03/06/11

5 ações que ligam suas memórias afetivas e sociais

“A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar  (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro  (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais  (memória artificial)”.

Até os anos 90, as pessoas usavam câmeras analógicas e se deslocavam até lojas físicas para revelar suas fotos. E hoje? Smartphones como o Nokia N8 já possuem dispositivos de compartilhamento conectados com suas redes sociais, que publicam suas fotos intantaneamente para as suas centenas de amigos no Facebook, Orkut e Twitter com apenas 2 cliques.

Mas aonde vão parar as nossas memórias? As redes sociais as armazenam para todo sempre? È claro que não. Nós mesmos as subtituímos por outras memórias em sequencia, fazendo com que álbuns, vídeos, mensagens carinhosas e updates se percam num mar de bits.

O que é publicado, é rapidamente esquecido, deixado de lado por uma memória mais recente, um álbum mais curtido ou um vídeo com mais comentários. Algumas marcas e empresas já se deram conta disso e lançaram ações / aplicativos que reunem a sua memória em gráficos, livros e vidas, como forma de tomar parte da sua memória afetiva (Reparem que todos os vídeos trabalham a trilha sonora de forma emocional a medida que o vídeo avança).

Social Memories

O aplicativo Social Memories transforma suas interações no facebook em dados, gráficos e estatísticas, fazendo com que você conheça mais sobre as suas relações e seus amigos. O livro pode ser uma recordação “eterna” por 20 euros + frete.

Intel – Museum of me

O aplicativo da Intel transforma suas interações no facebook em um lindo vídeo da sua vida, como se estivesse sendo exposta em um museu.

Bouygues Télécom – When Facebook becomes a book

Para atrair consumidores ao lançamento de sua fan page, empresa de telecom francesa criou um livro customizado e distribuiu ao seus clientes. A ação, similar ao Social Memories, foi limitada a 1000 livros, que se esgotaram apenas numa hora.

My infographic

O aplicativo do Facebook gera um gráfico com seus dados, que pode ser compartilhado com seus amigos ou entrar para sua galeria de fotos.

Tweet Notebook

Transforma seus updates em rodapé de um caderno personalizado. Pode ser comprado por 12 euros + frete.

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27/05/11

7 perguntas para Felipe Neto

Era uma vez um cara que eu seguia no Twitter e não fazia muito bem ideia de quem ele era. Felipe tinha a mesma quantidade de seguidores que eu, também carioca, twitteiro da madrugada, fim de semana e afins…

Um belo dia, Felipe resolveu criar alguns vídeos para web. Me mandou um direct message e pediu para falar comigo pelo MSN. Sem entender muito bem do que se tratava, passei o MSN e logo começamos a conversar.

Lembro que isso foi num sábado e passei quase a tarde toda com o MSN ligado conversando com o Felipe e outras pessoas. Falamos sobre vídeos, twitter, humor, grana e assuntos da vida pessoal que não eram lá muito relevantes. Até então, Felipe só tinha gravado dois vídeos.

Um mês depois da conversa no MSN, Felipe já tinha alcançado mais de 1 milhão de visualizações no youtube. Tinha virado assunto de agência, de roda de amigos e de mesa de bar. Seis meses depois, já estava no Jô Soares.

Aonde eu quero chegar com todo esse blablablá?
Felipe foi um cara que mudou o curso da sua vida através das plataformas sociais. É o exemplo célebre de que o usuário pode criar sua própria audiência e se tornar formador de opinião “do dia para a noite”. A partir de então, eu virei “fã” do Felipe. Respeito a determinação ter continuado a postar, mesmo sob chuvas de críticas e respeito o caminho que está trilhando como ator.

Hoje, Felipe está aqui no blog (que vale mais que sentar no sofá do Jô rsrs), respondendo a 7 perguntas sobre criação de conteúdo, disseminação, target na web e planos para a carreira. Enjoy it!

- Você se considera um empreendedor da era digital?
Eu tento ao máximo expandir minhas formas de trabalho sempre, acho
que é muito bom poder arriscar, explorar áreas que trato como um
desafio. Baseado nisso, acho que posso me considerar um
empreendedor… Já sobre a era digital, não sei, pois estou tanto
nessa era web quanto na parte da televisão (multishow e globo), teatro
(com apresentações do grupo Avacalhados) e outros setores.

- Que tática usava para a disseminação dos seus vídeos no início?
Eu divulgava os vídeos na minha continha do Twitter e passava pros
amigos, nada além disso. Na época eu tinha um Blog, chamado Controle
Remoto, mas sequer colocava os vídeos lá.

- Planejamento ou conteúdo? Qual destes fatores foi decisivo pro seu sucesso?
Planejamento zero. Até gostaria de poder ter planejado melhor, se
soubesse que ia ter essa repercussão toda. Meu foco foi realmente em
conteúdo, mas sinceramente? Nunca pensei dessa forma: “ah, preciso ter
um bom conteúdo”… Minha meta sempre foi: “preciso me divertir
fazendo isso”.

