook. Eles estão cursando a graduação e já vislumbram tirar férias em Buenos Aires no próximo verão.
E por que as agências estão tão preocupadas com isso (e você também deveria estar)?
Existe um mito em torno da Classe C, uma visão errônea de consumidores de baixa renda e baixo poder de consumo.
Muitas vezes, o mito circula dentro das agências, dentro das empresas e na confecção de briefings. Zilhares de produtos e serviços se posicionam como AB, quando a classe C é a principal consumidora dos mesmos. Isso gera falhas na comunicação e baixa adesão nos canais, quando o foco vai para um público errado.
A Classe C já atinge cerca de 50% da população, o equivalente a 100 milhões de cidadãos do nosso país. As mulheres ultrapassam os 50 milhões e têm grande poder de decisão sobre as compras da família.
71% dos integrantes da Classe C planejam antes o que vão comprar, portanto, a internet se tornou uma ferramenta decisiva no processo de decisão de compra, seja nas buscas ou nas redes sociais. Essas pessoas vão buscar recomendações confiáveis sobre o custo-benefício, formas de parcelamento e prazo de entrega desses produtos.
Não é à toa que os clubes de compra coletiva são um sucesso estrondoso no país, reflexo da grande massa que consome via web. Estes sites apresentam ofertas e benefícios claros ao consumidor que está buscando pelo melhor preço.
Em resumo:
Concordo com a visão do vídeo que fala enfaticamente sobre a busca de propósitos, mas vou além: busque benefícios para a vida das pessoas. A recomendação gera mais conversão e resultado nas ações de mídias sociais do que apenas números. Abaixo, #ficadica de uma apresentação muito interesse sobre as mulheres da Classe C.
O último relatório do instituto ComScore sobre a ascensão das redes sociais na América Latina aponta que 90,8% dos brasileiros que acessam a internet acessam redes sociais. Mas o que isso significa para planners, criativos, empreendedores e clientes?
1. Isso significa que a ascensão das redes sociais no Brasil é um caminho sem volta.
2. Isso significa que o marketing em mídias sociais continuará a ser a cereja do bolo nos planejamentos digitais por um bom tempo.
3. Isso também significa dizer que cada vez mais empresas irão se conscientizar da importância de interagir com seus consumidores on-line.
4. Isso também pode afirmar que oportunidades de trabalho junto ao marketing digital continuarão sendo abertas…
As conclusões parecem precipitadas, mas não podemos deixar de afirmar que o crescimento do mercado é uma tendência. Segundo o infográfico do Mashable, o Brasil tem apenas 37,8% da população conectada e os brasileiros já são fãs incondicionais das redes sociais.
O brasileiro é plural e se adapta rapidamente a novas redes sociais on-line. A prova disso são redes como Tumblr e Linkedin no TOP10. A surpresa da imagem que segue abaixo é ver a companhia Vostu, responsável pelos jogos Megacity e Café Mania, sendo citada como rede social. No site da companhia não encontramos informações que expliquem essa inclusão no Top10 Brasil.
Como sempre, os institutos de pesquisa e canais de comunicação se confundem na hora de elencar as principais redes sociais. A falta de critério do que é ou não é uma rede de relacionamento já deu origem a outros posts meus sobre o assunto. Uma prova dessa confusão é o ranking do infográfico do Mashable que inclui Blogger e WordPress na lista.
O que o relatório da ComScore apontou sobre a briga Orkut X Facebook:
• No Brasil, o Orkut foi a rede de relacionamento mais visitada, alcançando 35,7 milhões de visitantes, Isso significa que o Orkut cresceu em visitas 20% em relação a Junho de 2010.
• Enquanto isso, o Facebook obteve um crescimento de 192%, alcançando em números absolutos 24,5 milhões de visitantes.
