Neste post eu ia falar apenas do vídeo “O jeitinho carioca – Shit cariocas say”, mas para falar dele, precisei recorrer à fonte, “Shit New Yorkers say”, mas para falar dele, precisei recorrer ao termo meme e precisei ir à Wikipédia. Viu como é difícil escrever um post por aqui? Rsrsrs.
Então, na ordem cronológica: o que é um meme?
Meme é um termo criado pelo autor Richard Dawkins, em 1976, no seu bestseller O Gene Egoísta. No livro, o termo se refere a “uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada”. Veja mais na wikipedia.
No nosso mundo, o meme significa:
“uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se”.
E no português claro, o que é um meme?
“O meme é uma unidade de informação que pode ser copiada e repassada para o outro, de forma a se disseminar com velocidade (sobretudo se estivermos falando da internet)”
O termo da Wikipédia cita “evolução cultural” porque os memes nasceram muito antes do que você conhece por web 2.0. É inerente ao comportamento humano copiar outros comportamentos com objetivos pré-definidos para se comunicar, se desenvolver, se entreter etc. Bordões, como conhecemos nas novelas da Globo, por exemplo, são memes que se propagavam da TV para o mundo real rapidamente.
Voltando ao objetivo do post: o último meme da moda é o vídeo “Shit cariocas say”, que é uma unidade de replicação do meme “Shit new yorkers say”, que gerou uma série de outros vídeos correspondentes a essa unidade original.
Alguns autores, como Henry Jenkins, não acreditam que memes sejam virais (que dá uma longa discussão em outro post), simplesmente porque pela etimologia “viral” é algo epidêmico, ou seja, o indivíduo não têm consciência do contágio e, se tiver, não terá participação na disseminação do contágio. Ao passo que nos memes da internet, os indivíduos consomem o conteúdo e atuam disseminando com objetivo de espalhar a mensagem.
Pode parecer muito blablabla discutir a diferença etimológica de memes e virais, certo? Errado. É por isso que eles ensinam e nós aprendemos: porque eles têm saco pra esse tipo de coisa. Mas vamos aos vídeos, que são engraçados e mostram como um conteúdo pode se tornar um meme de uma para outra:
Então, fiquem ligados, pois o meme brasileiro têm tudo para “viralizar” (com o perdão do Henry Jenkins para utilizar o termo erroneamente). Aguardemos novos “What shit … say” em língua portuguesa e a repercussão que isso tende a tomar na mídia pelo Brasil.
“A grande diferença entre os dois filmes é o poder das mídias sociais. Pensem nisso”.
Este post ao ar ontem, 09 de junho, bem durante o que podemos chamar de “calor das emoções” nas redes sociais.
O link para o vídeo da ATL havia sido postado por apenas um usuário no youtube, em conta pessoal, cujo nick não foi encontrado nas redes sociais mais habituais (sim, fizemos busca). Logo, depois do burburinho começar a se estender, o usuário retirou o vídeo do ar, deixando todos que o haviam embedado sem referência #cicarellifeelings
Antes mesmo do vídeo ter sido retirado do ar, percebi o potencial polêmico deste vídeo no youtube e apostei com @AlineMagno e @RodrigoPrior que o assunto entraria para os Trending Topics do Twitter em uma média de 1 hora e 30 minutos. Você deve estar se perguntando: “nossa! Para que tanta precisão? Ou era falta de job na agência? rsrsrs”.
Então, eu respondo e explico: A discussão em torno do vídeo entrou nos Trending Topics do Twitter Brasil exatamente 50 minutos após a minha aposta. Quer saber por que aceitei? Então, vamos ter que falar um pouco de viralização.
Uma vez que um conteúdo se torna viral ou viraliza, ele transpõe as barreiras do target. Ou seja: ele deixa de atingir somente os usuários da marca e atinge outros segmentos de interesse.
Tendo o conteúdo tomado tamanha relevância, o usuário entende que qualquer coisa ligado a ele também é relevante. Quer um exemplo: quantos livros existem decorrentes do filme e do livro “The Secret – O segredo”? (A Lei da Atração, Muito além do segredo, Desvendando os mistérios do segredo, etc). E mais: todos eles VENDEM e muito.
Isso me lembrou os princípios de transmedia que falam sobre serialidade e multiplicidade, mas deixemos este assunto para outros posts. O foco aqui é plágio, disseminação e buzz nas redes sociais
Em suma:
- Qualquer conteúdo produzido com potencial de viralização corre este risco – do buzz negativo em torno dele se tornar tão grande quanto.
