28/03/12

A evolução da plataforma web – 5 anos mudaram tudo

Há cinco anos, MissMoura era só mais uma analista de mídias sociais procurando lugar no mercado publicitário. Felipe Neto era apenas um blogueiro e o nome PC Siqueira não faria o menor sentido se pronunciado a você.

Há cinco anos, a Campus Party ainda não havia chegado ao Brasil. Você não tinha a menor ideia de que seu sonho de consumo seria um celular gigante, que não caberia no seu bolso (vulgo tablet). E o Twitter parecia só mais uma rede social esquisita que não passaria de uma simples modinha.

Há cinco anos, o Orkut era a principal plataforma social no Brasil, sem a qual boa parte dos brasileiros passariam um dia sem acesso.

Há cinco anos, os veículos de massa rejeitavam qualquer parceria com o universo do blogs. E ser blogueiro profissional parecia mais um sonho distante do que uma realidade plausível.

Realmente cinco anos mudaram muitas coisas. Alguns se opõem a afirmar uma revolução tecnológica e de conhecimento tão grande quanto a revolução industrial, mas fato é que as novas tecnologias mudaram as dinâmicas de relacionamento, de produção de conteúdo e afetaram a economia, gerando negócios e empregos.

Com produção da HotWords e depoimentos de executivos do IAB, Ibope, ComScore, agência Click Isobar, Terra, Buscapé, entre outras empresas, o vídeo abaixo faz reflexões das mudanças que ocorreram nos últimos cinco anos e no comportamento do consumidor pós evolução da plataforma web.

É hora de refletir sobre o passado e imaginar os próximos cinco anos.

01/02/12

Panorama das redes sociais no Brasil – Parte II

Parece muito cedo para se falar em rankings e panoramas das redes sociais em 2012, afinal, o ano nem bem começou. No entanto, dados de dezembro e janeiro dos institutos ComScore e SemioCast mostram que muitas coisas já mudaram desde o meu último post sobre as redes sociais mais acessadas pelos internautas no Brasil.

Quais são as novidades desde os últimos relatórios veiculados?
• Facebook ultrapassou Orkut em número de usuários, alcançando 36 milhões de usuários únicos em dezembro de 2011.
• Orkut alcançou um crescimento de 5% no ano passado, no entanto, manteve-se com 34 milhões de usuários únicos.
• E Twitter traz a grande novidade em janeiro de 2012, ultrapassando o Japão e se posicionando o Brasil como segundo país a mais utilizar a rede, perdendo apenas para os Estados Unidos. Fechou o mês de janeiro de 2012 com 33 milhões de contas no Brasil.

Detalhes importantes a serem questionados:
Como já dito anteriormente no blog, é preciso analisar dados da pesquisa e amostragem cuidadosamente antes de tirar conclusões precipitadas, como por exemplo:
1) A amostragem do ComScore não considera aferição em lan houses e sabemos que essas são responsáveis por boa parte do tráfego do Orkut o Brasil.
As lan houses são responsáveis por quase 50% dos acessos à internet no Brasil. No Nordeste, este dado chega a 70% dos acessos. Confira esse e outros dados no vídeo realizado pela FGV, Sebrae e Portal do Empreendedor:

2) O Facebook ultrapassa o Orkut somente na região Sudeste do país (que concentra maior quantitativo de acessos). No resto do país, o Orkut ainda é hegemônico.
3) Em dezembro de 2011, 76% dos usuários do Facebook também acessaram o Orkut, segundo a ComScore. O que significa que as plataformas estão sobrevivendo paralelamente.
4) O Twitter apontou uma tendência de crescimento importante, que pode ultrapassar o número de contas cadastradas do Orkut em pouco tempo.

Conclusões:
• Quando dizemos que o facebook é maior do que o Orkut, ainda entendemos que é uma ultrapassagem regional e não nacional, por mais que a região sudeste concentre usuários.
Sem a aferição de lan houses jamais teremos certeza dos dados de acesso às plataformas sociais no Brasil, haja visto o quantitativo de usuários de lan houses no país.
• O Brasileiro vem se habituando a trocar informação em múltiplas plataformas, separando amigos por grupos ou interesses.

