14/05/13

Ponto Frio fatura 20 milhões com ações em redes sociais

Guilherme Perez, Coordenador de Marketing da Nova Pontocom apresentou case do Pinguim nas plataformas sociais, nesta manhã, no evento IAB Social Media Insights, em São Paulo.

Durante a palestra, Perez afirma que o faturamento em vendas do Ponto Frio através das ações integradas com Facebook e Twitter no ano de 2012 atingiram a incrível marca de R$20.000.000 (vinte milhões de reais).

De acordo com as palavras de Jeff Paiva – Diretor de Plataformas Digitais da agência NBS, os 20 milhõezinhos não consideram investimentos em mídia on-line, o que ele simplifica no twitter como anúncio.

Este é o maior faturamento de ações integradas em redes sociais já declarado por uma marca no Brasil até hoje. Acredito que, definitivamente, temos um case mais forte do que a Tecnisa para nos aprofundar e tirar insights para todo o mercado.

Benefícios do uso de personagens na comunicação em redes sociais

Como Professora da disciplina que envolve planejamento e criação de ações em redes sociais em cursos de MBA e Pós-graduação, sempre tento apresentar uma aula incluindo a temática dos personagens nas plataformas sociais. Confira abaixo alguns dos principais benefícios:

  • Ressaltam de maneira criativa os atributos da marca, produto ou serviço
  • Introduzem o consumidor no contexto da comunicação
  • Geram identificação entre marca e cliente, a partir da “liberdade editorial”
  • Funcionam como ferramentas para a neutralização da imagem da marca, quando a mesma possui alto índice de menções negativas.

Audiência e tom de comunicação do Pinguim

Atualmente, a presença digital do Ponto Frio atinge mais de 90 mil consumidores no Twitter e quase 800 mil no Facebook. O personagem tem um tom de comunicação jovem e criativo, que capta a atenção do público através da sua irreverência, bastante deslocado do tom institucional – “Pontia” e “Muak” são as formas do personagem desejar um bom dia e mandar beijinho para os consumidores. A linha editorial divertida também faz uso de “oportunidades” nas pautas do dia do Twitter e já repercutiu como mídia espontânea várias vezes nos principais jornais on-line.

08/06/11

Notícias do mundo acadêmico (Social Media)

Aproveitando a minha proximidade com as publicações acadêmicas na nossa área, resolvi inaugurar uma seção aqui no Blog que é sobre novidades publicadas em periódicos, conferências e livros ao redor do mundo. Normalmente a linguagem tende a ser bastante críptica; portanto, acho que posso ajudar vocês: 1) “traduzindo” o academiquês; 2) indicando a fonte; 3) comentando.

Infelizmente a maior parte desse conteúdo está protegido por direitos autorais, o que me impede de colocar o .pdf original diretamente aqui. Poderia colocar em algum serviço de compartilhamento de arquivos. Contudo, optei por outra via, legal e interessante ao mesmo tempo. Você pode acessar a maioria destes arquivos através da biblioteca de uma universidade que seja conveniada com o Consórcio CAPES de peridódicos (a maioria é). Portanto, caso você tenha interesse em ler o artigo completo, por que não uma visita à biblioteca? Os bibliotecários certamente ficarão felicíssimos em ajudar! (dei aulas no curso de Biblioteconomia, então acredite: eles ficam muito felizes em ajudar alguém, mesmo não estudante, que precise de orientação)

1) ROMERO, D.M.; GALUBA, W.; ASUR, S.; HUBERMAN, B.: Influence and passivity in Social Media. WWW2011, March 28 – April 1, 2011, Hyderabad, India.

A apresentação curta dos autores teve como campo o Twitter. Basicamente, eles confirmaram algo que já suspeitávamos – que a maioria dos usuários do Twitter atua de modo passivo, não repassando o conteúdo para frente. Assim, colocam como problema a ser transposto a passividade dos usuários do Twitter. Conforme demonstram através da análise estatística de um banco de dados de mais de 2,5 milhões de usuários, alta popularidade não implica em alta influência, e vice-versa.