- Se o vídeo da Vivo fosse lançado antes das explosão das redes sociais no Brasil, ele faria o mesmo sucesso?
- O vídeo da Vivo já alcançou mais de 2 milhões de visualizações no youtube. É certo que o buzz (negativo ou positivo) ampliou o alcance da marca nas redes sociais.
- Eduardo e Mônica continua nos Trending Topics no terceiro dia de ação – sendo que agora, contém menções sobre a concorrência e plágio. Ontem, os termos “plágio” e “ATL” (antigo nome da Claro) permaneceram durante toda a tarde nos TTBr.
Participante do evento desde a primeira edição, tive o orgulho de integrar o grupo de curadores do Social Media Brasil deste ano.
Um grande time de profissionais discutiu por e-mail aproximadamente uns 2 meses sobre temas, direcionamento dos painéis e nomes que poderiam integrar o casting de palestrantes.
Uma das minhas sugestões, por exemplo, foi levar a Flourish Klink, que encerrou o evento no palco principal com uma palestra empolgante e descontraída sobre a cultura de fãs e narrativa transmidiática (também conhecida como transmedia storytelling).
Todo esse debate me deixou com um gostinho de quero mais vindo da palestra do ano passado, a qual falei sobre “Análise SWOT das mídias sociais”. Não aguentei e “me ofereci” para organização como debatedora. Tive a sorte de cair num painel com Victor Guerra (Ideia/SA) e Eduardo Barbato (NBS) – na verdade, o Barbato foi “culpa” minha Tinha visto o case do Tweet Bomb e achei super pertinente diante da proposta do painel. Além do mais, a NBS é uma das agências que mais ganha prêmios de digital no país, merecia ter seu representante lá.
Em suma, mais uma leva de e-mails com ambos para decidirmos o que falar, que cases levar, como aproveitar melhor o nosso curtíssimo tempo.
Eu entrei com o pé na porta e quis falar sobre Orkut. A maior rede social do país, detentora grande polêmica das mídias digitais esse ano (morreu ou não morreu?) merecia um espaço seu, uma atenção especial.
Depois, resolvi voltar pro tema (temerosa que o Formagio ou o público me matasse). Fiz uma rápida análise de fan page da Diesel e das incoerências de planejamento que vemos por aí quando se trata de Facebook.
Fechei com uma ação simpática do Twitter, que poderia ter sido realizada por qualquer marca, com qualquer verba, mas era uma ação da própria rede, em homenagem ao Dia das Mães, perdurando o efeito da hashtag e do trending topics.
Bom, gente, é isso! Os slides estão aí. Aos que foram, agradeço a oportunidade, a atenção, a paciência e os feedbacks. Aos que não foram também. Beijos e até o próximo evento.
“A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial)”.
Até os anos 90, as pessoas usavam câmeras analógicas e se deslocavam até lojas físicas para revelar suas fotos. E hoje? Smartphones como o Nokia N8 já possuem dispositivos de compartilhamento conectados com suas redes sociais, que publicam suas fotos intantaneamente para as suas centenas de amigos no Facebook, Orkut e Twitter com apenas 2 cliques.
Mas aonde vão parar as nossas memórias? As redes sociais as armazenam para todo sempre? È claro que não. Nós mesmos as subtituímos por outras memórias em sequencia, fazendo com que álbuns, vídeos, mensagens carinhosas e updates se percam num mar de bits.
O que é publicado, é rapidamente esquecido, deixado de lado por uma memória mais recente, um álbum mais curtido ou um vídeo com mais comentários. Algumas marcas e empresas já se deram conta disso e lançaram ações / aplicativos que reunem a sua memória em gráficos, livros e vidas, como forma de tomar parte da sua memória afetiva (Reparem que todos os vídeos trabalham a trilha sonora de forma emocional a medida que o vídeo avança).
O aplicativo Social Memories transforma suas interações no facebook em dados, gráficos e estatísticas, fazendo com que você conheça mais sobre as suas relações e seus amigos. O livro pode ser uma recordação “eterna” por 20 euros + frete.
Para atrair consumidores ao lançamento de sua fan page, empresa de telecom francesa criou um livro customizado e distribuiu ao seus clientes. A ação, similar ao Social Memories, foi limitada a 1000 livros, que se esgotaram apenas numa hora.
Era uma vez um cara que eu seguia no Twitter e não fazia muito bem ideia de quem ele era. Felipe tinha a mesma quantidade de seguidores que eu, também carioca, twitteiro da madrugada, fim de semana e afins…
Um belo dia, Felipe resolveu criar alguns vídeos para web. Me mandou um direct message e pediu para falar comigo pelo MSN. Sem entender muito bem do que se tratava, passei o MSN e logo começamos a conversar.