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23/09/11

Panorama do Brasil nas redes sociais em 2011 com dados ComScore

O último relatório do instituto ComScore sobre a ascensão das redes sociais na América Latina aponta que 90,8% dos brasileiros que acessam a internet acessam redes sociais. Mas o que isso significa para planners, criativos, empreendedores e clientes?

1. Isso significa que a ascensão das redes sociais no Brasil é um caminho sem volta.
2. Isso significa que o marketing em mídias sociais continuará a ser a cereja do bolo nos planejamentos digitais por um bom tempo.
3. Isso também significa dizer que cada vez mais empresas irão se conscientizar da importância de interagir com seus consumidores on-line.
4. Isso também pode afirmar que oportunidades de trabalho junto ao marketing digital continuarão sendo abertas…

As conclusões parecem precipitadas, mas não podemos deixar de afirmar que o crescimento do mercado é uma tendência. Segundo o infográfico do Mashable, o Brasil tem apenas 37,8% da população conectada e os brasileiros já são fãs incondicionais das redes sociais.

O brasileiro é plural e se adapta rapidamente a novas redes sociais on-line. A prova disso são redes como Tumblr e Linkedin no TOP10. A surpresa da imagem que segue abaixo é ver a companhia Vostu, responsável pelos jogos Megacity e Café Mania, sendo citada como rede social. No site da companhia não encontramos informações que expliquem essa inclusão no Top10 Brasil.


Como sempre, os institutos de pesquisa e canais de comunicação se confundem na hora de elencar as principais redes sociais. A falta de critério do que é ou não é uma rede de relacionamento já deu origem a outros posts meus sobre o assunto. Uma prova dessa confusão é o ranking do infográfico do Mashable que inclui Blogger e WordPress na lista.

O que o relatório da ComScore apontou sobre a briga Orkut X Facebook:

• No Brasil, o Orkut foi a rede de relacionamento mais visitada, alcançando 35,7 milhões de visitantes, Isso significa que o Orkut cresceu em visitas 20% em relação a Junho de 2010.
• Enquanto isso, o Facebook obteve um crescimento de 192%, alcançando em números absolutos 24,5 milhões de visitantes.
• Há uma intersecção de usuários no que diz respeito aos acessos. Cerca de 20 milhões de pessoas que acessaram o Orkut também acessaram o Facebook, sendo possível concluir que há mais uma divisão de atenção do que um possível processo migratório.
• Ainda assim, os usuários do Orkut no Brasil são mais participativos do que no Facebook. Um visitante médio do Orkut passou 4,3 horas no site em Junho de 2011, enquanto um visitante do Facebook passou 1,6 hora durante o mês.

 

O relatório ainda mostrou que no Brasil, as mulheres somaram 58,7% de todo o tempo gasto em redes sociais. Pesquisas anteriores já provaram que as mulheres são as que mais interagem e participam de processos de decisão de consumo de toda a família. A diferença entre gêneros nas redes sociais on-line pode parecer pequena, mas o consumo de produtos de higiene pessoal e cosméticos movimentou, somente em 2010, 37,4 bilhões de dólares no Brasil e marcas como Avon, Boticário e L’oreal Paris já possuem perfis nas principais redes sociais on-line para se comunicar com suas consumidoras.

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09/08/11

É um teaser? É um storytelling? É um avião? Não, é Malhação Conectados

Você já deve ter se deparado com essa chamada misteriosa entre os intervalos comerciais da Globo. Dá pra entender que é malhação, dá pra entender que é uma chamada (possivelmente para uma nova temporada), mas não dá pra entender o que o número 1046 está fazendo ali. Eu vos respondo que é exatamente essa a intenção.