Dificuldade: Alta – o artigo é um pôster (logo, curto) e contém operações estatísticas relativamente complexas. Em Inglês. Recomendo a leitura para quem for da área de metrics. Link.

2) WEINBERG, B.D.; PEHLIVAN, E.: Social spending: managing the social media mix. Business Horizons, n.54, pp.275-282, 2011.

Embora eu tenha achado a revisão de literatura dos autores relativamente fraca, o tema em discussão é, talvez, o mais importante para agências e empresas: como medir o ROI de ações em Mídias Sociais. Eles propõem um esquema que parece bastante interessante, ainda que eu tenha a sensação de já ter visto algo parecido em outro lugar. Os dois eixos para análise são a “meia-vida” e a profundidade da informação. Acho que meia-vida pode ser substituída aqui por durabilidade sem grandes prejuízos.

Entretanto, não há grandes contribuições adicionais. Os autores enfatizam que o processo midiático atual não pode ser compreendido como similar ao tradicional, principalmente devido ao “capital social”. No fundo, o mais legal é que eles oferecem uma voz discordante em relação à preponderância do ROI nas análises de Social Media, justamente devido ao seu funcionamento peculiar e difícil mensuração.

Dificuldade: Simples – o artigo não contém teorias muito complexas. Em Inglês. Link.

 

Fonte: WEINBERG & PEHLIVAN, 2011 (p.279)

 

3) HAMPTON, K.N.; LEE, C.; HER, E.J.: How new media affords network diversity: Direct and mediated access to social capital through participation in local social settings. New Media & Society, online, pp.1-19, 2011.

Será que a Internet, ao invés de aproximar pessoas diferentes, acaba servindo para juntar cada vez mais pessoas que têm interesses em comum? Em outras palavras: as redes online estariam, cada vez mais, contribuindo para reduzir a diversidade dos encontros sociais? Através de uma série de regressões estatísticas, os autores propõem que há um certo otimismo exagerado com a ideia de que as mídias sociais necessariamente aumentam a diversidade das redes pessoais – relativa exceção sendo as redes sociais online, como o Facebook, que contribuem diretamente para a diversidade.

O artigo é interessante a traz alguns insights legais, principalmente porque vi até hoje pouca gente pesquisando essa questão da diversidade das redes sociais. Dificuldade: média/alta – contém métodos estatísticos mais complicados, embora seja possível aproveitar bastante coisa da revisão de Literatura. Link.

4) HAMPTON, K.N.; SESSIONS, L.F; HER, E.J.: Core networks, social isolation, and new media. Information, Communication & Society, n.14, v.1, pp.130-155, 2010.

Nesse artigo aqui, o resumo (abstract) é tão bem feito que vale mais a pena colocar inteiro aqui:

“Evidências empíricas da General Social Survey (GSS), dos EUA, sugerem que durante os últimos 20 anos as pessoas se tornaram cada vez mais isoladas socialmente, assim como suas principais redes de interação se tornaram menores e menos diversas. Uma explicação oferecida para essa tendência é o uso de telefones celulares de da Internet. O presente estudo analisa as conclusões de uma pesquisa de 2008 que replica a metodologia da GSS, de forma a explorar os relacionamentos entre o uso de novas tecnologias e o tamanho e diversidade das redes. Os achados são contraditórios com os resultados da pesquisa GSS de 2004; exemplo, nós achamos que o isolamento social não cresceu desde 1985. Contudo, o presente estudo oferece sustentação para a conclusão que o tamanho das princpais redes de interação social das pessoas declinou, assim como o número de membros menos próximos a elas em suas redes. Telefones celulares e o uso de Internet, especialmente alguns usos específicos de social media, foram considerados como tendo uma relação positiva para o tamanho da rede e sua diversidade. (…)”

O artigo é interessante, principalmente por conter uma boa revisão de literatura. Acho que vale a pena dar uma olhada, quem puder. Link.

