7 perguntas para Raquel Recuero
Começar um texto falando da Raquel sem fazer com que ele transborde de elogios é difícil, mas eu prometo que vou tentar.
Conheci o trabalho da Raquel em 2006, quando ainda pesquisava sobre a monografia. Pouquíssimos pesquisadores no Brasil tinham artigos consistentes sobre o Orkut na época e eu precisava de boas referências para que meu orientador não me fizesse mudar de tema.
Pesquisando em fóruns como e-Compós e Google Acadêmico, encontrei não só artigos os acadêmicos, como também, os blogs da Raquel e do Alex Primo, daí em diante, me apaixonei pelo tema e o resto da história vocês já sabem.
Raquel Recuero é Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, professora, blogueira, pesquisadora e colaboradora do Center for Society and Cyber Studies e do Digital Media and Learning Research Hub (ela posta lá com a Danah Boyd e com o Howard Rheingold – morra de inveja!). Também é autora dos livros Redes Sociais na Internet e Métodos de pesquisa para internet. E, como se não bastasse, tem um currículo lattes que te faz acreditar na possibilidade real de que os clones existam nesta terra.
Se existe uma verdadeira especialista em redes sociais no Brasil, essa é a Raquel. E eu tive a grata oportunidade de escolher sete perguntas sobre redes sociais e interações no ciberespaço, as quais você pode ler abaixo:
- Em que ano foi o seu primeiro artigo sobre redes sociais on-line e qual era a sua relação com elas na época?
Meu primeiro trabalho foi em 2004, mas meu interesse começou com as primeiras matérias a respeito do Orkut, no final de 2003. Eu me interessava por redes sociais que eram construídas entre blogs, nos relacionamentos construídos nos comentários. Foi daí que começou a minha percepção da rede de interação, que era construída pelas conversações nessas ferramentas. Eu era uma usuária disso tudo também, o que constribuiu muito para a minha percepção de valor das ferramentas. Daí comecei a estudar também ferramentas que eu não usava ativamente, como o Fotolog e outras.
– Qual foi, na sua opinião, a principal mudança do Fotolog pra cá?
Olha, acho que aconteceu uma popularização do conceito, e uma maior percepção da relevância dessas redes. Em termos de sistemas, acho que sites ficaram mais abrangentes e passaram a incorporar elementos que já existiam na apropriação dessas ferramentas iniciais, como as narrativas do eu nos perfis, os espaços de interação e etc.
- Acredita que o Orkut teve um papel cultural no aprendizado do brasileiro em se socializar on-line?
Oh sim. Acho que o Orkut foi emblemático não apenas para o Brasil em termos de inclusão digital, mas igualmente em termos de uso da Internet para o social. A importância do Orkut é muito maior do que as pessoas realmente percebem.
- Qual é a sua opinião sobre o Facebook pagar usuários para assistirem seus anúncios?
Acho uma iniciativa interessante. A questão é como vai se dar a apropriação dela. Talvez muitos passem os anúncios, mas não necessariamente dêem atenção a eles.
- Quais são seus livros de cabeceira sobre cibercultura?
Posso citar um livro que não tem nada a ver com cibercultura? Minha leitura mais inspiradora na questão do estudo das redes sociais foi o livro “Pattern Recognition” do William Gibson. Na época, me ajudou a ver muitas coisas. Inclusive, a frase “human beings are about pattern recognition” virou a epígrafe da minha tese. Cibercultura, especificamente, no Brasil, é o livro do André Lemos, que praticamente inaugurou a área e que é leitura obrigatória.
- A entrada (por vezes, invasão) das marcas como personas nas redes sociais on-line te incomoda?
Não. Eu sou bastante restrita com relação a atenção, meu valor mais precioso. Bloqueio e fim.
Que conselhos daria a um jovem profissional de marketing digital?
Olha, acho que se vc quer trabalhar com o digital, precisa estar nele, entender seus usos, valores e apropriações. A coisa mais importante é estar lá.
Raquel, já agradeci imensamente não só a sua entrevista, mas todo conteúdo produzido durante esses anos. Não custa mais uma vez: obrigada!
Cinco mitos sobre o sucesso do Orkut nas táticas de mídias sociais
Quantas vezes por ano você ouve ou lê que o Orkut morreu? Não dá para contar nos dedos, não é mesmo? Então, este post foi feito para você que acredita que ele vai morrer em breve e, para você, que acredita no sucesso dele como a rede social on-line de maior sucesso no Brasil.
Ninguém acessa mais o Orkut
- 28 milhões de usuários/mês, com cobertura de 70% dos internautas brasileiros. Tá bom pra você? Dentre eles, 88.6% têm entre 18 e 24 anos de idade. Por ser uma rede mais “amigável” em termos de usabilidade, o Orkut também cobre 65% do target de 35+. Fonte: Media Kit Orkut
O Facebook ultrapassou o orkut
Se você não entendeu até agora que o Facebook está longe de ultrapassar o Orkut, a gente desenha com o gráfico do ComScore:



Mas e a notícia do Alexa?
O TechTudo explica. Mas resumidamente, o alexa mediu tráfego e não usuários únicos. As pessoas realmente passaram a abrir mais vezes na semana o Facebook do que o Orkut, mas isso não reflete uma leva de Orkutcídios. Além disso, o Orkut possui dois domínios, que costumam conflitar a mensuração.
As comunidades estão abandonadas
- Houve uma queda nítida do volume de interações nas comunidades, no entanto, muitas se mantêm com grande nível de interação. Geralmente são comunidades de nichos feminino e tecnológico, mas há muita coisa voltada para entretenimento também (reparem em comunidades que antecedem aos lançamentos de programas da Globo e comunidades de novela superativas). Um bom mapeamento responde a esta pergunta.
- As comunidades patrocinadas foram uma nova atitude do Orkut rumo ao aumento da interação. Essas comunidades oferecem melhores modelos de moderação, customização do header, streaming, e acreditem: integração com o Twitter. O Orkut.com/aovivo, que lançará hoje o entrevista e show com a cantora Pitty, já reuniu mais de 5 milhões de membros.
Algumas comunidades patrocinadas de sucesso:
Atualmente, as comunidades patrocinadas são um “bônus” ao investir acima de R$130 mil em mídia no Orkut. Os projetos duram, em média, 3 meses. A minha sugestão ao Orkut é que isso mude em breve. Existem muitas marcas que pagariam um pouco menos para ter comunidades patrocinadas em longo prazo.
As classes mais baixas dominam o Orkut
- 50% dos usuários do Orkut ganham entre R$2.000,00 e R$8.000,00, segundo dados do Google. Tentei segmentar por classes, mas os dados fornecidos pelo Orkut não informam se a renda declarada é individual ou familiar, e isso faz total diferença. No entanto, percebemos o quanto os usuários possuem poder de consumo.
Campanhas no Orkut não dão resultado
- Os formatos de mídia no Orkut, como a home, temas (background patrocinado) e comunidades patrocinadas, além da possibilidade “ao vivo” são bastante impactantes e fornecem excelentes resultados como formatos de mídia. No entanto, eles são grandes investimentos e estão distantes do mundinho do “seeding”.
- Os dados do ComScore também apontam que o usuário do Orkut passa mais tempo nos Social Games do que no Facebook. Este dado só embasa o sucesso de campanhas como o case Bis no Colheita Feliz e frases do gênero “O Orkut é a Globo das mídias sociais”.
* Este post foi feito com ajuda de Aline Magno e a amizade preciosa de Rodrigo Prior.



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