O número 1046 provavelmente não representa nada demais na trama (posso estar errada com essa afirmação), o que ele representa é uma ação de crossmedia bem pensada e, possivelmente, um tentativa de narrativa transmidiática ou transmedia storytelling, ao longo do tempo.

O que importa nisso tudo é que o buzz em mídias sociais já está instaurado. É possível encontrar inúmeras menções sobre a chamada no Twitter, vários tópicos de comunidades do Orkut discutindo o teaser, alguns usuários tentando fazer contas loucas para chegar ao número mágico e centenas de blogs replicando a chamada, o release oficial e suas teorias da conspiração.

E como não poderia deixar de ser, publico abaixo a melhor dentre elas:

“Malhação, tal qual o público conhece há 16 anos, vai acabar. O programa, que desde a sua estreia é reformulado todos os anos, será substituído por um projeto assinado por Mário Márcio Bandarra e a dupla Ingrid Zavarezzi e Ajax Camacho, que fez “Beijo, me liga”, exibido no Multishow ano passado.

A marca “Malhação”, entretanto, será mantida e o novo programa se chamará “Malhação conectados”. A decisão dividiu opiniões na Globo. Mas venceu o argumento de que ela é forte demais para ser descartada.

O programa vai para o núcleo de José Alvarenga Jr. e será voltado para as redes sociais, a exemplo de “Beijo, me liga”. Agora serão apenas 12 personagens, um deles, inspirado em René Silva, twitteiro do Complexo do Alemão.”

Fonte: http://is.gd/1TIxm6

Vamos aguardar para ver o desfecho dessa história, mas ele já é mais uma prova viva de que o crossmedia traz impactos significativos nas redes sociais, apliando a discussão sobre a temática (com o auxílio do teaser) e, possivelmente, atraindo um maior número de espectadores pra estreia.

O conteúdo é rei, como já dizem os gurus da Social Media e, garantir a audiência ao longo da trama, depende diretamente disso e não da estratégia de lançamento.

Agradecimento a @FernandoSouza e @Brunohbrum, que passaram links que contribuíram com este conteúdo.

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12/07/11

Gestão de crise em mídias sociais e novos dados sobre o Orkut

Você sabe como se recebe um briefing e um pedido de ação em mídias sociais? Não? Então, vamos fazer uma pequena e básica simulação nesse post, que pode chegar a alguns insights divertidos.

Imagine que você recebeu um job de gestão de crise para uma marca que atinge mais de 30 milhões de consumidores no Brasil.

Cenário
O principal concorrente desta marca vem atingindo um crescimento vertiginoso e invertendo os números de share de mercado. Os consumidores vêm utilizando as duas marcas, mas com isso, há uma percepção coletiva de que a marca líder vem perdendo espaço.

Objetivos
- conter o buzz negativo que se alastra pelas redes sociais de que a marca principal está caindo. Este buzz faz com que a percepção dos usuários caia simultaneamente e pode, a médio prazo, gerar queda drástica ou até mesmo abandono do consumo.

- Elevar a percepção da marca líder e evocar o orgulho de cada consumidor em fazer parte desta história.

Estratégia
Dar argumentos aos 30 milhões de consumidores para que eles mesmos possam reverter o buzz negativo que corre através das plataformas sociais.

Tática
Criação de vídeo, que você assiste agora:

E as táticas de disseminação?
Podem ser muitas: home do Orkut, vídeos patrocinados, header expansível no youtube, inserção no Orkut ao vivo, uso de influenciadores para disseminação, seeding… A imaginação corre solta!

Bom, já dei muitas dicas pro Google não? Se eles precisarem de alguém pra ajudar, segue o meu linkedin :P

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11/07/11

Como planejar seu marketing pessoal nas redes sociais

Você é daqueles que twitta tudo que vem a cabeça? Que não se importa com quem está lendo e acha que “não deve” nada a ninguém nas redes sociais? Pois bem, você pode estar perdendo dinheiro com isso.