• Há uma intersecção de usuários no que diz respeito aos acessos. Cerca de 20 milhões de pessoas que acessaram o Orkut também acessaram o Facebook, sendo possível concluir que há mais uma divisão de atenção do que um possível processo migratório.
• Ainda assim, os usuários do Orkut no Brasil são mais participativos do que no Facebook. Um visitante médio do Orkut passou 4,3 horas no site em Junho de 2011, enquanto um visitante do Facebook passou 1,6 hora durante o mês.
O relatório ainda mostrou que no Brasil, as mulheres somaram 58,7% de todo o tempo gasto em redes sociais. Pesquisas anteriores já provaram que as mulheres são as que mais interagem e participam de processos de decisão de consumo de toda a família. A diferença entre gêneros nas redes sociais on-line pode parecer pequena, mas o consumo de produtos de higiene pessoal e cosméticos movimentou, somente em 2010, 37,4 bilhões de dólares no Brasil e marcas como Avon, Boticário e L’oreal Paris já possuem perfis nas principais redes sociais on-line para se comunicar com suas consumidoras.
Enquanto a morte do Orkut vem sendo declarada a quatro ventos pelos alarmistas do mercado, marcas como Coca-Cola, Itaú, Nike e Casas Bahia investem um bom aporte em comunidades patrocinadas e ações na comunidade Ao vivo – o atual lançamento de sucesso da rede.
Frente a guerra pela audiência com o Facebook, e ainda distante de lançamentos mega recentes como o Google+, o Orkut ainda reina absoluto como a maior rede social digital do país, com mais de 40 milhões de usuários (ou seriam 28?), e vem se tornando cada vez mais amigável como ambiente corporativo.
Em 7 anos desde o seu lançamento, muita coisa mudou não só na rede social, mas também no comportamento dos usuários. Em 2009, por exemplo, 17% dos usuários do Orkut (em pesquisa contratada pelo Google) conheciam mas não usavam o Facebook, assim como você pode conferir neste vídeo do Gerente de Marketing do Google, Valdir Leme.
De 2009 para cá, também mudaram os resultados no Analytics para aqueles que utilizavam a rede como principal canal para a tática de seeding. Houve uma percepção de queda na interação das comunidades que fez com que muitos Analistas de Mìdias Sociais dessem a rede como pouco interativa e voltasse seus olhares para o Twitter e, posteriormente, o Facebook que agora é visto como principal concorrente da rede.
Com objetivo de esclarecer as minhas, as suas e as nossas dúvidas – e deixando um pouco de lado os achistas de plantão – entrevistamos Valdir Leme, que desde 2008 trabalha diretamente com Orkut. Leme nos falou um pouco sobre segmentação de público, dados inéditos do Ao Vivo, a integração com a marcas e, até mesmo, a possibilidade de geração de relatórios para as ações patrocinadas na rede.
O que podemos concluir com a entrevista de Leme? Que a dinâmica das redes sociais digitais é mutável e sempre será. O Orkut ainda dá grandes resultados como mídia e como rede social digital, basta se debruçar sobre ele sem preconceitos, mergulhar na cabeça dos consumidores, ter bons planejadores na equipe e um pouco de verba pra trabalhar – que nunca fez mal a publicitário algum.
E só pra lembrar a quem pode ter esquecido: ainda temos 50% dos cidadão brasileiros para acessar a web. Deixem para declarar morte aos canais quando tivermos, pelo menos, 80%.
- Como se classifica a audiência do Orkut por classe social, atualmente? Há rumores de que o público-alvo da rede tenha mudado e se concentrado nas Classes C, D, E.
Na verdade o Orkut no Brasil é atualmente a rede social com maior diversidade entre Classes Sociais. Podemos relacionar a audiência do Orkut, em território nacional, com a novela do horário nobre, já que atinge todas as Classes Sociais do país.
- Como vocês se enxergam frente ao crescimento da audiência do facebook no Brasil?
