Você sabe como se recebe um briefing e um pedido de ação em mídias sociais? Não? Então, vamos fazer uma pequena e básica simulação nesse post, que pode chegar a alguns insights divertidos.
Imagine que você recebeu um job de gestão de crise para uma marca que atinge mais de 30 milhões de consumidores no Brasil.
Cenário
O principal concorrente desta marca vem atingindo um crescimento vertiginoso e invertendo os números de share de mercado. Os consumidores vêm utilizando as duas marcas, mas com isso, há uma percepção coletiva de que a marca líder vem perdendo espaço.
Objetivos
- conter o buzz negativo que se alastra pelas redes sociais de que a marca principal está caindo. Este buzz faz com que a percepção dos usuários caia simultaneamente e pode, a médio prazo, gerar queda drástica ou até mesmo abandono do consumo.
- Elevar a percepção da marca líder e evocar o orgulho de cada consumidor em fazer parte desta história.
Estratégia
Dar argumentos aos 30 milhões de consumidores para que eles mesmos possam reverter o buzz negativo que corre através das plataformas sociais.
Tática
Criação de vídeo, que você assiste agora:
E as táticas de disseminação?
Podem ser muitas: home do Orkut, vídeos patrocinados, header expansível no youtube, inserção no Orkut ao vivo, uso de influenciadores para disseminação, seeding… A imaginação corre solta!
Bom, já dei muitas dicas pro Google não? Se eles precisarem de alguém pra ajudar, segue o meu linkedin
A prova disso são as grandes marcas investindo em comunidades patrocinadas, fan pages muito bem elaboradas e branded channels do youtube que valem mais que as barras de ouro do Silvio.
Para isso, não é preciso apenas profissionais que sejam bons de conteúdo e, sim, de planejamento. Nenhuma marca que se preze vai investir mais de R$100.000 em um canal do youtube ou comunidade, se a agência não apresentar um plano de gestão e conteúdo coesos.
A exemplo disso, podemos citar “marcas” como o Vaticano. Com milhares de fiéis espalhados pelo mundo, a estratégia de entrada do Vaticano nas mídias sociais envolve:
- Presença digital bem dividida
O vaticano está presente nas 4 principais plataformas sociais mundiais: twitter, youtube, facebook e Flickr. Atendendo assim, aos principais formatos de compartilhamento (texto, fotos e vídeos).
- 4 idiomas
Para alcançar seus públicos com mais facilidade, o conteúdo do Vaticano está disponível no site em dois idiomas e no youtube em quatro – incluindo o Espanhol, o Alemão além do idioma principal que é o Italiano e o idioma global, o inglês. Daí, já é possível pensar em quantos profissionais de conteúdo (ou até mesmo escritório de tradução) estão envolvidos no projeto
- custo de produção
O custo de produção de conteúdo audiovisual de boa qualidade não é dos mais baratos. No Flickr, por exemplo, o Vaticano já conta com mais de 700 fotos publicadas desde abril deste ano. O canal do youtube é mais antigo, mesmo assim, com larga escala de publicação, o canal possui mais de 1.000 vídeos enviados, produzidos pelo “The Vatican Television Center” (CTV).
- Equipe envolvida
Jornalistas, produtores de áudio e vídeo, tradutores e dezenas de profissionais são orientados pelos planners de social media, que definem o que deve ser postado (de acordo com o calendário do Papa, claro), como deve ser postado e disseminado.
Em suma: grandes marcas ou entidades já não apostam mais nas mídias sociais como o “meio baratinho” e, sim, investem em qualidade e periodicidade de produções em busca de criar a manter uma audiência fiel.
Para conhecer todos os canais do Vaticano nas mídias sociais acesse: http://www.news.va/en
P.S: outras sugestões para o nome do post: “O papa é pop” e “olha quem está twittando”
Na era pré-socialmedia tudo o que o consumidor sempre sonhou foi ter voz sobre o que era produzido, comunicado e vendido. Era poder reclamar e receber seu dinheiro de volta, era poder dizer que gostou e receber um sorriso carinhoso de sua marca preferida de volta e, por fim e não menos importante, era poder ser a garota ou garoto propaganda de seu produto preferido.
A nova propaganda, se assim pode ser chamada, com a ajuda das mídias sociais vem tornando este sonho realidade. Diversas marcas perceberam o impacto do fator “gente como a gente” no processo de recomendação e, digo mais: de CREDIBILIDADE.
Será que a Sandy toma Devassa? Será que a Xuxa usa Monange ou Victoria’s Secret? Será que a credibilidade é afetada quando há abuso dos “embaixadores aspiracionais de marca”? Será que gera impacto nas vendas? Algumas dessas perguntas ninguém sabe responder (com exceção da preferência alcoólica da Sandy), mas o que podemos observar é que inúmeras marcas já utilizam seus próprios consumidores em campanhas na internet e na mídia de massa.
Posso inumerar uma lista que vai desde o super case Fiat Mio até à Musa da Cintra, mas preferi concentrar em duas ações que estão no ar com objetivo de explorar a imagem do consumidor como fator de identificação e recomendação. Vi os dois exemplos no mesmo dia, daí veio o insight para o post.