Um forte abraço,

Pedro

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01/06/11

7 perguntas para Raquel Recuero

Começar um texto falando da Raquel sem fazer com que ele transborde de elogios é difícil, mas eu prometo que vou tentar.

Conheci o trabalho da Raquel em 2006, quando ainda pesquisava sobre a monografia. Pouquíssimos pesquisadores no Brasil tinham artigos consistentes sobre o Orkut na época e eu precisava de boas referências para que meu orientador não me fizesse mudar de tema.

Pesquisando em fóruns como e-Compós e Google Acadêmico, encontrei não só artigos os acadêmicos, como também, os blogs da Raquel e do Alex Primo, daí em diante, me apaixonei pelo tema e o resto da história vocês já sabem.

Raquel Recuero é Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, professora, blogueira, pesquisadora e colaboradora do Center for Society and Cyber Studies e do Digital Media and Learning Research Hub (ela posta lá com a Danah Boyd e com o Howard Rheingold – morra de inveja!). Também é autora dos livros Redes Sociais na Internet e Métodos de pesquisa para internet. E, como se não bastasse, tem um currículo lattes que te faz acreditar na possibilidade real de que os clones existam nesta terra.

Se existe uma verdadeira especialista em redes sociais no Brasil, essa é a Raquel. E eu tive a grata oportunidade de escolher sete perguntas sobre redes sociais e interações no ciberespaço, as quais você pode ler abaixo:

- Em que ano foi o seu primeiro artigo sobre redes sociais on-line e qual era a sua relação com elas na época?
Meu primeiro trabalho foi em 2004, mas meu interesse começou com as primeiras matérias a respeito do Orkut, no final de 2003. Eu me interessava por redes sociais que eram construídas entre blogs, nos relacionamentos construídos nos comentários. Foi daí que começou a minha percepção da rede de interação, que era construída pelas conversações nessas ferramentas. Eu era uma usuária disso tudo também, o que constribuiu muito para a minha percepção de valor das ferramentas. Daí comecei a estudar também ferramentas que eu não usava ativamente, como o Fotolog e outras.

– Qual foi, na sua opinião, a principal mudança do Fotolog pra cá?
Olha, acho que aconteceu uma popularização do conceito, e uma maior percepção da relevância dessas redes. Em termos de sistemas, acho que sites ficaram mais abrangentes e passaram a incorporar elementos que já existiam na apropriação dessas ferramentas iniciais, como as narrativas do eu nos perfis, os espaços de interação e etc.

- Acredita que o Orkut teve um papel cultural no aprendizado do brasileiro em se socializar on-line?
Oh sim. Acho que o Orkut foi emblemático não apenas para o Brasil em termos de inclusão digital, mas igualmente em termos de uso da Internet para o social. A importância do Orkut é muito maior do que as pessoas realmente percebem.

- Qual é a sua opinião sobre o Facebook pagar usuários para assistirem seus anúncios?
Acho uma iniciativa interessante. A questão é como vai se dar a apropriação dela. Talvez muitos passem os anúncios, mas não necessariamente dêem atenção a eles.

- Quais são seus livros de cabeceira sobre cibercultura?
Posso citar um livro que não tem nada a ver com cibercultura? Minha leitura mais inspiradora na questão do estudo das redes sociais foi o livro “Pattern Recognition” do William Gibson. Na época, me ajudou a ver muitas coisas. Inclusive, a frase “human beings are about pattern recognition” virou a epígrafe da minha tese.  Cibercultura, especificamente, no Brasil, é o livro do André Lemos, que praticamente inaugurou a área e que é leitura obrigatória.

- A entrada (por vezes, invasão) das marcas como personas nas redes sociais on-line te incomoda?
Não. Eu sou bastante restrita com relação a atenção, meu valor mais precioso. Bloqueio e fim.