Atualmente, planejar sua presença digital é tão importante quanto planejar a presença digital dos seus clientes por três motivos principais:

- As pessoas criam uma percepção sobre a “sua marca” e compartilham essa percepção com outras pessoas.
- O departamento de seleção e recrutamento está de olho nas redes sociais há pra lá de cinco anos.
- Se você é blogueiro e ganha ou pretende ganhar dinheiro com mídias sociais, existe uma coisa chamada casting, que corresponde à análise fria do seu conteúdo produzido em diversas redes e a avaliação se o mesmo é adequado para campanha de diversas marcas.

Portanto, pode não chegar aos seus ouvidos, mas você pode estar perdendo / deixando de ganhar dinheiro. Digo isso por experiência própria: já deixei de contratar blogueiros para campanhas de mídias sociais por eles publicarem conteúdo inadequado em aberto no Twitter. Assim como, nas seleções para mídias sociais, analiso pessoalmente todo e qualquer perfil de candidato que chega as minhas mãos.

É possível continuar twittando livremente ser perder o senso de humor? È sim, e respondo isso por experiência própria. Entrei no twitter em 2007 sem nenhuma noção de que conteúdo publicar e, com o tempo, meus chefes, colegas de trabalho e profissionais de mercado começaram a me seguir, fazendo com que eu prestasse mais atenção no que eu escrevia. Contudo, não deixei de postar músicas, fotos pessoais e ser bem humorada. O nome disso é bom senso e é indispensável para construir a sua presença digital.

Neste mês, apresentei um workshop no Descolagem 7, evento que acontece todo ano no Oi Nave, do Rio de Janeiro. A oficina mostrava basicamente o passo a passo de um planejamento de marca e dava dicas de como adaptar isso ao seu planejamento pessoal.

A apresentação fica abaixo e as dicas ficam para a vida. Espero que curtam :)

07/06/11

O painel mais carioca do Social Media Brasil

Participante do evento desde a primeira edição, tive o orgulho de integrar o grupo de curadores do Social Media Brasil deste ano.

Um grande time de profissionais discutiu por e-mail aproximadamente uns 2 meses sobre temas, direcionamento dos painéis e nomes que poderiam integrar o casting de palestrantes.

Uma das minhas sugestões, por exemplo, foi levar a Flourish Klink, que encerrou o evento no palco principal com uma palestra empolgante e descontraída sobre a cultura de fãs e narrativa transmidiática (também conhecida como transmedia storytelling).

Todo esse debate me deixou com um gostinho de quero mais vindo da palestra do ano passado, a qual falei sobre “Análise SWOT das mídias sociais”. Não aguentei e “me ofereci” para organização como debatedora. Tive a sorte de cair num painel com Victor Guerra (Ideia/SA) e Eduardo Barbato (NBS) – na verdade, o Barbato foi “culpa” minha :) Tinha visto o case do Tweet Bomb e achei super pertinente diante da proposta do painel. Além do mais, a NBS é uma das agências que mais ganha prêmios de digital no país, merecia ter seu representante lá.

Em suma, mais uma leva de e-mails com ambos para decidirmos o que falar, que cases levar, como aproveitar melhor o nosso curtíssimo tempo.
Eu entrei com o pé na porta e quis falar sobre Orkut. A maior rede social do país, detentora grande polêmica das mídias digitais esse ano (morreu ou não morreu?) merecia um espaço seu, uma atenção especial.

Depois, resolvi voltar pro tema (temerosa que o Formagio ou o público me matasse). Fiz uma rápida análise de fan page da Diesel e das incoerências de planejamento que vemos por aí quando se trata de Facebook.

Fechei com uma ação simpática do Twitter, que poderia ter sido realizada por qualquer marca, com qualquer verba, mas era uma ação da própria rede, em homenagem ao Dia das Mães, perdurando o efeito da hashtag e do trending topics.