Segundo dados recentes da ComScore o Orkut possui cerca de 70% de alcance nacional, em outras palavras, 70% dos internautas brasileiros estão no Orkut. Outro dado importante neste estudo relata que o Orkut é a maior rede social no Brasil em número de usuários – cerca de 43 milhões de usuários ativos no país.
- Conte um pouco sobre a estratégia do Orkut Ao Vivo. Como você avalia as duas primeiras ações na comunidade?
O Orkut Ao Vivo é uma comunidade que transmite entrevistas exclusivas, em tempo real, com diversos tipos de personalidades (músicos, artistas, apresentadores, etc). A oportunidade do fã estar mais perto do seu ídolo é um dos motivos do sucesso que obtivemos a partir do lançamento, em maio de 2011. Além disso, os fãs podem interagir com os entrevistados por meio de perguntas enviadas dentro da comunidade ou hashtag #OrkutAoVivo divulgada dias antes das entrevistas na comunidade.
Abaixo, alguns dados de destaque:
A comunidade do Orkut Ao Vivo (www.orkut.com.br/AoVivo) foi lançada dia 1 de maio de 2011. Em menos de 7 dias atingiu mais de 5 milhões de membros.
Após 5 dias presente na comunidade do Orkut Ao Vivo, o vídeo da primeira música do DVD da Pitty obteve mais de 940.000 views
Nos 10 dias que antecederam a entrevista ao vivo com a Pitty, geramos 798.000 interações com os membros da comunidade do Orkut Ao Vivo, via tópicos e enquetes
A hashtag manteve-se como #2 nos trending topics do Twitter por mais de 3 horas, começando 30 minutos antes da entrevista
Após essa ação, o brand channel da Pitty teve crescimento de +70% em views e +71% em subscribers
- Como você vê o interesse das marcas em se relacionar com seus clientes através do Orkut?
Podemos citar o sucesso das comunidades da Nike Futebol, Coca-Cola e Casas Bahia, por exemplo, sendo que o número de usuários na comunidade da rede varejista aumentou em quase 20 vezes após a oficialização. Já a comunidade da Coca-Cola, recém-lançada conta com 527 mil membros (criada no início do mês de Junho de 2011). A diversidade é tão grande que até times de futebol como Palmeiras, Santos e Corinthians possuem comunidades oficiais.
- Existe algum projeto ou previsão de criar páginas ou relatórios que possam mensurar a interação entre marca e cliente, como o fazem as Fan Pages (facebook)?
Os clientes que possuem comunidades patrocinadas recebem um relatório que mensura acessos e interações na comunidade.
- A ferramenta Promova sofrerá alguma alteração este ano?
Não comentamos sobre o futuro dos produtos e/ou lançamentos futuros. Constantemente produtos e serviços são lançados pelo Google, você pode acompanhar as notícias por meio do blog do Orkut. Podemos dizer que a ferramenta é um sucesso entre os usuários, gerando maior interação entre eles.
- Existem mais novidades para 2011 que já podem ser reveladas ao público?
O Orkut Ao Vivo é uma das novidades recém-lançadas pelo Orkut. Mas é claro, sempre estamos trabalhando em novas funcionalidades para melhorar a experiência do usuário com a plataforma.
Agradecimentos pela entrevista: Google Brasil, Valdir Leme, Marcello Hardt, Carol Terra e Agência Ideal.
“Um glossário é uma lista alfabética de termos de um determinado domínio de conhecimento com a definição destes termos. Tradicionalmente, um glossário aparece no final de um livro e inclui termos citados que o livro introduz ao leitor ou são de incomuns”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/glossário)
Utilizamos definições de marketing digital em referenciamento de trabalhos acadêmicos, palestras, aulas, consultorias, debates pelo twitter e, inclusive, para conhecimento próprio. Nem sempre as definições que encontramos são as mais adequadas às nossas necessidades, mas elas nos ajudam a esclarecer dúvidas, trazer insights e aprimoram as nossas pesquisas. Pensando nisso, desde a concepção deste blog, decidi criar um glossário com os principais termos utilizados em marketing digital.