- No lançamento dos seus vídeos, ao que parece, você não determinou um target mas os teenagers se tornaram maioria. Você precisou de aproximar do universo teen pra criar e/ou fazer ações patrocinadas?
Na verdade isso é uma certa ilusão. Segundo estatísticas do próprio
Youtube, a maioria das visualizações masculinas, por exemplo, vem da
faixa entre 18 e 24 anos. Já pelas mulheres, a maioria é na faixa de
13-17. De todo modo, no ranking geral, as faixas entre 25-34, 35-44 e
45-54 são muito fortes. Os adolescentes, contudo, são os que são mais
fortemente atingidos pelos vídeos, principalmente pela questão de
serem muito mais passionais e impulsivos. Em nenhum momento eu pensei
em atingir o público A ou B, tanto por isso eu tenho desde vídeo
falando sobre colírios da capricho até vídeos falando sobre políticos,
preconceito e o #PrecoJusto. Já para campanhas publicitárias, já
anunciei Chiclets, Pepsi e Credicard, ou seja, uma prova de que não
necessariamente é somente o público jovem que me assiste e que as
empresas estão interessadas em utilizar como Target.

- O youtube continua nos seus planos para o futuro?
Eu prefiro não fazer muitos planos para o futuro. Quando falamos de
uma carreira artística, o que temos hoje é o que devemos trabalhar
insanamente para ficar o mais próximo do ideal que acreditamos… Aí
sim o futuro vem, de acordo com as execuções de hoje. Torço para que
minha permanência no Youtube seja duradoura, com certeza, mas não
terei dedos se precisar sair caso a curva esteja em declínio.

- Você é influenciador de uma onda de videocasters e vlogers. Que conselhos deixaria pra eles?
Sejam sinceros, se divirtam e parem de fazer vídeos querendo ficar famosos.

- O quanto as redes sociais on-line influenciam na sua privacidade hoje? Foursquare nem pensar?
Foursquare nem pensar, eu tenho um certo medo da possibilidade de
saberem exatamente onde eu estou. Hoje em dia eu só uso mesmo o
Twitter, que não influencia lá tanto minha privacidade…

Obrigada, Felipe pela entrevista :)

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23/05/11

Amigos nas redes sociais – revisitando Granovetter

“Quantos amigos você tem no Facebook?”

Essa inocente pergunta, que só faz sentido hoje (pois, se fosse feita há mais de sete anos significaria somente quantos amigos seus estão no seu livro da turma), esconde uma outra pergunta, mais interessante, que é relacionada ao significado de amizade.

A primeira interpretação seria relacionada a quantos amigos meus estão na minha página do Facebook. A segunda, quantos “amigos” tenho no Facebook. São dois significados diferentes, para situações diferentes.

Claro que a complexidade dessa resposta não é culpa somente do Zuckerberg (embora ele seja um dos responsáveis, sim). Diria que se trata de um processo, que já vem acontecendo desde a década de 1990, e que passa pelas primeiras iniciativas sociais na Internet de peso. É, no fundo, uma edição mais moderninha do mesmo problema que alguém encontrava quando dizia que tinha 30 amigos nas salas de bate-papo UOL o no IRC.

No fundo, a relação de amizade é produto de uma série de fatores pessoais, políticos, econômicos, sociais, religiosos, etc., forjada ao longo do tempo por um grupo de pessoas. Essas pessoas se sentem bem com outras, em uma relação recíproca, e aumentam o grau de intimidade e de troca de informações entre si, estabelecendo uma relação de confiança (claro que aqui falo principalmente de uma amizade “desinteressada”).

Um dos caras mais importantes na pesquisa em redes sociais, Mark Granovetter, certa vez escreveu que a força das relações entre os atores sociais é um composto de várias coisas, difíceis de se quantificar, incluindo o tempo gasto nessa manutenção, o grau de intimidade, a proximidade de interesses, etc.

Nesse sentido, posso ter até 890 amigos no Facebook, mas é mais provável que as minhas relações sociais se concentrem num grupo bem menor – já que é humanamente impossível dedicar tempo suficiente para construir relações sólidas e duradouras com 890 pessoas (por favor, contem isso para os políticos, ok?).

Por isso gosto da ideia de diferenciação entre ligações fortes e fracas. Sei que tem muita gente que tem objeções substanciais a essa divisão (e essas objeções fazem sentido, inclusive) – então, não considere isso como verdade absoluta, ok? : )

A ideia, basicamente, é que esses diferentes graus de “intensidade” na criação e manutenção das relações sociais geram, obviamente, diferentes resultados. No clássico artigo The Strength of Weak Ties, Granovetter fala sobre dois tipos de ligações entre atores na rede social: fortes e fracas. Qualitativamente falando, as ligações fortes seriam aquelas nas quais se investiu mais tempo e “esforço”, enquanto as ligações mais fracas seriam, em oposição, aquelas nas quais há menor intensidade nesse processo.