Bom, gente, é isso! Os slides estão aí. Aos que foram, agradeço a oportunidade, a atenção, a paciência e os feedbacks. Aos que não foram também. Beijos e até o próximo evento.

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03/06/11

5 ações que ligam suas memórias afetivas e sociais

“A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar  (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro  (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais  (memória artificial)”.

Até os anos 90, as pessoas usavam câmeras analógicas e se deslocavam até lojas físicas para revelar suas fotos. E hoje? Smartphones como o Nokia N8 já possuem dispositivos de compartilhamento conectados com suas redes sociais, que publicam suas fotos intantaneamente para as suas centenas de amigos no Facebook, Orkut e Twitter com apenas 2 cliques.

Mas aonde vão parar as nossas memórias? As redes sociais as armazenam para todo sempre? È claro que não. Nós mesmos as subtituímos por outras memórias em sequencia, fazendo com que álbuns, vídeos, mensagens carinhosas e updates se percam num mar de bits.

O que é publicado, é rapidamente esquecido, deixado de lado por uma memória mais recente, um álbum mais curtido ou um vídeo com mais comentários. Algumas marcas e empresas já se deram conta disso e lançaram ações / aplicativos que reunem a sua memória em gráficos, livros e vidas, como forma de tomar parte da sua memória afetiva (Reparem que todos os vídeos trabalham a trilha sonora de forma emocional a medida que o vídeo avança).

Social Memories

O aplicativo Social Memories transforma suas interações no facebook em dados, gráficos e estatísticas, fazendo com que você conheça mais sobre as suas relações e seus amigos. O livro pode ser uma recordação “eterna” por 20 euros + frete.

Intel – Museum of me

O aplicativo da Intel transforma suas interações no facebook em um lindo vídeo da sua vida, como se estivesse sendo exposta em um museu.

Bouygues Télécom – When Facebook becomes a book

Para atrair consumidores ao lançamento de sua fan page, empresa de telecom francesa criou um livro customizado e distribuiu ao seus clientes. A ação, similar ao Social Memories, foi limitada a 1000 livros, que se esgotaram apenas numa hora.

My infographic

O aplicativo do Facebook gera um gráfico com seus dados, que pode ser compartilhado com seus amigos ou entrar para sua galeria de fotos.

Tweet Notebook

Transforma seus updates em rodapé de um caderno personalizado. Pode ser comprado por 12 euros + frete.

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27/05/11

7 perguntas para Felipe Neto

Era uma vez um cara que eu seguia no Twitter e não fazia muito bem ideia de quem ele era. Felipe tinha a mesma quantidade de seguidores que eu, também carioca, twitteiro da madrugada, fim de semana e afins…

Um belo dia, Felipe resolveu criar alguns vídeos para web. Me mandou um direct message e pediu para falar comigo pelo MSN. Sem entender muito bem do que se tratava, passei o MSN e logo começamos a conversar.

Lembro que isso foi num sábado e passei quase a tarde toda com o MSN ligado conversando com o Felipe e outras pessoas. Falamos sobre vídeos, twitter, humor, grana e assuntos da vida pessoal que não eram lá muito relevantes. Até então, Felipe só tinha gravado dois vídeos.

Um mês depois da conversa no MSN, Felipe já tinha alcançado mais de 1 milhão de visualizações no youtube. Tinha virado assunto de agência, de roda de amigos e de mesa de bar. Seis meses depois, já estava no Jô Soares.

Aonde eu quero chegar com todo esse blablablá?
Felipe foi um cara que mudou o curso da sua vida através das plataformas sociais. É o exemplo célebre de que o usuário pode criar sua própria audiência e se tornar formador de opinião “do dia para a noite”. A partir de então, eu virei “fã” do Felipe. Respeito a determinação ter continuado a postar, mesmo sob chuvas de críticas e respeito o caminho que está trilhando como ator.

Hoje, Felipe está aqui no blog (que vale mais que sentar no sofá do Jô rsrs), respondendo a 7 perguntas sobre criação de conteúdo, disseminação, target na web e planos para a carreira. Enjoy it!