O primeiro exemplo é Garnier, trazendo consumidores e blogueiros para seu canal no youtube, como tática de disseminação do seu último lançamento. Reparem que a mídia no Youtube é uma das ferramentas utilizadas pela marca para impulsionar as visualizações dos depoimentos. A imagem que você vê abaixo é um banner expansível localizado na home do youtube (contar só com o rostinho bonito dos consumidores seria muita ingenuidade, já que os mesmos não têm a força do mainstream).
O segundo caso é das Casas Bahia: com uma ação que objetiva o aumento das vendas. A marca lançou uma promoção com direito a toda mída que já fazem normalmente, cujo prêmio será levar o consumidor que contar a melhor história com a marca para seus comerciais de TV. Não bastarão as menções positivas e a possível exposição das histórias no site, a marca ainda vai levar as histórias afetivas mais interessantes para o mainstream. Tudo que o consumidor sempre quis na era pré-socialmedia e nunca teve.
Concluindo, a utilização do consumidor na propaganda nunca esteve tão em alta. O poder da recomendação, tão valorizado nas estratégias junto as plataformas sociais, começa a ser aproveitado nas ações de mídias tradicionais e ações integradas.
O“call to action” dando a possibilidade de “ficar famoso” atrai o consumidor ególatra em busca de reconhecimento na sociedade. Para isso, vale aderir e experimentar novos produtos e serviços, recomendar a amigos, publicar fotos e vídeos, criar histórias que não necessariamente condizam com a verdade.
O custo para o usuário varia de acordo com o seu desejo de aparecer. Para uns, essa oportunidade vale muito. Para outros, não tem valor. E para as marcas, o que vale são os lucros gerados a partir dessa transação.
“A grande diferença entre os dois filmes é o poder das mídias sociais. Pensem nisso”.
Este post ao ar ontem, 09 de junho, bem durante o que podemos chamar de “calor das emoções” nas redes sociais.
O link para o vídeo da ATL havia sido postado por apenas um usuário no youtube, em conta pessoal, cujo nick não foi encontrado nas redes sociais mais habituais (sim, fizemos busca). Logo, depois do burburinho começar a se estender, o usuário retirou o vídeo do ar, deixando todos que o haviam embedado sem referência #cicarellifeelings
Antes mesmo do vídeo ter sido retirado do ar, percebi o potencial polêmico deste vídeo no youtube e apostei com @AlineMagno e @RodrigoPrior que o assunto entraria para os Trending Topics do Twitter em uma média de 1 hora e 30 minutos. Você deve estar se perguntando: “nossa! Para que tanta precisão? Ou era falta de job na agência? rsrsrs”.
Então, eu respondo e explico: A discussão em torno do vídeo entrou nos Trending Topics do Twitter Brasil exatamente 50 minutos após a minha aposta. Quer saber por que aceitei? Então, vamos ter que falar um pouco de viralização.
Uma vez que um conteúdo se torna viral ou viraliza, ele transpõe as barreiras do target. Ou seja: ele deixa de atingir somente os usuários da marca e atinge outros segmentos de interesse.
Tendo o conteúdo tomado tamanha relevância, o usuário entende que qualquer coisa ligado a ele também é relevante. Quer um exemplo: quantos livros existem decorrentes do filme e do livro “The Secret – O segredo”? (A Lei da Atração, Muito além do segredo, Desvendando os mistérios do segredo, etc). E mais: todos eles VENDEM e muito.
Isso me lembrou os princípios de transmedia que falam sobre serialidade e multiplicidade, mas deixemos este assunto para outros posts. O foco aqui é plágio, disseminação e buzz nas redes sociais
Em suma:
- Qualquer conteúdo produzido com potencial de viralização corre este risco – do buzz negativo em torno dele se tornar tão grande quanto.
- Se o vídeo da Vivo fosse lançado antes das explosão das redes sociais no Brasil, ele faria o mesmo sucesso?
- O vídeo da Vivo já alcançou mais de 2 milhões de visualizações no youtube. É certo que o buzz (negativo ou positivo) ampliou o alcance da marca nas redes sociais.
- Eduardo e Mônica continua nos Trending Topics no terceiro dia de ação – sendo que agora, contém menções sobre a concorrência e plágio. Ontem, os termos “plágio” e “ATL” (antigo nome da Claro) permaneceram durante toda a tarde nos TTBr.
Era uma vez um cara que eu seguia no Twitter e não fazia muito bem ideia de quem ele era. Felipe tinha a mesma quantidade de seguidores que eu, também carioca, twitteiro da madrugada, fim de semana e afins…
Um belo dia, Felipe resolveu criar alguns vídeos para web. Me mandou um direct message e pediu para falar comigo pelo MSN. Sem entender muito bem do que se tratava, passei o MSN e logo começamos a conversar.
Lembro que isso foi num sábado e passei quase a tarde toda com o MSN ligado conversando com o Felipe e outras pessoas. Falamos sobre vídeos, twitter, humor, grana e assuntos da vida pessoal que não eram lá muito relevantes. Até então, Felipe só tinha gravado dois vídeos.