Que conselhos daria a um jovem profissional de marketing digital?
Olha, acho que se vc quer trabalhar com o digital, precisa estar nele, entender seus usos, valores e apropriações.  A coisa mais importante é estar lá. :D

Raquel, já agradeci imensamente não só a sua entrevista, mas todo conteúdo produzido durante esses anos. Não custa mais uma vez: obrigada!

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10/05/11

Cinco mitos sobre o sucesso do Orkut nas táticas de mídias sociais

Quantas vezes por ano você ouve ou lê que o Orkut morreu? Não dá para contar nos dedos, não é mesmo? Então, este post foi feito para você que acredita que ele vai morrer em breve e, para você, que acredita no sucesso dele como a rede social on-line de maior sucesso no Brasil.

Ninguém acessa mais o Orkut
- 28 milhões de usuários/mês, com cobertura de 70% dos internautas brasileiros. Tá bom pra você? Dentre eles, 88.6% têm entre 18 e 24 anos de idade. Por ser uma rede mais “amigável” em termos de usabilidade, o Orkut também cobre 65% do target de 35+. Fonte: Media Kit Orkut

O Facebook ultrapassou o orkut
Se você não entendeu até agora que o Facebook está longe de ultrapassar o Orkut, a gente desenha com o gráfico do ComScore:




Mas e a notícia do Alexa?
O TechTudo explica. Mas resumidamente, o alexa mediu tráfego e não usuários únicos. As pessoas realmente passaram a abrir mais vezes na semana o Facebook do que o Orkut, mas isso não reflete uma leva de Orkutcídios. Além disso, o Orkut possui dois domínios, que costumam conflitar a mensuração.

As comunidades estão abandonadas
- Houve uma queda nítida do volume de interações nas comunidades, no entanto, muitas se mantêm com grande nível de interação. Geralmente são comunidades de nichos feminino e tecnológico, mas há muita coisa voltada para entretenimento também (reparem em comunidades que antecedem aos lançamentos de programas da Globo e comunidades de novela superativas). Um bom mapeamento responde a esta pergunta.

- As comunidades patrocinadas foram uma nova atitude do Orkut rumo ao aumento da interação. Essas comunidades oferecem melhores modelos de moderação, customização do header, streaming, e acreditem: integração com o Twitter. O Orkut.com/aovivo, que lançará hoje o entrevista e show com a cantora Pitty, já reuniu mais de 5 milhões de membros.

Algumas comunidades patrocinadas de sucesso:

Atualmente, as comunidades patrocinadas são um “bônus” ao investir acima de R$130 mil em mídia no Orkut. Os projetos duram, em média, 3 meses. A minha sugestão ao Orkut é que isso mude em breve. Existem muitas marcas que pagariam um pouco menos para ter comunidades patrocinadas em longo prazo.

As classes mais baixas dominam o Orkut
- 50% dos usuários do Orkut ganham entre R$2.000,00 e R$8.000,00, segundo dados do Google. Tentei segmentar por classes, mas os dados fornecidos pelo Orkut não informam se a renda declarada é individual ou familiar, e isso faz total diferença. No entanto, percebemos o quanto os usuários possuem poder de consumo.

Campanhas no Orkut não dão resultado

- Os formatos de mídia no Orkut, como a home, temas (background patrocinado) e comunidades patrocinadas, além da possibilidade “ao vivo” são bastante impactantes e fornecem excelentes resultados como formatos de mídia. No entanto, eles são grandes investimentos e estão distantes do mundinho do “seeding”.

- Os dados do ComScore também apontam que o usuário do Orkut passa mais tempo nos Social Games do que no Facebook. Este dado só embasa o sucesso de campanhas como o case Bis no Colheita Feliz e frases do gênero “O Orkut é a Globo das mídias sociais”.

* Este post foi feito com ajuda de Aline Magno e a amizade preciosa de Rodrigo Prior.

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