Orkut desafios e o engajamento da Classe C
Muitos profissionais e pesquisadores discordam da citação “nova Classe C” ou até mesmo o rótulo “Classe C” em títulos como esse, visto que a Classe C não é uma novidade. A massa sempre foi composta por aqueles, que como diz o sábio Bauman em Modernidade Líquida, “lutam desesperadamente para fazer as suas frágeis, mesquinhas e transitórias posses durarem mais tempo”.
O que mudou nesse status quo é que jamais pensou-se a internet e a comunicação nas mídias digitais para a massa. E o pico da pirâmide (ou aqueles que gostariam de estar nesse posto) tenta subjulgar ou se afastar do que a massa se apropria no ciberespaço (impossível não relembrar do efeito trickle down aqui). Enquanto isso, a modernidade tecnológica cria espaços de interação onde membros se aglutinam em grupos e definem as “normas locais”. Quem é nativo e quem é haole, é definido pelos early adopters, aqueles que chegam primeiro e se sentem síndicos do espaço.
Nessa dinâmica, o facebook tornou-se o espaço novo. E, de acordo com os objetivos de Zuckerberg, será sempre o novo, sempre o beta, obrigando o usuário a aprender, reaprender, repensar a rede e jamais rotulá-la como antiquada. A lógica me lembra muito as boites do Rio de Janeiro, que muitas vezes, mudam de nome e decoração uma vez ao ano, mantendo a mesma estrutura e donos, apenas com objetivo de retenção do público, uma tradução cotidiana e off-line do “beta”.
O que se tornou velho, antiquado e apropriado pela massa, no ciberespaço, foi o Orkut e, ao contrário de fazer um movimento almejando aparentar o modelo cool e inovador do facebook, vem investindo na retenção e no engajamento da massa. E, pra isso, utiliza agora uma das linguagens mais populares da humanidade: o humor.
Lançada no final de setembro, a comunidade Orkut Desafios, parece que vem para repetir o sucesso quase instantâneo do Orkut Ao Vivo. Com menos de um mês de vida e quase 3 milhões de membros, a ação utiliza o audivisual, o fórum e as hashtags do Twitter para interagir com o público e lançar questões que premiam os participantes mais engajados.
O engajamento aqui começa desde a hora que são lançadas os quizzes até mesmo o tempo-resposta. O usuário é impelido a voltar na comunidade, participar do tópico e assistir novos vídeos para conquistar os prêmios. Enquanto os “ciberantenados” de última geração discutem “gamification”, o Orkut Desafios faz perguntas simples que permitem que usuários com qualquer nível sócio-cultural possam participar.
Conclusão: as métricas falam por si, basta fazer uma simples análise das visualizações dos vídeos, dos tópicos da comunidade e dos membros associados para perceber que antes da morte do Orkut, muitas lições de simplicidade ainda precisam ser aprendidas.



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