Um mês depois da conversa no MSN, Felipe já tinha alcançado mais de 1 milhão de visualizações no youtube. Tinha virado assunto de agência, de roda de amigos e de mesa de bar. Seis meses depois, já estava no Jô Soares.
Aonde eu quero chegar com todo esse blablablá?
Felipe foi um cara que mudou o curso da sua vida através das plataformas sociais. É o exemplo célebre de que o usuário pode criar sua própria audiência e se tornar formador de opinião “do dia para a noite”. A partir de então, eu virei “fã” do Felipe. Respeito a determinação ter continuado a postar, mesmo sob chuvas de críticas e respeito o caminho que está trilhando como ator.
Hoje, Felipe está aqui no blog (que vale mais que sentar no sofá do Jô rsrs), respondendo a 7 perguntas sobre criação de conteúdo, disseminação, target na web e planos para a carreira. Enjoy it!
- Você se considera um empreendedor da era digital?
Eu tento ao máximo expandir minhas formas de trabalho sempre, acho
que é muito bom poder arriscar, explorar áreas que trato como um
desafio. Baseado nisso, acho que posso me considerar um
empreendedor… Já sobre a era digital, não sei, pois estou tanto
nessa era web quanto na parte da televisão (multishow e globo), teatro
(com apresentações do grupo Avacalhados) e outros setores.
- Que tática usava para a disseminação dos seus vídeos no início?
Eu divulgava os vídeos na minha continha do Twitter e passava pros
amigos, nada além disso. Na época eu tinha um Blog, chamado Controle
Remoto, mas sequer colocava os vídeos lá.
- Planejamento ou conteúdo? Qual destes fatores foi decisivo pro seu sucesso?
Planejamento zero. Até gostaria de poder ter planejado melhor, se
soubesse que ia ter essa repercussão toda. Meu foco foi realmente em
conteúdo, mas sinceramente? Nunca pensei dessa forma: “ah, preciso ter
um bom conteúdo”… Minha meta sempre foi: “preciso me divertir
fazendo isso”.
- No lançamento dos seus vídeos, ao que parece, você não determinou um target mas os teenagers se tornaram maioria. Você precisou de aproximar do universo teen pra criar e/ou fazer ações patrocinadas?
Na verdade isso é uma certa ilusão. Segundo estatísticas do próprio
Youtube, a maioria das visualizações masculinas, por exemplo, vem da
faixa entre 18 e 24 anos. Já pelas mulheres, a maioria é na faixa de
13-17. De todo modo, no ranking geral, as faixas entre 25-34, 35-44 e
45-54 são muito fortes. Os adolescentes, contudo, são os que são mais
fortemente atingidos pelos vídeos, principalmente pela questão de
serem muito mais passionais e impulsivos. Em nenhum momento eu pensei
em atingir o público A ou B, tanto por isso eu tenho desde vídeo
falando sobre colírios da capricho até vídeos falando sobre políticos,
preconceito e o #PrecoJusto. Já para campanhas publicitárias, já
anunciei Chiclets, Pepsi e Credicard, ou seja, uma prova de que não
necessariamente é somente o público jovem que me assiste e que as
empresas estão interessadas em utilizar como Target.
- O youtube continua nos seus planos para o futuro?
Eu prefiro não fazer muitos planos para o futuro. Quando falamos de
uma carreira artística, o que temos hoje é o que devemos trabalhar
insanamente para ficar o mais próximo do ideal que acreditamos… Aí
sim o futuro vem, de acordo com as execuções de hoje. Torço para que
minha permanência no Youtube seja duradoura, com certeza, mas não
terei dedos se precisar sair caso a curva esteja em declínio.
- Você é influenciador de uma onda de videocasters e vlogers. Que conselhos deixaria pra eles?
Sejam sinceros, se divirtam e parem de fazer vídeos querendo ficar famosos.
- O quanto as redes sociais on-line influenciam na sua privacidade hoje? Foursquare nem pensar?
Foursquare nem pensar, eu tenho um certo medo da possibilidade de
saberem exatamente onde eu estou. Hoje em dia eu só uso mesmo o
Twitter, que não influencia lá tanto minha privacidade…
- Pegue um briefing chato
- Adicione uma pote de criatividade
- 3 colheres de sopa de investimento
- 1 pitada de confiança do cliente na hora de aprovar a ação
- 10 dedos de planejamento
- 1 caixinha de relacionamento com influenciadores
- 1 produção de vídeo bem temperada
E, tchanãn: temos um encurtador de URL do Carrefour que doa alimentos para Cruz Vermelha a cada vez que você utiliza a ferramenta no site. Eu recebi o press kit da ação, gostei, passei a usar e me surpreendi ao ver que a ação já alcançou 2 toneladas de alimentos. Este post é uma contribuição voluntária e não remunerada para que eles alcancem a meta: chegar a 10 toneladas de alimento para quem precisa.
Quero conhecer o encurtador e utilizar também? Acesse: http://virou.gr
P.S: este artigo não recebeu nenhum centavo para ser escrito, apenas uma caixinha de sopa de letrinhas.