Websérie #MulheresdePeito: precisamos falar sobre empoderamento feminino

Você já parou para refletir o quanto a propaganda, as revistas, os filmes, as novelas, as séries e seus protagonistas (a mídia como um todo) tem um impacto significativo na sua percepção de beleza? Por que será que a dove sketches é a propaganda mais assistida no youtube, quando a mesma fala sobre a baixa estima feminina de forma global?

Em 2015, diante de toda efervescência em torno do empoderamento feminino, eu passava por um processo pessoal muito delicado e relacionado diretamente com a minha percepção de autoimagem e autoestima. Só meus amigos mais próximos sabiam sobre o assunto, mas pesquisando na web e encontrando tão pouco conteúdo sobre o tema, eu decidi que poderia ser uma porta-voz para muitas mulheres que estariam passando pelo mesmo processo (sororidade também é isso).

Acreditando que eu não seria bonita o suficiente ou acreditando que eu poderia ter “o corpo dos sonhos”, em 2009, eu decidi fazer a minha primeira cirurgia plástica (próteses mamárias). 6 anos depois, eu estava passando pela segunda contratura capsular (uma reação imunológica do corpo contra as próteses) e a maioria das mulheres que eu conhecia que também tinham silicone nunca tinham ouvido falar sobre isso ou não tinha ideia de que a contratura capsular também poderia acontecer com elas, A QUALQUER MOMENTO, e sem nenhum tipo de prevenção ou tratamento eficaz.

Pesquisei no Google, analisei os resultados da primeira página, li blogs, pesquisei no Youtube e fala-se tão pouco sobre uma das reações mais comuns do corpo contra a prótese, suas implicações estéticas, de saúde e financeiras (porque os planos de saúde não cobrem esse tipo de procedimento). Percebi que o tema devia ser muito mais falado do que ele é hoje.

Para quem não sabe, ano a ano o Brasil disputa com os Estados Unidos no ranking de intervenções cirúrgicas para fins estéticos Mais de 23 milhões de cirúrgicas plásticas foram realizados no mundo em 2014 (1.45 milhões apenas no Brasil). E nem preciso mencionar que há muito dinheiro envolvido nisso e muito interesse que as pessoas – sobretudo mulheres – continuem vendo defeitos em seus corpos.

À convite da produtora Faz Um Auê, eu resolvi compartilhar a minha história, a história do meu processo e do meu empoderamento em optar pela remoção das próteses . Depois de idas e vindas à mesa de cirurgia, eu decidi não machucar mais o meu corpo e ampliar o debate para que outras mulheres possam refletir e aceitar a sua própria beleza.
Na semana do Dia Internacional da Mulher lançaremos a #MulheresdePeito, uma websérie de 4 capítulos, com propósito de trazer à tona mulheres de personalidade, que fazem a diferença na sociedade, ainda que de maneira silenciosa.

Junto comigo, participam:
Fátima Lima (antropóloga, feminista e professora da UFRJ);
Daisy Queiroz (Psicoterapeuta Focal Cognitivo e Comportamental);
Dr. Carlos André Meyer (cirurgião plástico)
Nilo Amaral (residente em cirurgia plástica).

Assista os outros vídeo teasers da websérie no canal da Faz Um Auê e vamos debater juntos, juntas ou juntxs sobre todos estes temas. Um dia a Jout Jout conclamou as mulheres a fazer um escândalo. Eu estou aqui, Fazendo o meu Auê. Vem comigo :)

* Créditos da imagem que compõe este post: Woman Empowerment by Karunita-Kappor (Índia).

Patrícia Moura

Patrícia Moura é Publicitária, Especialista em Mídias Digitais e professora em cursos de Pós-graduação e MBAs em Marketing digital.

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