- Você se considera um empreendedor da era digital?
Eu tento ao máximo expandir minhas formas de trabalho sempre, acho
que é muito bom poder arriscar, explorar áreas que trato como um
desafio. Baseado nisso, acho que posso me considerar um
empreendedor… Já sobre a era digital, não sei, pois estou tanto
nessa era web quanto na parte da televisão (multishow e globo), teatro
(com apresentações do grupo Avacalhados) e outros setores.

- Que tática usava para a disseminação dos seus vídeos no início?
Eu divulgava os vídeos na minha continha do Twitter e passava pros
amigos, nada além disso. Na época eu tinha um Blog, chamado Controle
Remoto, mas sequer colocava os vídeos lá.

- Planejamento ou conteúdo? Qual destes fatores foi decisivo pro seu sucesso?
Planejamento zero. Até gostaria de poder ter planejado melhor, se
soubesse que ia ter essa repercussão toda. Meu foco foi realmente em
conteúdo, mas sinceramente? Nunca pensei dessa forma: “ah, preciso ter
um bom conteúdo”… Minha meta sempre foi: “preciso me divertir
fazendo isso”.

- No lançamento dos seus vídeos, ao que parece, você não determinou um target mas os teenagers se tornaram maioria. Você precisou de aproximar do universo teen pra criar e/ou fazer ações patrocinadas?
Na verdade isso é uma certa ilusão. Segundo estatísticas do próprio
Youtube, a maioria das visualizações masculinas, por exemplo, vem da
faixa entre 18 e 24 anos. Já pelas mulheres, a maioria é na faixa de
13-17. De todo modo, no ranking geral, as faixas entre 25-34, 35-44 e
45-54 são muito fortes. Os adolescentes, contudo, são os que são mais
fortemente atingidos pelos vídeos, principalmente pela questão de
serem muito mais passionais e impulsivos. Em nenhum momento eu pensei
em atingir o público A ou B, tanto por isso eu tenho desde vídeo
falando sobre colírios da capricho até vídeos falando sobre políticos,
preconceito e o #PrecoJusto. Já para campanhas publicitárias, já
anunciei Chiclets, Pepsi e Credicard, ou seja, uma prova de que não
necessariamente é somente o público jovem que me assiste e que as
empresas estão interessadas em utilizar como Target.

- O youtube continua nos seus planos para o futuro?
Eu prefiro não fazer muitos planos para o futuro. Quando falamos de
uma carreira artística, o que temos hoje é o que devemos trabalhar
insanamente para ficar o mais próximo do ideal que acreditamos… Aí
sim o futuro vem, de acordo com as execuções de hoje. Torço para que
minha permanência no Youtube seja duradoura, com certeza, mas não
terei dedos se precisar sair caso a curva esteja em declínio.

- Você é influenciador de uma onda de videocasters e vlogers. Que conselhos deixaria pra eles?
Sejam sinceros, se divirtam e parem de fazer vídeos querendo ficar famosos.

- O quanto as redes sociais on-line influenciam na sua privacidade hoje? Foursquare nem pensar?
Foursquare nem pensar, eu tenho um certo medo da possibilidade de
saberem exatamente onde eu estou. Hoje em dia eu só uso mesmo o
Twitter, que não influencia lá tanto minha privacidade…

Obrigada, Felipe pela entrevista :)

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23/05/11

Amigos nas redes sociais – revisitando Granovetter

“Quantos amigos você tem no Facebook?”

Essa inocente pergunta, que só faz sentido hoje (pois, se fosse feita há mais de sete anos significaria somente quantos amigos seus estão no seu livro da turma), esconde uma outra pergunta, mais interessante, que é relacionada ao significado de amizade.

A primeira interpretação seria relacionada a quantos amigos meus estão na minha página do Facebook. A segunda, quantos “amigos” tenho no Facebook. São dois significados diferentes, para situações diferentes.