Lembro que isso foi num sábado e passei quase a tarde toda com o MSN ligado conversando com o Felipe e outras pessoas. Falamos sobre vídeos, twitter, humor, grana e assuntos da vida pessoal que não eram lá muito relevantes. Até então, Felipe só tinha gravado dois vídeos.
Um mês depois da conversa no MSN, Felipe já tinha alcançado mais de 1 milhão de visualizações no youtube. Tinha virado assunto de agência, de roda de amigos e de mesa de bar. Seis meses depois, já estava no Jô Soares.
Aonde eu quero chegar com todo esse blablablá?
Felipe foi um cara que mudou o curso da sua vida através das plataformas sociais. É o exemplo célebre de que o usuário pode criar sua própria audiência e se tornar formador de opinião “do dia para a noite”. A partir de então, eu virei “fã” do Felipe. Respeito a determinação ter continuado a postar, mesmo sob chuvas de críticas e respeito o caminho que está trilhando como ator.
Hoje, Felipe está aqui no blog (que vale mais que sentar no sofá do Jô rsrs), respondendo a 7 perguntas sobre criação de conteúdo, disseminação, target na web e planos para a carreira. Enjoy it!
- Você se considera um empreendedor da era digital?
Eu tento ao máximo expandir minhas formas de trabalho sempre, acho
que é muito bom poder arriscar, explorar áreas que trato como um
desafio. Baseado nisso, acho que posso me considerar um
empreendedor… Já sobre a era digital, não sei, pois estou tanto
nessa era web quanto na parte da televisão (multishow e globo), teatro
(com apresentações do grupo Avacalhados) e outros setores.
- Que tática usava para a disseminação dos seus vídeos no início?
Eu divulgava os vídeos na minha continha do Twitter e passava pros
amigos, nada além disso. Na época eu tinha um Blog, chamado Controle
Remoto, mas sequer colocava os vídeos lá.
- Planejamento ou conteúdo? Qual destes fatores foi decisivo pro seu sucesso?
Planejamento zero. Até gostaria de poder ter planejado melhor, se
soubesse que ia ter essa repercussão toda. Meu foco foi realmente em
conteúdo, mas sinceramente? Nunca pensei dessa forma: “ah, preciso ter
um bom conteúdo”… Minha meta sempre foi: “preciso me divertir
fazendo isso”.
- No lançamento dos seus vídeos, ao que parece, você não determinou um target mas os teenagers se tornaram maioria. Você precisou de aproximar do universo teen pra criar e/ou fazer ações patrocinadas?
Na verdade isso é uma certa ilusão. Segundo estatísticas do próprio
Youtube, a maioria das visualizações masculinas, por exemplo, vem da
faixa entre 18 e 24 anos. Já pelas mulheres, a maioria é na faixa de
13-17. De todo modo, no ranking geral, as faixas entre 25-34, 35-44 e
45-54 são muito fortes. Os adolescentes, contudo, são os que são mais
fortemente atingidos pelos vídeos, principalmente pela questão de
serem muito mais passionais e impulsivos. Em nenhum momento eu pensei
em atingir o público A ou B, tanto por isso eu tenho desde vídeo
falando sobre colírios da capricho até vídeos falando sobre políticos,
preconceito e o #PrecoJusto. Já para campanhas publicitárias, já
anunciei Chiclets, Pepsi e Credicard, ou seja, uma prova de que não
necessariamente é somente o público jovem que me assiste e que as
empresas estão interessadas em utilizar como Target.
- O youtube continua nos seus planos para o futuro?
Eu prefiro não fazer muitos planos para o futuro. Quando falamos de
uma carreira artística, o que temos hoje é o que devemos trabalhar
insanamente para ficar o mais próximo do ideal que acreditamos… Aí
sim o futuro vem, de acordo com as execuções de hoje. Torço para que
minha permanência no Youtube seja duradoura, com certeza, mas não
terei dedos se precisar sair caso a curva esteja em declínio.
- Você é influenciador de uma onda de videocasters e vlogers. Que conselhos deixaria pra eles?
Sejam sinceros, se divirtam e parem de fazer vídeos querendo ficar famosos.
- O quanto as redes sociais on-line influenciam na sua privacidade hoje? Foursquare nem pensar?
Foursquare nem pensar, eu tenho um certo medo da possibilidade de
saberem exatamente onde eu estou. Hoje em dia eu só uso mesmo o
Twitter, que não influencia lá tanto minha privacidade…