01/06/11

7 perguntas para Raquel Recuero

Começar um texto falando da Raquel sem fazer com que ele transborde de elogios é difícil, mas eu prometo que vou tentar.

Conheci o trabalho da Raquel em 2006, quando ainda pesquisava sobre a monografia. Pouquíssimos pesquisadores no Brasil tinham artigos consistentes sobre o Orkut na época e eu precisava de boas referências para que meu orientador não me fizesse mudar de tema.

Pesquisando em fóruns como e-Compós e Google Acadêmico, encontrei não só artigos os acadêmicos, como também, os blogs da Raquel e do Alex Primo, daí em diante, me apaixonei pelo tema e o resto da história vocês já sabem.

Raquel Recuero é Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, professora, blogueira, pesquisadora e colaboradora do Center for Society and Cyber Studies e do Digital Media and Learning Research Hub (ela posta lá com a Danah Boyd e com o Howard Rheingold – morra de inveja!). Também é autora dos livros Redes Sociais na Internet e Métodos de pesquisa para internet. E, como se não bastasse, tem um currículo lattes que te faz acreditar na possibilidade real de que os clones existam nesta terra.

Se existe uma verdadeira especialista em redes sociais no Brasil, essa é a Raquel. E eu tive a grata oportunidade de escolher sete perguntas sobre redes sociais e interações no ciberespaço, as quais você pode ler abaixo:

- Em que ano foi o seu primeiro artigo sobre redes sociais on-line e qual era a sua relação com elas na época?
Meu primeiro trabalho foi em 2004, mas meu interesse começou com as primeiras matérias a respeito do Orkut, no final de 2003. Eu me interessava por redes sociais que eram construídas entre blogs, nos relacionamentos construídos nos comentários. Foi daí que começou a minha percepção da rede de interação, que era construída pelas conversações nessas ferramentas. Eu era uma usuária disso tudo também, o que constribuiu muito para a minha percepção de valor das ferramentas. Daí comecei a estudar também ferramentas que eu não usava ativamente, como o Fotolog e outras.

– Qual foi, na sua opinião, a principal mudança do Fotolog pra cá?
Olha, acho que aconteceu uma popularização do conceito, e uma maior percepção da relevância dessas redes. Em termos de sistemas, acho que sites ficaram mais abrangentes e passaram a incorporar elementos que já existiam na apropriação dessas ferramentas iniciais, como as narrativas do eu nos perfis, os espaços de interação e etc.

- Acredita que o Orkut teve um papel cultural no aprendizado do brasileiro em se socializar on-line?
Oh sim. Acho que o Orkut foi emblemático não apenas para o Brasil em termos de inclusão digital, mas igualmente em termos de uso da Internet para o social. A importância do Orkut é muito maior do que as pessoas realmente percebem.

- Qual é a sua opinião sobre o Facebook pagar usuários para assistirem seus anúncios?
Acho uma iniciativa interessante. A questão é como vai se dar a apropriação dela. Talvez muitos passem os anúncios, mas não necessariamente dêem atenção a eles.

- Quais são seus livros de cabeceira sobre cibercultura?
Posso citar um livro que não tem nada a ver com cibercultura? Minha leitura mais inspiradora na questão do estudo das redes sociais foi o livro “Pattern Recognition” do William Gibson. Na época, me ajudou a ver muitas coisas. Inclusive, a frase “human beings are about pattern recognition” virou a epígrafe da minha tese.  Cibercultura, especificamente, no Brasil, é o livro do André Lemos, que praticamente inaugurou a área e que é leitura obrigatória.

- A entrada (por vezes, invasão) das marcas como personas nas redes sociais on-line te incomoda?
Não. Eu sou bastante restrita com relação a atenção, meu valor mais precioso. Bloqueio e fim.

Que conselhos daria a um jovem profissional de marketing digital?
Olha, acho que se vc quer trabalhar com o digital, precisa estar nele, entender seus usos, valores e apropriações.  A coisa mais importante é estar lá. :D

Raquel, já agradeci imensamente não só a sua entrevista, mas todo conteúdo produzido durante esses anos. Não custa mais uma vez: obrigada!

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16/05/11

Formação em Mídias sociais: o primeiro passo

Com grande freqüência recebo e-mails, contatos, replies e sinais de fumaça de estudantes e profissionais que pretendem entender um pouco mais sobre o uso corporativo das mídias sociais para  benefício próprio ou para agarrar uma oportunidade de trabalho.

Muitos não dispõem de tempo ou verba suficiente para cursar uma graduação ou Pós na área desejada. Para estes, os cursos de curta duração são uma verdadeira “mão na roda” e, não só complementam o currículo, como ajudam estes profissionais a colocar em prática o que aprenderam mais rápido.

Mas quais são as informações necessárias para quem quer contratar um cursinho desses? Como calcular se o custo benefício do curso vale a pena (fora do estado,  alguns cursos exigem investimento em passagem, hospedagem e alimentação para, muitas vezes, não atender às suas expectativas)?

Seguem alguns tópicos que podem na ajudar a sua escolha:

- Quem serão seus professores?

Dê um google no nome do cidadão, procure por suas informações no linkedIn, saber se possui blog ou outras redes sociais. É comum que os professores produzam materiais entre palestras e artigos para disseminar entre seus alunos e leitores. Assim, você já saberá se o estilo do docente lhe agrada. Abaixo, tentei descrever um perfil básico de professores que atuam hoje no mercado (é lógico que você encontrará CEOs acadêmicos, Jornalistas especialistas e Publicitários whatever…):

- Histórico profissional dos docentes:

Não foi à toa que citei o linkedin como uma ótima fonte para avaliar o histórico do profissional que possivelmente será seu professor. Mas se ele não tiver linkedin, não tem problema. O currilo lattes também é uma plataforma muito utilizada pelos acadêmicos. No mais, acesse o site de sua agência ou cases os quais ele tenha participado. Isso lhe ajudará a coletar perguntas pertinentes para fazer dentro e fora de sala de aula.

- A carga horária atende as suas necessidades / expectativas?

Os cursos de curta duração são excelentes para quem desenvolve projetos sozinho ou está prestes a pôr a mão na massa gerindo perfis e blogs corporativos. No entanto, cuidado com cursos que prometem milagres em poucas horas. O aprendizado em mídias sociais é longo e contínuo. Existe muita literatura sobre o assunto e situações que só a rotina de planejamento e execução irão resolver.

- Preciso ter formação em Comunicação ou Marketing para participar?

Não, mas é bom. Se a formação ou a prática do seu professor for em Marketing ou Publicidade, espere ouvir muito sobre isso. Muitas vezes são usados termos ou temáticas corriqueiras para estes profissionais em sala de aula, portanto, aqueles que não têm conhecimento anterior podem se sentir perdidos. Vale procurar um cursinho sobre Comunicação empresarial ou Comportamento do consumidor para complementar seu aprendizado.

Dicas finais:

a) Não esqueça de pedir opiniões para amigos que já fizeram os cursos.

b) O professor vai lecionar sobre gestão de mídias sociais e não possui perfil em redes sociais? É bom averiguar…

c) O professor vai lecionar sobre uma área a qual não tem experiência? Pesquise ou peça links sobre o material que ele já produziu sobre o tema.

Instituições que recomendo no Rio de Janeiro (ordem alfabética):

ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing

Idigo – Núcleo de Inteligência Digital

Igec-FachaEm junho, primeira turma do Curso Prático de Redes Sociais, no qual os alunos irão criar, planejar e executar um projeto nas plataformas sociais.

Infnet – Instituto Infnet

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