Infelizmente, os verbetes da wikipedia para a nossa área, em língua portuguesa, são muito pobres. Isto pode ocorrer por que existem muitos termos em inglês. Independente disso, precisamos lembrar que eles são jargões do mercado e não precisam ser necessariamente traduzidos para o nosso idioma.
Enfim, iniciei a jornada de criação deste glossário há algumas semanas e estou abrindo o mesmo, inicialmente, com 25 termos. Tenho mais 25 em edição para colocar no ar em breve. Espero que vocês curtam, aproveitem, utilizem quantas vezes for necessário e recomendem a amigos. Este blog está disponível sob a licença creative commons, então, só não esqueça de linkar a página http://missmoura.com/glossario quando a utilizar.
Aproveitando, deixo o link de um glossário de Marketing de Busca para vocês. Se conhecerem outros glossários interessantes e relacionados com Comunicação e Marketing digital, por favor, indiquem nos comentários.
Como acadêmico, percebi que não apenas se ganha o título de Mestre ou Doutor após uma pós stricto sensu. Você também ganha o título de chato. Você vira um pé no saco ao questionar coisas que, até aquele momento, eram claras e evidentes. Ao criticar coisas que todo mundo concorda, você quase se torna persona non grata em algumas rodas de discussão.
Por um lado, acredito que esta é a função de uma pós-graduação decente. Incentivar o aluno a continuamente questionar, especialmente o questionamento de coisas que, até aquele momento, eram tidas como verdades absolutas. Que o diga Galileu. Ou então Sócrates.
Mas, assim como Sócrates, você está arriscado a colecionar inimizades. Tenho sorte de, pelo menos, até o presente momento esse não ter sido exatamente o caso – pelo menos não serei condenado a tomar cicuta. Menos mal.
Aproveito então esse espaço para bater numa tecla que, a princípio, todo mundo sabe que é importante, mas o cotidiano muitas vezes nos leva a proceder de modo diverso ao que aprendemos. Falo de como normalmente nossa área recebe as pesquisas publicadas.
Lembro bem quando, ainda em 2009, após a defesa da dissertação de mestrado, a assessoria de imprensa do Coppead entrou em contato comigo para que eu falasse sobre a minha pesquisa. Passei quase 40 minutos ao telefone, explicando tudo que a profissional havia pedido. Tentei traduzir para uma linguagem simples algumas das coisas mais legais que havia visto e concluído. Minha dissertação, iniciada em 2007, era sobre o Second Life (lembra?), e minha pergunta era basicamente acerca da reação dos ‘avatares’ em relação às iniciativas das empresas dentro da plataforma. Sim… Porque naquela época havia uma profusão de consultorias especializadas em colocar sua empresa no Second Life; achei estranho e curioso, contudo, que ninguém tivesse pensado em, talvez, saber se as pessoas lá dentro realmente estavam dispostas a interagir com as marcas. Ao contrário do que achava inicialmente (que haveria uma reação negativa à presença das marcas), o resultado preliminar foi pior – para as empresas: os avatares entrevistados simplesmente não ligavam para isso. Completa indiferença. Foi uma pesquisa que utilizou uma perspectiva qualitativa de coleta de dados. Pela existência de pouco material para embasar uma pesquisa quantitativa e, também, pela natureza da minha pergunta e dos objetivos, optei por realizar entrevistas dentro do Second Life (através do meu avatar, claro!).
Algum tempo depois, vejo uma publicação no Jornal O Globo comentando sobre os resultados da minha pesquisa. Foi uma menção rápida. Porém, por algum desvio de comunicação, o jornalista disse que eu havia concluído mais ou menos o seguinte: “90% das iniciativas empresariais do Second Life falhavam em menos de 1 ano de operação” (ou algo parecido, não lembro o texto exato – mas o teor era esse).