Claro que a complexidade dessa resposta não é culpa somente do Zuckerberg (embora ele seja um dos responsáveis, sim). Diria que se trata de um processo, que já vem acontecendo desde a década de 1990, e que passa pelas primeiras iniciativas sociais na Internet de peso. É, no fundo, uma edição mais moderninha do mesmo problema que alguém encontrava quando dizia que tinha 30 amigos nas salas de bate-papo UOL o no IRC.

No fundo, a relação de amizade é produto de uma série de fatores pessoais, políticos, econômicos, sociais, religiosos, etc., forjada ao longo do tempo por um grupo de pessoas. Essas pessoas se sentem bem com outras, em uma relação recíproca, e aumentam o grau de intimidade e de troca de informações entre si, estabelecendo uma relação de confiança (claro que aqui falo principalmente de uma amizade “desinteressada”).

Um dos caras mais importantes na pesquisa em redes sociais, Mark Granovetter, certa vez escreveu que a força das relações entre os atores sociais é um composto de várias coisas, difíceis de se quantificar, incluindo o tempo gasto nessa manutenção, o grau de intimidade, a proximidade de interesses, etc.

Nesse sentido, posso ter até 890 amigos no Facebook, mas é mais provável que as minhas relações sociais se concentrem num grupo bem menor – já que é humanamente impossível dedicar tempo suficiente para construir relações sólidas e duradouras com 890 pessoas (por favor, contem isso para os políticos, ok?).

Por isso gosto da ideia de diferenciação entre ligações fortes e fracas. Sei que tem muita gente que tem objeções substanciais a essa divisão (e essas objeções fazem sentido, inclusive) – então, não considere isso como verdade absoluta, ok? : )

A ideia, basicamente, é que esses diferentes graus de “intensidade” na criação e manutenção das relações sociais geram, obviamente, diferentes resultados. No clássico artigo The Strength of Weak Ties, Granovetter fala sobre dois tipos de ligações entre atores na rede social: fortes e fracas. Qualitativamente falando, as ligações fortes seriam aquelas nas quais se investiu mais tempo e “esforço”, enquanto as ligações mais fracas seriam, em oposição, aquelas nas quais há menor intensidade nesse processo.

Coloquemos assim: você provavelmente tem uma ligação forte com sua/seu namorada/o (espero!). Significa que vocês passam tempo juntos, fazem programas em comum, compartilham de determinados gostos, têm um círculo de amizades que se conecta, de algum modo, etc.. Assim como o seu melhor amigo, aquele que sai contigo para um bar, praia, viaja com você, etc. De outro lado, você também tem uma série de outros contatos sociais, os quais, por diferentes razões, você tem um relacionamento não tão próximo assim: talvez o seu vizinho, que você conhece pelo nome e cumprimenta educadamente toda vez que encontra com ele… mas não seria o cara que você convidaria para uma viagem de Carnaval com seus amigos. Ou então o seu colega de sala, que pode ser alguém legal e interessante mas, naquele momento, ainda há pouco tempo nessa relação para que se configure algo mais forte – embora isso possa acontecer.

O nosso conceito social de “amigo” é muito mais próximo do que seria uma “ligação forte”. Daí a estranheza quando falamos que temos 890 amigos no Facebook.

Sem querer entrar em considerações mais filosóficas acerca da amizade, acredito que esse problema, pelo menos a princípio, é muito mais de uma “tradução” esquisita disso do que de qualquer outra coisa. O Inglês tem uma palavra ótima para definir essa situação: acquaintance – poderia ser traduzida como “contato”, “conhecido”. Algo mais próximo da nomenclatura usada pelo LinkedIn, rede profissional – contatos, conexões.

Recomendo a todos uma leitura do artigo do Granovetter, que pode ser baixado aqui. Acho que pode nos ajudar bastante, dando ideias bem legais e, quem sabe, vários insights práticos no nosso cotidiano.

Um forte abraço,

Pedro

 

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