Coloquemos assim: você provavelmente tem uma ligação forte com sua/seu namorada/o (espero!). Significa que vocês passam tempo juntos, fazem programas em comum, compartilham de determinados gostos, têm um círculo de amizades que se conecta, de algum modo, etc.. Assim como o seu melhor amigo, aquele que sai contigo para um bar, praia, viaja com você, etc. De outro lado, você também tem uma série de outros contatos sociais, os quais, por diferentes razões, você tem um relacionamento não tão próximo assim: talvez o seu vizinho, que você conhece pelo nome e cumprimenta educadamente toda vez que encontra com ele… mas não seria o cara que você convidaria para uma viagem de Carnaval com seus amigos. Ou então o seu colega de sala, que pode ser alguém legal e interessante mas, naquele momento, ainda há pouco tempo nessa relação para que se configure algo mais forte – embora isso possa acontecer.

O nosso conceito social de “amigo” é muito mais próximo do que seria uma “ligação forte”. Daí a estranheza quando falamos que temos 890 amigos no Facebook.

Sem querer entrar em considerações mais filosóficas acerca da amizade, acredito que esse problema, pelo menos a princípio, é muito mais de uma “tradução” esquisita disso do que de qualquer outra coisa. O Inglês tem uma palavra ótima para definir essa situação: acquaintance – poderia ser traduzida como “contato”, “conhecido”. Algo mais próximo da nomenclatura usada pelo LinkedIn, rede profissional – contatos, conexões.

Recomendo a todos uma leitura do artigo do Granovetter, que pode ser baixado aqui. Acho que pode nos ajudar bastante, dando ideias bem legais e, quem sabe, vários insights práticos no nosso cotidiano.

Um forte abraço,

Pedro

 

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16/05/11

Formação em Mídias sociais: o primeiro passo

Com grande freqüência recebo e-mails, contatos, replies e sinais de fumaça de estudantes e profissionais que pretendem entender um pouco mais sobre o uso corporativo das mídias sociais para  benefício próprio ou para agarrar uma oportunidade de trabalho.

Muitos não dispõem de tempo ou verba suficiente para cursar uma graduação ou Pós na área desejada. Para estes, os cursos de curta duração são uma verdadeira “mão na roda” e, não só complementam o currículo, como ajudam estes profissionais a colocar em prática o que aprenderam mais rápido.

Mas quais são as informações necessárias para quem quer contratar um cursinho desses? Como calcular se o custo benefício do curso vale a pena (fora do estado,  alguns cursos exigem investimento em passagem, hospedagem e alimentação para, muitas vezes, não atender às suas expectativas)?

Seguem alguns tópicos que podem na ajudar a sua escolha:

- Quem serão seus professores?

Dê um google no nome do cidadão, procure por suas informações no linkedIn, saber se possui blog ou outras redes sociais. É comum que os professores produzam materiais entre palestras e artigos para disseminar entre seus alunos e leitores. Assim, você já saberá se o estilo do docente lhe agrada. Abaixo, tentei descrever um perfil básico de professores que atuam hoje no mercado (é lógico que você encontrará CEOs acadêmicos, Jornalistas especialistas e Publicitários whatever…):

- Histórico profissional dos docentes:

Não foi à toa que citei o linkedin como uma ótima fonte para avaliar o histórico do profissional que possivelmente será seu professor. Mas se ele não tiver linkedin, não tem problema. O currilo lattes também é uma plataforma muito utilizada pelos acadêmicos. No mais, acesse o site de sua agência ou cases os quais ele tenha participado. Isso lhe ajudará a coletar perguntas pertinentes para fazer dentro e fora de sala de aula.

- A carga horária atende as suas necessidades / expectativas?

Os cursos de curta duração são excelentes para quem desenvolve projetos sozinho ou está prestes a pôr a mão na massa gerindo perfis e blogs corporativos. No entanto, cuidado com cursos que prometem milagres em poucas horas. O aprendizado em mídias sociais é longo e contínuo. Existe muita literatura sobre o assunto e situações que só a rotina de planejamento e execução irão resolver.

- Preciso ter formação em Comunicação ou Marketing para participar?

Não, mas é bom. Se a formação ou a prática do seu professor for em Marketing ou Publicidade, espere ouvir muito sobre isso. Muitas vezes são usados termos ou temáticas corriqueiras para estes profissionais em sala de aula, portanto, aqueles que não têm conhecimento anterior podem se sentir perdidos. Vale procurar um cursinho sobre Comunicação empresarial ou Comportamento do consumidor para complementar seu aprendizado.

Dicas finais:

a) Não esqueça de pedir opiniões para amigos que já fizeram os cursos.

b) O professor vai lecionar sobre gestão de mídias sociais e não possui perfil em redes sociais? É bom averiguar…

c) O professor vai lecionar sobre uma área a qual não tem experiência? Pesquise ou peça links sobre o material que ele já produziu sobre o tema.

Instituições que recomendo no Rio de Janeiro (ordem alfabética):

ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing

Idigo – Núcleo de Inteligência Digital

Igec-FachaEm junho, primeira turma do Curso Prático de Redes Sociais, no qual os alunos irão criar, planejar e executar um projeto nas plataformas sociais.

Infnet – Instituto Infnet

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