Primeiro ponto: não concluí isso. Esse dado é oriundo de uma pesquisa feita nos EUA que, por relevância acadêmica, foi incluída e analisada na minha revisão de Literatura. Segundo: eu não fiz essa pesquisa. Imagina! Poderiam até me acusar de plágio por isso. Terceiro: o objetivo da minha pesquisa não era esse. Quarto: eu não tinha como concluir isso com os dados que coletei.
Uma pessoa comum que lesse a notícia certamente não teria ideia desse caminho tortuoso. De entrevistas em ambientes virtuais de uma pesquisa destinada a conhecer percepções sobre marcas acabou virando um dado numérico acerca de sucesso de empresas. Uma transformação e tanto!
Entretanto, meus caros, é muitas vezes esse o tipo de dados a que somos expostos no cotidiano profissional. Como acadêmico, nós temos trezentas mil matérias de metodologia, destinadas a, primeiramente, ajudar a separar o joio do trigo. Ajudar a entender um pouco melhor como as pesquisas foram feitas, em que contexto, por quem, etc.
Os dados que normalmente recebemos, contudo, costumam ser lindos. “34% dos usuários da plataforma X acham Y” ou “59% das mulheres brasileiras não usam o programa Z”. Como a fonte principal de informações desse tipo acaba sendo representada por press releases ou congêneres, o leitor fica na triste situação de não ter sequer como checar como esses dados foram produzidos. Não é muito costumeiro entre nós a checagem da metodologia empregada, quanto mais o acesso aos dados utilizados.
Instituições mais renomadas costumam ter metodologias pelo menos um pouco mais claras e também apresentam mais cuidados na exposição dos resultados. Outras, contudo, não têm a mesma precaução.
Qual o problema disso?
Bem. 140 caracteres costumam ser insuficientes para se dar uma ideia do método empregado. E, ainda, muita gente no mercado não teria capacidade técnica para interpretar uma boa parte do que é publicado – tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Quantitativamente falando, um desconhecimento de princípios básicos de Estatística, necessários para se analisar qualquer coisa em pesquisas do gênero. Qualitativamente falando, um desconhecimento de princípios básicos de Ciências Sociais, que pode levar a distorções na interpretação dos dados.
Infelizmente, a maior parte dos cursos “práticos” do mercado tende a deixar essa questão de lado – ou, na melhor das hipóteses, relegada a um segundo plano, normalmente odiada pelo jeitão técnico que normalmente permeia a área.
E as publicações também costumam ser econômicas ao explicar a metodologia empregada, talvez por medo de replicação – embora qualquer pessoa alfabetizada com o mínimo de boa vontade possa aprender isso em uma biblioteca ou na Internet. Não defendo, contudo, que as publicações de pesquisas na nossa área incluam aquela linguagem críptica, digna dos Illuminati, em seus press releases. Não! Mas acho que um pouco mais de abertura faria bem.
Pretendo deixar aqui algumas dicas para você evitar ser levado por números mágicos e interpretações “heterodoxas” dos dados:
1) A pesquisa tem um sentido político. Somos animais políticos, não? Então. Questões como quem encomendou a pesquisa e com que propósito podem ajudar muito na interpretação de seus resultados. Isso não significa que devamos descartar qualquer coisa patrocinada por uma grande empresa ou então por uma ONG Ultra-alguma coisa. Existe coisa muito valiosa em vários white papers por aí, inclusive. Isso significa que devemos sempre ter em mente qual o sentido político da pesquisa.
2) A pesquisa tem data, hora e local. A sociedade muda, não? Então. A pesquisa reflete alguma coisa de algum grupo social investigado. Mas isso também é restrito pelo momento e local de coleta dos dados. Uma pesquisa que diz “59% das mulheres brasileiras não usam o programa Z” deveria levantar as seguintes considerações pelo analista: o instituto entrevistou todas as mulheres no Brasil? Como isso é impossível, então devemos indagar acerca da representatividade estatística da amostra. Exemplificando. Imagine que você more numa cidade X e deseja saber acerca dos hábitos de utilização de Internet pelas mulheres da região. O que você pode fazer? Bem, uma solução viável seria a elaboração de um questionário, contendo perguntas que efetivamente representem o que você deseja saber. Aplicar esse questionário em um número y de mulheres na região, divididos de acordo com critérios estatisticamente aceitos. Coletar os resultados, tabular tudo isso e jogar num software estatístico, que irá cuspir um resultado. Por que esse trabalhão todo? Por que não posso simplesmente fazer entrevistas com vinte mulheres da região e descobrir o hábito de Internet delas?
A resposta é: sim, você pode! Mas o problema passa a ser o tipo de interpretação que esses seus dados darão suporte. Se você entrevista 20 mulheres da sua região (que, digamos, tem 30000 mulheres), parece duvidoso que esse grupo escolhido por você represente adequadamente o pensamento de todas, não?
Para você poder inferir determinadas coisas, a partir de um grupo pequeno (amostra) para a população estudada, há a necessidade de controle estatístico desse processo. Caso contrário, você estará fazendo uma inferência errônea, que muito possivelmente não representará o “hábito de consumo das mulheres da região” – seu objetivo inicial.
3) Saiba as limitações dos métodos. Há uma impressão muito equivocada no mercado, a impressão que pesquisas com números são mais “sérias” que pesquisas sem eles. Não poderia haver nada mais absurdo que isso. Primeiro: toda pesquisa feita com métodos consistentes, de acordo com princípios éticos e com coleta e interpretação de dados adequada é, a princípio, séria. Independentemente de seus resultados serem numéricos ou não.
O que acontece é que os métodos têm suas limitações. E é importante que você as conheça. Muito importante mesmo.
Pesquisas de cunho quantitativo tendem a ser utilizadas quando se quer ter uma visão mais geral, mais panorâmica. Se eu desejo saber a opinião de um grande grupo de pessoas sobre um tema, talvez valha mais a pena utilizar questionários e outros instrumentos correlatos para descobrir isso. De acordo com técnicas estatísticas, será possível, com certa margem de segurança, dizer que aquele resultado, obtido com uma amostra da população, representa satisfatoriamente a opinião que eu busco.
Um exemplo bem fácil disso são as pesquisas de intenção de voto. É impraticável perguntar a cada brasileiro que irá votar a sua intenção (isso só se mostra possível na votação em si). Assim, os institutos de pesquisa costumam entrevistar determinadas pessoas de determinados grupos Brasil afora para tentar ter uma ideia dessas intenções. A margem de erro indica que, mesmo com todas as precauções tomadas, não há, ainda assim, como garantir que aquele resultado realmente seja “exato”. Mas é uma boa aproximação da realidade.
Pesquisas de cunho qualitativo, por sua vez, tendem a ser utilizadas quando se quer saber em profundidade alguma coisa. Em detalhes. E detalhes, como vocês sabem, são importantes. Imagine o caso acima, da pesquisa política. O instituto só tem como saber (de mim) aquilo que me foi perguntado. Se eu vou votar no candidato X, mas eu acho que o partido dele é uma droga e tenho uma propensão a mudar meu voto caso uma CPI no Congresso mostre A, B ou C, esse tipo de dado não dá para ser captado facilmente com questionários.
Mas é algo que dá para, com sorte e técnica, ser captado por técnicas qualitativas. Quando uma empresa realiza um focus group, ela está principalmente interessada em nuances, em detalhes acerca das opiniões dos participantes. Um bom moderador sabe tirar o máximo de informações dos participantes e, assim, gerar uma quantidade boa de dados. Mas esses dados não são generalizáveis! Isso é muito importante de se saber. E não são generalizáveis justamente porque esse não era o objetivo inicial – não é para isso que os métodos qualitativos geralmente se prestam. Eles me dão uma informação muito boa sobre um recorte da realidade, mas dificilmente vão me permitir ter uma visão panorâmica segura.
Chamo a atenção para esse ponto porque não são incomuns (infelizmente) colocações estúpidas de gestores, ao analisar pesquisas, reclamando que uma pesquisa etnográfica não tem representatividade estatística. Cara pálida! Não é para ter mesmo! Não é para isso que ela se presta.
4) Saiba a pergunta de pesquisa. Saber a pergunta de pesquisa, coisa que os orientadores acadêmicos enchem tanto a paciência dos orientandos, é algo importante para o analista. Significa descobrir o que a pesquisa visa responder. Pois se você já soubesse o resultado não precisava fazer pesquisa, né? (Bem, às vezes isso ocorre por questões políticas, mas é outro papo…)
Você só tem como analisar decentemente o resultado de uma pesquisa quando sabe o que se queria descobrir. Assim, posso dizer que uma pesquisa que visa descobrir os hábitos de consumo dos cariocas em redes de compra coletiva vai me dar, caso seja bem conduzida, o seguinte resultado: hábitos de consumo dos cariocas em redes de compra coletiva. Pode até servir como inspiração para analisar os hábitos dos paulistanos, mas não era esse o objetivo. Estar atento a isso evita que você conclua algo que efetivamente não se pode concluir a partir daquele trabalho.
5) Números são números. E só isso. Com esse sensacional título, quero dizer exatamente isso: o número 23% quer dizer, apenas, 23%. E mais nada. É sempre necessária a interpretação do analista nesse sentido. Não é porque há um número ali na pesquisa que isso vá significar que é algo imutável e perfeito. 3 são apenas 3. O problema e descobrir de que coisas estamos falando. 3 bananas são diferentes de 3 iPods – mas ambos são “3″.
Assim, rogo a vocês que não se deixem intimidar por números bonitos e estatísticas elaboradas. Tentem se perguntar o que os números significam, a que se referem. Isso pode ajudar muito – acredite.
Bem, assim termino o que queria falar por hoje. Peço desculpas pelo tamanho do post – isso tem se tornado uma constante nos meus escritos, não? Mas é que normalmente escrevo as coisas de uma tacada só e, como já devem ter notado, adoro escrever. Mas torço que a leitura tenha sido boa para vocês.
Um forte abraço,
Pedro
PS – A Patrícia, mesmo sendo chantageada emocionalmente por mim, resolveu só colocar outro post novo amanhã. Dessa forma, amanhã vocês terão algo super legal (eu já li no rascunho) feito por ela.
Quantas vezes por ano você ouve ou lê que o Orkut morreu? Não dá para contar nos dedos, não é mesmo? Então, este post foi feito para você que acredita que ele vai morrer em breve e, para você, que acredita no sucesso dele como a rede social on-line de maior sucesso no Brasil.
Ninguém acessa mais o Orkut
- 28 milhões de usuários/mês, com cobertura de 70% dos internautas brasileiros. Tá bom pra você? Dentre eles, 88.6% têm entre 18 e 24 anos de idade. Por ser uma rede mais “amigável” em termos de usabilidade, o Orkut também cobre 65% do target de 35+. Fonte: Media Kit Orkut
O Facebook ultrapassou o orkut
Se você não entendeu até agora que o Facebook está longe de ultrapassar o Orkut, a gente desenha com o gráfico do ComScore:
Mas e a notícia do Alexa? O TechTudo explica. Mas resumidamente, o alexa mediu tráfego e não usuários únicos. As pessoas realmente passaram a abrir mais vezes na semana o Facebook do que o Orkut, mas isso não reflete uma leva de Orkutcídios. Além disso, o Orkut possui dois domínios, que costumam conflitar a mensuração.
As comunidades estão abandonadas
- Houve uma queda nítida do volume de interações nas comunidades, no entanto, muitas se mantêm com grande nível de interação. Geralmente são comunidades de nichos feminino e tecnológico, mas há muita coisa voltada para entretenimento também (reparem em comunidades que antecedem aos lançamentos de programas da Globo e comunidades de novela superativas). Um bom mapeamento responde a esta pergunta.
- As comunidades patrocinadas foram uma nova atitude do Orkut rumo ao aumento da interação. Essas comunidades oferecem melhores modelos de moderação, customização do header, streaming, e acreditem: integração com o Twitter. O Orkut.com/aovivo, que lançará hoje o entrevista e show com a cantora Pitty, já reuniu mais de 5 milhões de membros.
Algumas comunidades patrocinadas de sucesso:
Atualmente, as comunidades patrocinadas são um “bônus” ao investir acima de R$130 mil em mídia no Orkut. Os projetos duram, em média, 3 meses. A minha sugestão ao Orkut é que isso mude em breve. Existem muitas marcas que pagariam um pouco menos para ter comunidades patrocinadas em longo prazo.
As classes mais baixas dominam o Orkut
- 50% dos usuários do Orkut ganham entre R$2.000,00 e R$8.000,00, segundo dados do Google. Tentei segmentar por classes, mas os dados fornecidos pelo Orkut não informam se a renda declarada é individual ou familiar, e isso faz total diferença. No entanto, percebemos o quanto os usuários possuem poder de consumo.
Campanhas no Orkut não dão resultado
- Os formatos de mídia no Orkut, como a home, temas (background patrocinado) e comunidades patrocinadas, além da possibilidade “ao vivo” são bastante impactantes e fornecem excelentes resultados como formatos de mídia. No entanto, eles são grandes investimentos e estão distantes do mundinho do “seeding”.
- Os dados do ComScore também apontam que o usuário do Orkut passa mais tempo nos Social Games do que no Facebook. Este dado só embasa o sucesso de campanhas como o case Bis no Colheita Feliz e frases do gênero “O Orkut é a Globo das mídias sociais”.
A colaboração é um dos principais alicerces da chamada “web 2.0” – termo bastante discutido e repelido pelos profissionais de comunicação e tecnologia hoje. E partilhar o conhecimento através das redes nada mais é que exercer um papel importante como ator social dentro dela, fortalecendo o fluxo de informações no mercado e ampliando a capacidade de gerar laços importantes.
Sabendo disso, grupos de profissionais e pesquisadores experientes se reuniram em prol da disseminação do conhecimento e lançaram, colaborativamente e gratuitamente (muito importante), manuais, e-books e papers de fundamental importância para aqueles que pretendem entrar ou crescer no marketing digital.
O conhecimento nem sempre vem de fora, nem sempre vem de institutos de pesquisa ou gurus da América do Norte. Temos profissionais competentes no país que têm muito a ensinar e partilhar tanto em seus blogs, quanto em seu twitter e, mais recentemente, no seu tablet ou nas suas mãos (se assim preferir imprimir os arquivos).
Pensando nisso, reuni seis e-books brasileiros que trazem pensamentos, pesquisas e dados de mercado importantes sobre o papel das redes sociais on-line e os rumos da comunicação mediada por dispositivos na educação, política e no marketing.
Em dois deles, faço participação com os seguintes temas:
- “Ações de Marketing através de grupos de referência e influenciadores no contexto das mídias sociais” (MídiasSociais: Perspectivas, Tendências e Reflexões)
- “O poder do engajamento através da promoção nas mídias sociais” (Comunicação e Marketing Digitais)
Não cito aqui todos os profissionais envolvidos, pois não caberia no post. São muitos e muito bons. Em boa parte deles, você pagaria a inscrição de um evento ou palestra para ouvir metade do conhecimento adquirido nestes textos.